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Olimpíada: torcida compra 114 ingressos e prevê prejuízo com adiamento

Equipe do Brasil do revezamento 4x200m comemora com o sempre presente boneco dos Chapolins - Luis ROBAYO / AFP
Equipe do Brasil do revezamento 4x200m comemora com o sempre presente boneco dos Chapolins Imagem: Luis ROBAYO / AFP
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

25/03/2020 04h00

Com mais de 114 ingressos garantidos, a principal torcida organizada do esporte olímpico brasileiro - talvez única - apoia a decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) de adiar os Jogos de Tóquio de 2020 para 2021. Os Chapolins, presentes nas grandes competições desde 2011, já sabem que muito provavelmente terão prejuízos econômicos com a mudança de planos, depois de pagarem praticamente todas as contas adiantadas, mas acham que é melhor assim.

"A posição de todos no grupo era que todos eram favoráveis. No grupo temos médicos que se a situação estiver ruim vão ser proibidos de viajar, professores que tiveram as férias adiantadas, e pessoas autônomas que estão sendo prejudicadas. Todo mundo estava sendo prejudicado por essa paralisação", conta Gustavo Cardoso, um dos 15 Chapolins que viajariam para Tóquio.

O grupo tem uma organização complexa. O médico Rubens Tofolo Jr, criador da torcida e presidente da Associação Chapolins Torcedores Brasileiros, junta milhas viajando o mundo para palestras e congressos e doou mais de um milhão de milhas para a compra de passagens para 15 integrantes, incluindo ele e o companheiro, José Aviz Toutonge. Cardoso, que é agente de viagens, comprou as passagens e agora espera que as companhias aéreas não cobrem multas tão altas para alterar as datas.

O maior problema tende a ser a hospedagem. O grupo alugou um apartamento pelo Airbnb e, como sequer cogitava que a Olimpíada fosse adiada, aceitou um contrato que não previa cancelamento ou alteração de datas. "Agora a gente também vai começar a conversas sobre o adiamento. A gente vai ter que contar com o bom senso dos proprietários para isso. É uma reserva que não tinha possibilidade de cancelamento. Você pagou não tem como cancelar", explica.

O restante da programação continua, com a diferença que agora o grupo terá um pouco mais de tempo para confeccionar toda a parafernalha que os acompanha nas competições, desde uniforme (de Chapolim) até mascotes (bonecos de pelúcia do Chapolim), passando por pins (de Chapolim, também). "Já vamos deixar tudo preparado e ano que vem só aguardar a data mesmo. Vamos continuar mantendo a produção de bonecos", promete.

Apesar do prejuízo, os torcedores preferem que seja assim. "Vendo o lado positivo, que a gente tem que pensar do lado positivo, seria uma edição olímpica de enterro. Não teria clima nenhum. Não seriam Jogos felizes até por falta de preparação dos atletas. Olhando do lado da torcida, muita gente vai perder férias, vai perder dinheiro. Foi a melhor opção mesmo."

Olhar Olímpico