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COB mantém eleição em 2020 e pode ter novo presidente na Olimpíada

Paulo Wanderley e Marco La Porta - Divulgação
Paulo Wanderley e Marco La Porta Imagem: Divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

25/03/2020 14h00

Os dirigentes esportivos brasileiros que comandaram a preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio não sabem se poderão comemorar as medalhas que vierem a ser conquistadas no ano que vem. Apesar de seu estatuto apontar que a eleição presidencial deve ocorrer depois da Olimpíada, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) já definiu que vai manter o pleito para o final de 2020, como planejado. O mesmo ocorre no Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), que terá eleição em março do ano que vem.

Todo o calendário eleitoral do COB é lastreado nos Jogos Olímpicos de Verão que, pela carta olímpica, só podem ser realizados nos anos pares, a cada quatro anos. "Para fins de elegibilidade, qualquer colaborador, empregado ou membro dos poderes do COB que pleiteie se candidatar a qualquer cargo eletivo no COB, deverá se afastar definitivamente de suas funções em até 120 dias corridos do início da realização dos Jogos Olímpicos de Verão para os cargos de Presidente, Vice-Presidente e demais membros eletivos do Conselho de Administração", diz trecho do artigo 23.

Acontece que esse prazo de 120 dias venceu ontem (24), mesmo dia que o COI anunciou o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio, o que em tese joga por terra essa regra. Candidato a presidente, o advogado Sami Arap Sobrinho, por exemplo, não deixou o Conselho de Ética e mantém sua candidatura. Outros prazos também estão lastreados nos Jogos, como o para inscrição de chapas - 30 dias depois do encerramento da Olimpíada.

A questão é que o mandato concedido em 2016 à chapa Carlos Arthur Nuzman/Paulo Wanderley Teixeira é de quatro anos e acaba no final de 2020. Se a eleição fosse adiada para 2021, após os Jogos, haveria uma vacância de poder. Isso aconteceu em 2017 na CBDA, de desportos aquáticos, quando houve adiamento da eleição pode decisão judicial. Como o mandato de Coaracy Nunes estava vencido, a Justiça indicou um interventor.

No COB não há interesse político de que isso ocorra. Tanto a gestão Paulo Wanderley quanto seus opositores declarados, Sami Arap e Alberto Murray, querem eleição em novembro de 2020, como planejado. Questionado pelo blog, o COB confirmou que a eleição "será de acordo com a data prevista anteriormente para o encerramento dos Jogos". Ou seja, preferencialmente em novembro.

Arap não se desincompatibilizou para poder concorrer, mas outras três pessoas renunciaram a seus cargos no COB: o advogado Alberto Murray (ex-presidente do Conselho de Ética), o presidente da CBBoxe, Mauro Silva, e o presidente da Confederação Brasileira de Tênis, Rafael Westrupp, ambos membros do Conselho de Administração.

Murray, que é candidato declarado a presidente, deverá ter Mauro Silva como seu vice, indicado pelas confederações que o apoiam. Já Westrupp, um dos mais jovens presidentes de confederação, que está em primeiro mandato, não deixou claro se pode fazer parte do grupo de Paulo Wanderley. A aposta é que ele deve avançar na sua carreira política no tênis internacional.

Olhar Olímpico