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Museu retira busto de ex-presidente do COI associado ao racismo

Avery Brundage em foto de 1972 - Rainer Binder/ullstein bild via Getty Images
Avery Brundage em foto de 1972 Imagem: Rainer Binder/ullstein bild via Getty Images
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

23/06/2020 13h34

O Museu de Arte Asiática de São Francisco, referência sobre arte oriental nos Estados Unidos, decidiu retirar dos olhos do público o busto do seu patrono, Avery Brundage, que foi quem propôs o museu doando sua coleção particular. Presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) entre 1952 e 1972, Brundage é acusado de ser um simpatizante do nazismo e de ter difundido ideais supremacistas brancos.

Atleta do decatlo na juventude, disputou os Jogos Olímpicos de Estocolmo, em 1912, e construiu sua carreira política no handebol. Como presidente do comitê olímpico dos EUA, em 1936, rejeitou a proposta de boicote aos Jogos de Berlim, peça de propaganda política de Adolf Hitler. Como empresário e liderança política, liderou momento contrário à participação dos EUA na Segunda Guerra Mundial.

Mesmo assim, em 1952, se tornou o quinto presidente da história do COI, o primeiro ex-atleta. Ficou no cargo por 20 anos e, nos Jogos de 1968, na Cidade do México, foi o responsável por expulsar os norte-americanos Tommie Smith e John Carlos, que levantaram o pulso cerrado no pódio dos 200m, símbolo do protesto antirracista.

Ainda assim, o legado de Brundage foi praticamente incontestado até os anos atuais. Em entrevista ao The New York Times, o diretor executivo do Museu de Arte Asiática, Jay Xu, disse que só em 2016, durante as pesquisas para seu 50º aniversário, é que a equipe do museu "desenvolveu uma consciência mais ampla das visões e ações racistas e anti-semitas de Brundage".

O museu atrai, segundo o NYT, 300 mil visitantes anualmente, com um orçamento de US$ 30 milhões. Das cerca de 18 mil peças em exposição, mais de 7 mil foram doações do patrono. Agora, artistas argumentam que o museu apresenta a arte asiática de uma perspectiva predominantemente branca. Ao jornal Xu confirmou essa análise, de que Brundage refletiu uma fetichização do Oriente. Paralelamente, discute-se os meios utilizados para a coleção ser formada mais de meio século atrás.

"Precisamos lidar com a própria história de como o nosso museu surgiu", escreveu Xu em uma carta publicada em 4 de junho. Na semana seguinte, o museu decidiu que retiraria o busto do seu fundador e o guardaria em local reservado, na esteira do movimento Black Lives Matter.