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Clube de Manaus tem 15 infectados após cartola pegar Covid e manter treinos

Elenco do 3B treina para a Série A2 do Brasileiro Feminino - Divulgação
Elenco do 3B treina para a Série A2 do Brasileiro Feminino Imagem: Divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

02/06/2020 14h20

Presidente do 3B, João Bosco Brasil apresentou os primeiros sintomas do novo coronavírus e, por recomendação médica, se submeteu ao exame para saber se estava doente. Enquanto o resultado não saía, continuou convivendo com o elenco que disputa a Série A2 do Campeonato Brasileiro Feminino e treina em Manaus, cidade que viu seu sistema de saúde entrar em colapso. 12 dias depois do teste, soube que estava infectado, assim como 12 das 14 jogadoras que permanecem reunidas e dois membros da comissão técnica.

"Eu senti uma gripe como nosso presidente [da República] falou: uma gripezinha. Comecei a suar e fiz o teste, que no começo você fazia e levava 12 dias para receber o resultado. Enquanto isso, ia na academia, malhava, porque achava que era só uma gripezinha. Depois de 12 dias saiu o resultado, aí sim me isolei durante duas semanas, mas tinha convivido com as jogadoras durante aqueles dias", contou, ao Olhar Olímpico.

A "Associação Esportiva 3B da Amazônia" é um clube praticamente particular, centrado na figura de João Bosco. O nome da equipe, inclusive, faz referências às iniciais do seu nome: João Bosco Brasil Blindá. O time tem centro de treinamento em Manaus, com alojamento, no mesmo terreno em que fica uma empresa de comunicação visual dele, patrocinadora da equipe. No complexo também fica o apartamento que o empresário/dirigente construiu dentro da empresa, onde ele mora.

João Bosco conta que, com o fechamento das fronteiras com a Venezuela, em 17 de março, impediu que as sete jogadoras venezuelanas do time voltassem para casa. Além delas, outras sete atletas pediram para permanecer no centro de treinamento, enquanto cinco retornaram às suas cidades. O técnico Marcelo Tchelo, italiano, preferiu deixar a cidade, mas quatro membros da comissão técnica permaneceram.

"Nós só paramos de treinar por cinco dias. Como meu centro de treinamento é no quintal, as meninas moram alojadas, o campo é dentro de onde elas dormem", explica João Bosco, que diz que três atletas que vieram da Itália foram levadas por ele ao hospital assim que chegaram para passarem por exames.

O dirigente, porém, presume que foi ele a passar a Covid-19 adiante.

"Estou puxando que eu fui porque fui o primeiro a sentir os sintomas. Como eu não tinha recebido o resultado, eu continuei convivendo com elas. Quando saiu o resultado positivo, eu mesmo tomei um susto e parei uma semana de treinar. Depois eu vi que fui melhorando e continuei minha vida normal. O convívio interno nosso continuou a mesma coisa", conta João Bosco, que nos últimos dois meses fez três testes para o novo coronavírus, todos positivos. Até a última vez que foi testado, ao menos, estava infectado.

Aos poucos, o elenco também foi sentindo sintomas. Das 14 jogadoras que permanecem em Manaus, 12 testaram positivo, e oito tiveram complicações segundo João Bosco leves.

"Eu tive jogadoras que pararam [de treinar] três dias, jogador que parou um dia, e jogadora que deu positivo com poucos sintomas, mas treinou direto. A Gabi não teve nada, mas pegou corona, e hoje está curada sem ter tido exame nenhum", conta.

As duas jogadoras e dos dois membros da comissão técnica que não testaram positivo continuam convivendo com os infectados, inclusive em treinos coletivos. O dirigente alega que a situação do 3B não é exclusiva do time, mas de toda a cidade.

"Aqui em Manaus, 80% da população que fez teste, independente do meu clube, pegou Covid. De dez que converso, nove pegaram. Manaus está nessa situação. Infelizmente e felizmente, porque hoje praticamente todos nós estamos imunizados", diz.

Estudo da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) divulgado em 15 de maio estimava que 26% da população da capital já havia sido infectada.

Olhar Olímpico