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Técnico da seleção de esgrima morre com suspeita de coronavírus

Lorenzo Mion, Giacomo Guarnera, Gennady Miakotnykh, Henrique Marques e Pierre Souza (da esquerda para direita) - Arquivo pessoal
Lorenzo Mion, Giacomo Guarnera, Gennady Miakotnykh, Henrique Marques e Pierre Souza (da esquerda para direita) Imagem: Arquivo pessoal
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

25/03/2020 21h23

Considerado um dos principais treinadores da esgrima brasileira, o russo Gennady Miakotnykh morreu nesta quarta-feira (25) em São Paulo, aos 79 anos. Técnico da equipe do Pinheiros há cerca de 20 anos, ele estava com suspeita do novo coronavírus e passou mal esta manhã, em casa. Ele havia viajado por Itália, França e Estados Unidos nas últimas semanas.

Gennady retornou ao Brasil há cerca de 10 dias, depois que a etapa de Copa do Mundo que aconteceria em Los Angeles foi cancelada por conta da pandemia de coronavírus. Ontem (24), ele chegou a ligar para o plano de saúde para relatar que estava com os sintomas do coronavírus, de acordo com uma fonte próxima, mas recebeu a recomendação de que ficasse em casa.

Na manhã desta quarta-feira, segundo um de seus atletas, o quadro de saúde dele piorou e uma ambulância foi solicitada. Gennady foi levado ao Hospital São Luiz, mas não teria resistido, tendo falecido no caminho. O Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo pediu dois dias para determinar a causa da morte, mas tudo indica, segundo pessoas próximas, que ele foi vítima do Covid-19. O treinador já havia tido problemas cardíacos no passado.

Enquanto a família aguarda a liberação do corpo, ainda não se sabe, pelo que apurou o Olhar Olímpico, se Gennady poderá ser velado pelos muitos amigos que fez na esgrima brasileira. "Você foi um dos grandes responsáveis por eu ser apaixonado por esse esporte. Foram mais de 15 anos juntos, na sala de esgrima, em viagens, no fundo da pista. Conquistas, vitórias e derrotas. Mas independente do resultado, você sempre estava lá, fosse para me parabenizar e comemorar comigo, ou me dar uma lição e me fazer enxergar meus erros. Você me fez atleta e homem. Não sei como te agradecer. Espero que descanse em paz, meu querido amigo e técnico Gennady", postou no Instagram o esgrimista Henrique Marques.

O treinador de 79 anos era especializado no florete, arma utilizada por Henrique. Sua importância para a esgrima brasileira pôde ser medida na Rio-2016: seis membros da seleção naquele torneio foram formados por Gennady ou eram comandados por ele na ocasião: Bia Bulcão, Tais Rochel, Marques, Guilherme Melaragno, Nicolas Ferreira e Fernando Scavazin. Em sua última viagem internacional, acompanhou Bia Bulcão, outra atleta que treinou desde pequena, em treinamentos na Itália, na França e nos Estados Unidos.

Olhar Olímpico