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Jogadores de vôlei cobram 'fair play financeiro' após denúncias

Jogadores de vôlei lançam campanha - Reprodução
Jogadores de vôlei lançam campanha Imagem: Reprodução
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

24/06/2020 19h10

Parte dos principais jogadores de vôlei do país se uniu nesta terça-feira em torno de uma campanha que pede "Fair Play Financeiro Já". Em carta aberta à Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), eles dizem que a não serão mais calados "pelo receio do desemprego na temporada seguinte". "Até quando a impunidade dos clubes, os problemas com patrocinadores, programação televisiva e até desacertos políticos estarão acima do respeito com o atleta?", eles questionam.

A queixa vem depois de uma temporada marcada por problemas financeiros encontrados por clubes principalmente do masculino. Ponta Grossa, América-MG e Maringá ficaram sem pagar salários. O Botafogo desistiu do torneio depois de contratar elenco e não conseguir honrar salários. Na segunda divisão feminina, a equipe de Itajaí, promovida para a elite, só pagou o primeiro mês de salário e as jogadoras estão sem receber desde dezembro, como mostrou o Olhar Olímpico.

A crise escalou a partir de domingo (21), quando o blog do Voloch, do Estadão, publicou o relato da líbero Aninha, que jogou as últimas quatro temporadas na equipe de Curitiba. Entre uma série de histórias degradantes, a jogadora contou que foi abandonada pelo clube depois de romper o ligamento cruzado do joelho direito. Depois desse relato, outras jogadoras começaram a contar suas histórias.

Aí o vôlei se reencontrou com um velho problema. O regulamento da Superliga diz que uma equipe só terá sua inscrição aceita se todos os atletas do elenco da temporada passada assinarem um documento afirmando que receberam todo o valor combinado. É o chamado Fair Play Financeiro, que nunca foi eficiente.

No ano passado, toda a Comissão de Atletas da CBV renunciou depois que a confederação aceitou a inscrição da equipe com nome fantasia de América-MG. Trata-se do velho time de Montes Claros (MG), que na temporada anterior havia alugado sua vaga para o Corinthians/Guarulhos. Os jogadores do time paulista ficaram sem receber, mas mesmo assim o CNPJ foi aceito depois que o Montes Claros processou os atletas.

A renúncia da comissão de atletas não adiantou muita coisa e a CBV não voltou atrás. Montes Claros jogou mesmo assim, com o nome de América-MG, e ficou devendo para seus jogadores. Até o superpoderoso Taubaté, que estava em primeiro lugar quando a temporada foi encerrada, atrasou três meses de salário, de acordo com relatos. O Botafogo desistiu da Superliga antes da estreia porque admitiu que não teria como pagar os salários já atrasados.

Todo fim de temporada, nessa época do ano, clubes que estão devendo para seus jogadores tentam um acordo e os atletas, pressionados, com risco de se queimarem, acabam cedendo. Agora o movimento lançado hoje quer fortalecê-los. "Não podemos mais nos calar pelo receio do desemprego na temporada seguinte. Isso já está acontecendo. Isso é urgente", dizem. Entre os atletas que postaram a mensagem nas últimas horas estão Thaisa, Wallace, William, Pureza e Renan.

Confira, no post de Thaisa, a mensagem completa.

#Repost @wallaceleandro08 (@get_repost) ??? Estamos juntos nessa!! CARTA ABERTA À CBV. Sabemos que situação vivenciada pelo mundo com a Pandemia Covid é alarmante, mas passar por tudo isso sem o apoio do órgão responsável por gerir sua classe é DESRESPEITOSO. Ano, após ano, a situação se repete. Não podemos mais nos calar pelo receio do desemprego na temporada seguinte. Isso já está acontecendo. Isso é urgente! A data para apresentação dos documentos que possibilitam o ingresso de um time na próxima temporada se aproxima. O chamado FairPlay financeiro é um mecanismo que, em tese, frise-se, EM TESE, permite que somente clubes adimplentes estejam inscritos. Isso não acontece. Na prática, o jogo é outro e está distante da beleza e da importância do esporte para o País. Poderíamos citar muitos exemplos. Uma infinidade de clubes que não honram seus compromissos. São casos e mais casos de contratos reelaborados no meio da temporada, são acordos e mais acordos reformulados a cada novo descumprimento apenas para garantia a tal "vaga". ATÉ QUANDO? Além de atletas, somos mães e pais de família, filhos e filhas. Seres que enfrentam a saudade, a dor em busca não só de um sonho, mas, principalmente, de desenvolver seu trabalho com dignidade. Afinal, as nossas contas, também, chegam. Essa é a nossa PROFISSÃO e merece ser respeitada. ATÉ QUANDO? Até quando a impunidade dos clubes, os problemas com patrocinadores, programação televisiva e até desacertos políticos estarão acima do respeito com o atleta? Clamamos pelo apoio da CBV! Ouçam o profissional, ouçam os atletas. É preciso maior seriedade. É preciso transparência. Exigimos Respeito. Por nós, por nossas famílias, pelo voleibol e pelo esporte brasileiro. #nosajudecbv #atletasmerecemrespeito #ovoleirespira #fairplayfinanceiroja #cbv #superliga2021 #voleibrasil #atletasunidos #juntosporumacausa #chegadeimpunidade

Uma publicação compartilhada por Thaisa Daher (@daherthaisa) em

Olhar Olímpico