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Medalhista olímpica dá calote em elenco promovido para a Superliga

Elisângela e o prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni, com camisa da temporada anterior - Divulgação
Elisângela e o prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni, com camisa da temporada anterior Imagem: Divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

06/06/2020 04h00

O elenco que conseguiu o acesso na Superliga B de Vôlei Feminino por Itajaí só recebeu um dos cinco meses de salários prometidos pela gestora do projeto, a medalhista olímpica Elisângela Oliveira. A competição começou em janeiro e foi paralisada em março, quando o Brasil entrou em quarentena. Mas as jogadoras, entre elas a campeã olímpica Sassá, só receberam o salário de dezembro. Todas as outras parcelas estão atrasadas.

"A princípio, iríamos receber todo dia 15. Mas, a partir de janeiro, sempre pediam uma semana a mais de espera e foi isso até o fim da temporada. Então disseram que até 30 de abril receberíamos uma parcela e as outras seriam a partir do mês de maio. Não recebemos nada até agora e sem previsão de quando iremos receber", conta uma das jogadoras do elenco, que pede para não ser identificada.

Elisângela confirma as dívidas. A jogadora, que disputou duas Olimpíadas, faturando o bronze em Sydney, prolongou a carreira até 2015, quando acabou envolvida em polêmica. O Osasco queria tê-la no elenco, mas o ranking de atletas não permitia. Já aposentada, tornou-se dirigente, montando uma equipe inicialmente em Londrina (PR) para jogar a Superliga B. O projeto depois migrou para Balneário Camboriú (SC) e, finalmente, no ano passado, para Itajaí, também em Santa Catarina.

"Aqui (em Itajaí) tem muito mais empresas, muito mais recursos, então achei que seria mais fácil arrecadar patrocínio. A prefeitura prometeu só ceder os espaços de treinamento, e tudo que ela prometeu ela deu. Mas a gente ia ter patrocínio de uma autarquia municipal, que por questões burocráticas demorou. Quando a gente estava para dar entrada, teve a pandemia, e isso travou tudo, deixando a gente engessado", explica Elisângela.

A parceria entre o projeto da ex-jogadora e a prefeitura de Itajaí foi anunciado em outubro e a Superliga B começou em janeiro. Antes de a competição começar, Elisângela chegou a levar o time para visitar o prefeito Volnei Morastoni (MDB). O torneio foi paralisado em meados de março, após o fim da primeira fase, e logo depois os clubes decidiram encerrar o torneio, mantendo a classificação de momento, o que deu a Brasília e Itajaí, líder e vice-líder, o direito de disputar a próxima Superliga.

As jogadoras que ajudaram na conquista, porém, passam por dificuldades financeiras. "Estamos enfrentando várias situações: cartão de crédito bloqueado, nome negativado, amigos emprestando, familiares ajudando, algumas até rifando uniforme ou vendendo doces de porta em porta. A situação é bem complicada e delicada. Afeta não só as atletas, mas familiares e amigos de maneira geral. É uma falta de respeito com profissão e mais ainda com o ser humano por detrás do atleta", diz a jogadora que não quer se identificar.

Elisângela diz atender a aflição das jogadoras e diz que algumas atletas chegaram a receber "quase" um segundo salário em adiantamento, de um total de cinco combinados, de dezembro a abril. Apesar da vaga na primeira divisão do vôlei nacional, que também depende da quitação dos salários, ela acha muito improvável que a equipe dispute a elite na próxima temporada.

"Vamos continuar sim na Superliga B. Se aparecer uma empresa que banque, beleza, se não provavelmente vai continuar com o projeto na Superliga B. Se você monta um time que toma pau, no início vai todo mundo para ver você jogar com Praia, Minas, Rio, mas depois você praticamente tem que pagar para o torcedor ir te ver perder. Melhor ficar na B, envolver a cidade, e se preparar para futuramente uma Superliga", explica.

Olhar Olímpico