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Quebrado, basquete arrisca futuro ao declarar voto na oposição do COB

Guy Peixoto -
Guy Peixoto
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

09/09/2020 04h00

Pegou muito mal junto ao comando do Comitê Olímpico do Brasil (COB) a postura da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) de declarar publicamente voto no opositor Rafael Westrupp na eleição para presidente da entidade. O ato foi visto como uma traição por parte de uma confederação que respira por aparelhos — e esses aparelhos só são mantidos ligados pela boa vontade do COB.

Pela primeira vez em ano, o COB terá eleições de fato democráticas, com Paulo Wanderley tentando a reeleição contra outros três candidatos de oposição. Assim, é natural que diversas confederações optem por candidatos que não o atual presidente. O boxe e o golfe estão oficialmente com Alberto Murray. O tênis e o skate, com Rafael Westrupp. Tiro esportivo, pentatlo, remo, tênis de mesa e levantamento de peso apoiam Helio Cardoso.

A situação do basquete, porém, é diferente. A CBB está sem acesso a recursos públicos —uma consequência de diversas irregularidades de gestões passadas—, e depende que o COB pague suas contas. A seleção feminina, por exemplo, só evoluiu porque o COB topou pagar o salário do técnico José Neto e diversos campings de treinamento. Mais do que isso: no final do ano passado, a CBB estava sem dinheiro até para pagar conta de luz. Solidário, o COB doou R$ 1,2 milhão de seus recursos privados.

Mesmo assim, a confederação optou por chancelar a candidatura de Westrupp, do tênis, outro que era até recentemente um forte aliado de Paulo Wanderley. E foi além. No domingo (7) à noite, anunciou publicamente que vai votar em Westrupp, usando para tal uma justificativa genérica: "A escolha pela 'COB + Forte' veio pelo alinhamento de ideias e por entender que a chapa é a que mais se assemelha aos conceitos do basquete brasileiro e a que mais pode auxiliar o futuro do esporte como um todo", explicou a entidade.

Dentre todas as 35 confederações olímpicas, nenhuma recebeu mais apoio voluntário do COB na gestão Paulo Wanderley do que a CBB. Mesmo assim, a confederação fez questão de ser a única a tornar público seu voto até aqui, e contra Paulo Wanderley. O ato foi considerado uma traição.

Ao fazer essa declaração de voto, a CBB coloca o futuro do basquete nas mãos dos outros 48 eleitores do COB. Se eles escolherem Paulo Wanderley como presidente, a modalidade não deve ter, pelos próximos quatro anos, o tratamento cuidadoso que teve nos últimos três, recebendo recursos privados do comitê. Se a CBB for tratada pelo COB como qualquer outra confederação, só recebendo recursos públicos descentralizados, ela quebra, porque não pode receber recurso público.

Guy Peixoto, que não vai tentar a reeleição e deverá indicar Marcelo Souza para substituí-lo, aposta todas as fichas na boa relação com Rafael Westrupp e com o BRB, o Banco de Brasília, que patrocina a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) e patrocinaria a CBB se esta pudesse receber recursos públicos. O uniforme da seleção chegou a ter o logo do banco, mas a CBB nunca recebeu o dinheiro do patrocínio.

Além do basquete, Rafael Westrupp tem forte apoio de Duda Musa, ex-empresário de Neymar e presidente da Confederação Brasileira de Skate (CBSk), que tem agendado reuniões para apresentar Westrupp. Emanuel Rego, candidato a vice, também tem tentado abrir portas. Mas sua presença na chapa tanto ajuda quanto atrapalha. Ele saiu do governo Bolsonaro pelas porta dos fundos, após críticas de sua esposa, senadora Leila (PSB-DF), ao governo. Por isso, seu nome não é bem quisto pelo governo.

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