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Pré-Olímpico durante pandemia deixou 3 atletas infectados pelo Covid-19

Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

26/03/2020 15h57

Ao menos três atletas foram diagnosticados pelo Covid-19 depois de participarem do Pré-Olímpico Europeu de Boxe. A competição foi iniciada em Londres, sob intensos protestos da comunidade internacional, contra todas as recomendações da Organização Mundial de Saúde, quando praticamente todo o esporte mundial já estava paralisado. O mais grave: a organização do torneio era atribuição do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Como a Federação Internacional de Boxe Amador (Aiba) foi suspensa pelo COI em meio a um escândalo de corrupção, o comitê olímpico montou uma força-tarefa entre seus dirigentes para organizar as competições de boxe em Tóquio e também as seletivas olímpicas. Ainda em janeiro o Pré-Olímpico da Ásia e da Oceania foi cancelado, porque seria em Wuhan, cidade chinesa onde o coronavírus fez as primeiras vítimas. Em 11 de março, quando a OMS reconheceu a existência de uma pandemia, o governo da Argentina proibiu eventos esportivos no país e o Pré-Olímpico das Américas, que começaria hoje (26), precisou ser cancelado.

Mas o COI decidiu manter a programação para o Pré-Olímpico Europeu, que começou no dia 14 (sexta-feira da semana retrasada) em Londres, mesmo sem a presença de diversos atletas, impossibilitados de viajar. O primeiro dia do torneio transcorreu normalmente, no segundo o público foi proibido e, durante o terceiro, foi anunciado que a competição seria suspensa no final do dia. Foi o último torneio internacional do mundo a ser paralisado.

Agora vêm as consequências. Em comunicado interno obtido pelo site Inside The Games, o presidente da federação turca de boxe, Eyüp Gözgeç, relatou que dois boxeadores turcos e um treinador testaram positivo para o Covid-19 depois da viagem. "Todos eles estão em tratamento agora e, felizmente, estão em boas condições. Este é o resultado desastroso da irresponsabilidade da força-tarefa do COI", escreveu o dirigente, que também é vice-presidente da federação europeia e, portanto, opositor à ingerência do COI sobre o boxe amador.

"É inevitável perguntar por que o evento de qualificação europeu não foi adiado antes mesmo de acontecer? O preço da exclusão da AIBA e da Federação Europeia será alto para a força-tarefa do COI. Será que eles pensam que seus problemas com os indivíduos lhes concedem o direito de colocar os atletas e suas famílias em risco?", questionou. O outro caso conhecido é o do pugilista croata Tony Filipi, que está em isolamento em Zagreb desde o dia 20 de março e testou positivo para o Covid-19.

Olhar Olímpico