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Adiamento da Olimpíada faz Petrix mudar planos e sonhar com Tóquio após BBB

Instagram/Reprodução
Imagem: Instagram/Reprodução
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

24/03/2020 16h57

Quando aceitou participar do BBB, Petrix Barbosa adiou o sonho de uma vida toda, de 20 anos de treinamento: disputar uma Olimpíada. Com uma lesão no punho esquerdo, ele postergou o tratamento e abriu mão de disputar as últimas competições classificatórias da ginástica artística para Tóquio. O que já era assunto superado na cabeça do agora ex-BBB voltou a ser um objetivo real por meios tortos. Com o adiamento de Tóquio-2020 para 2021, ele agora terá tempo de se recuperar, disputar as seletivas, e quem sabe chegar à Olimpíada defendendo Portugal.

Quase 50 dias depois de ser eliminado da 20ª edição do Big Brother Brasil, Petrix rompeu o silêncio em uma entrevista para o UOL Esporte nesta terça-feira (24). Diretamente do interior do estado de Nova York (EUA), onde atualmente mora, o ginasta falou sobre a carreira e sobre o programa.

UOL Esporte - Onde você está neste momento?

Petrix - Eu estou no interior de Nova York. Eu moro aqui. Morei quatro anos em Miami, mas onde eu treinava o ginásio fechou em agosto do ano passado. Fiquei até outubro na Europa, quando eu voltei para casa o ginásio já estava fechado, não tinha como prosseguir os treinamentos. De qualquer forma eu já tinha tirado esse período para recuperar o punho. Para não ficar sozinho de vez eu mudei para cá, onde eu tenho família.

Você está de quarentena aí?

Tá sério o negócio. Não estou em Nova York cidade. Estou a uma hora e meio de Nova York, em quarentena. Estamos eu, meu irmão, cunhada, sobrinhos e minha namorada. A gente só sai quando precisa sair de urgência, para comprar umas coisas, um por vez, e volta.

E você está conseguindo treinar?

Eu não posso treinar. Estava marcado para ir em abril para o Brasil, para talvez passar por uma cirurgia, para voltar ano que vem ou no meio, final desse ano. Mas agora não sei como vai ser esse procedimento.

Ao entrar no Big Brother você desistiu do sonho de ir para Tóquio? Porque você poderia disputar o Campeonato Europeu deste ano e ainda tenta a vaga olímpica.

A partir do momento que decidi entrar no BBB, e o punho foi a coisa que ditou essa decisão, eu já estava ciente de que ia abrir mão da Olimpíada. Minha situação médica que me fez tomar a decisão. Já estava com isso fixo, de não ir para Olimpíada. Meu critério era: não adiantava eu fazer um esforço sobrenatural para superar minhas lesões, correr esses três meses para classificar e estar meia-boca no campeonato, porque não estava no meu melhor fisicamente. Minha decisão era parar e voltar para o próximo ciclo inteiro. Agora as cosias estão todas abertas, provavelmente. Assim que resolver meu punho posso voltar a pensar em Olimpíada.

Lógico que tem toda a questão da saúde pública. Mas existia algo dentro de você que te fazia torcer pelo adiamento para você poder ir para Tóquio?

É muito maior que o esporte. Eu estava extremamente preocupado. Minha torcida era muito forte para a Olimpíada ser adiada. Em julho talvez já estivesse 90% do vírus contido, mas o número de pessoas que vão se juntar num lugar só pode acabar com o mundo, com o planeta. Uma pessoa contaminada pode contaminar a Vila Olímpica inteira. Se existe 1% de chance disso acontecer, não tinha como ter. Eu torcia sim, mas pelo bem do mundo.

Como está sua relação com os portugueses? Você continua competindo por Portugal?

Quando eu decidi me naturalizar português, eu senti que minha missão estava completamente cumprida no Brasil. Quando terminar minha carreira, quero te dado o melhor que eu puder aqui. Minha relação está super boa. Eu fui eleito o atleta do ano passado em Portugal, sou atleta número 1 da ginástica ainda, eles estão super apoiando minha recuperação. Era esse meu objetivo, poder dedicar um ciclo inteiro para eles. O ciclo de Tóquio foram praticamente 3 anos, dois anos, sendo do Brasil e nem um ano quase por Portugal.

Você precisou falar com a federação portuguesa antes de entrar no BBB?

Devo satisfação para minha mãe e para eles. Foi uma decisão tomada em conjunto pesando os prós e os contras de acordo com minha lesão. A gente tinha um planejamento diferente. A gente em conjunto decidiu que acima de tudo queríamos a recuperação.

Vamos falar um pouco de BBB. Você tem assistido, o que está achando do que está acontecendo?

Assisto bastante e é isso que tenho feito. O cenário não tem muito o que dizer. O tempo é o melhor cenário. Você fica em silêncio assistindo e deixa os leões se comerem e acontece. A melhor defesa é a realidade.

Você tem votado? Vai votar nesse paredão? Para quem está torcendo?

A minha torcida é a mesma. Eu nem sabendo das cosias que a gente vê daqui de fora, assim que eu saí eu declarei que minha torcida era Rafa, Gabizinha e Manu. Mas quem sempre esteve do meu lado é Babu e Prior, que eu tenho no coração também. Qualquer um desses cinco está ótimo.

Olhar Olímpico