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Ciclista olímpico pedalou 620 km em 40h indo para casa e dá dicas a Fred

Murilo Fischer, ciclista brasileiro - Reprodução/Instagram
Murilo Fischer, ciclista brasileiro Imagem: Reprodução/Instagram
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

01/06/2020 18h00

Um ídolo do esporte brasileiro decidiu encarar de bicicleta uma jornada de cerca de 600 quilômetros para voltar para casa. A frase vale tanto para o atacante Fred, que começou hoje (1) o trajeto de Belo Horizonte até o Rio de Janeiro, quanto para o agora ex-ciclista Murilo Fischer, que disputou as últimas cinco edições dos Jogos Olímpicos, e que entre sábado (30) e domingo (31) percorreu 620 quilômetros entre São Paulo, onde trabalha, e Brusque (SC), sua cidade natal.

Enquanto Fred faz do seu retorno ao Fluminense pedalando uma ação de marketing, com direito a cinco patrocinadores, dois carros de apoio e promessa de doar uma cesta básica por cada quilômetro pedalado, Fischer usou a "jornada", como denomina, para se isolar,

"Eu sempre gostei de me isolar. Quando era profissional, me isolava de três a quatro semanas por ano, ficava treinando para um objetivo, e fazia bem para mim. Fazia bem para o treinamento, para mim. Depois de 2016, quando parei competir como profissional, não tive mais essa possibilidade de estar comigo", contou ao Olhar Olímpico.

A jornada começou em São Paulo, na Bicicletaria Faria Lima, da qual é proprietário, às 4h30 de sábado, e só terminou às 21h de domingo, em Brusque, onde mora com a família, depois de 620 quilômetros. No total, foram 24 horas e 27 minutos pedalando, com direito a paradas para se alimentar e se hidratar, e uma noite de sono em um hotel de beira de estrada.

"Foi um desafio até pessoal porque a cabeça fala: 'tu pode', mas o físico não é mais o físico de 10 anos atrás. O primeiro dia foi super legal, de curtição, fiz 313 quilômetros. Mas o segundo dia foi de aprendizado, porque eu dormi no meio do caminho, mas já saí de lá subindo muito, estava muito frio, com cansaço acumulado. Até pensei em parar, deu uma dor no joelho, mas foi indo, foi indo, fui insistindo, e realizei um objetivo com com bastante aprendizado", conta.

Pedalar por 12 horas em um dia não é algo rotineiro nem para um ciclista profissional, que, nos treinos mais longos, pedala por 7 horas. Só uma prova do calendário internacional, a dificílima Milão-San Remo, tem quilometragem semelhante. Mas ela é feita com uma bicicleta leve, de menos de 7 quilos. Murilo pedalou com 18kg. "O histórico me favorece, mas me sinto uma pessoa normal. O músculo tem memória, entende que está sofrendo e vai sofrer mais um tempo, mas não tem mais aquele negócio de treinamento."

Fred vai pedalar de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Fred pedala de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro: por cestas básicas
Imagem: Reprodução/Instagram

Considerado um dos mais bem-sucedidos ciclistas profissionais da história do Brasil, Murilo passou praticamente toda a carreira na Europa, disputando diversas Grandes Voltas. Agora de volta para casa, ele se surpreendeu com o respeito na estrada. Tem um trecho da Régis Bittencourt que sobe uma serra sem acostamento. Meu medo era subir aquilo, mas impressionante o respeito que tive durante esse percurso. Em nenhum momento me senti ameaçado por caminhão. Impressionante como está mudando a cultura. É até estranho um caminhão mudando de pista para não passar parto do ciclista. Isso foi super legal. Fiquei bem contente", ressalta o ciclista, que diz ter utilizado diversos equipamentos de sinalização.

Murilo também destaca a importância de respeitar o corpo. E dá dicas para Fred. "O primeiro (conselho) é o querer. Querer vencer esse desafio. Isso é a gasolina. E tem que se manter fisicamente bem. Hidratação, alimentação, e respeitar o limite do corpo. Se precisasse pedalar a 8 (quilômetros) por hora eu pedalava a 8. Se desse a 30, eu pedalava a 30. Querer, alimentação, hidratação, e respeitar o momento que está atravessando na jornada", resume.

Olhar Olímpico