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Ranking faz seleção de vôlei se revoltar com CBV e time de Bernardinho

Bernardinho durante programa "Conversa com Bial"  - Reprodução
Bernardinho durante programa "Conversa com Bial" Imagem: Reprodução
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

13/03/2020 10h39

As principais jogadoras do vôlei brasileiro estão possessas com a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e com o Sesc-RJ, time comandado por Bernardinho. Ontem (12), depois de solicitação do Sesc e votação unânime dos clubes presentes, a CBV rejeitou os votos do São Paulo/Barueri (de Zé Roberto) e do Curitiba para manter o ingrato ranking de atletas, que fecha mercado para as melhores do país. Ao mesmo tempo, os clubes aprovaram (com voto contrário do Sesc) a aprovação do aumento no número de estrangeiras por time, de duas para três.

"Vou te contar, tem SITUAÇÕES e PESSOAS (grifos dela) que não me descem... A CBV, com base na 'pressão' de certos clubes, Rio e Bauru, cedeu e aceitou o argumento de ambos de não aceitar os votos dos dois clubes que votaram por e-mail? Triste a postura da CBV perante essa pressão. Todo mundo querendo fugir da pandemia coronavirus, ótimo, tragam o máximo de estrangeiras e nos obriguem a ir pra fora, nos obriguem a ter contato direto com esse terror que estão vivendo lá", desabafou Thaisa, do Minas, no Instagram.

Pela mesma rede social, diversas jogadoras fizeram o mesmo e também se posicionaram, criticando a postura da CBV e do clube de Bernardinho, que na reunião estava representando por Harry Bollmann, que tem cargo de supervisor - historicamente, é o ex-técnico da seleção quem dá as cartas na equipe, desde os tempos de Curitiba. O Sesc defende, desde sempre, a manutenção do ranking, repugnado por essas atletas.

Sheilla, também do Minas, citou mensagem de Gabi Guimarães em grupo de Whatsapp para explicar o cenário. "Vou exagerar um pouco, mas por exemplo você pode ter a (chinesa) Zhu, a (italiana) Egonu e a (sul-coreana) Kim no mesmo time! Mas você não pode ter 3 jogadoras da sua seleção no mesmo time". Depois atacou: "CBV, vocês e alguns clubes conseguem nos surpreender negativamente sempre. E Rio e Bauru, o que vocês fizeram para anular dois votos foi bem feio".

Marido de Jaqueline, que já foi prejudicada pelo ranking no passado e chegou a ficar sem clube, Murilo foi além e sugeriu um boicote. "Ridículo esse ranking, ridícula essa votação. CBV, queria ver o que vocês fariam se no ano Olímpico as atletas que estão no ranking pedissem dispensa".

Hoje no Osasco, Jaqueline se pronunciou depois. "Que falta de respeito com as atletas. É mais um ano sofrendo com o ranking e para piorar podem trazer o mundo e mandar embora as brasileiras. Fico indignada com essa Confederação Brasileira de Voleibol... todos esses anos é a mesma ladainha de sempre querendo aparecer e colocando a culpa nos outros."

Compartilhando uma foto com cara de brava, Fabiana Claudino ironizou. "Torcendo para o dólar disparar mesmo, ir pra 10. Só assim para nós, jogadoras de 7 pontos, termos lugar pra jogar no nosso próprio país. Incrível como a CBV e alguns clubes conseguem se superar e sempre piorar para as atletas. Liberaram três estrangeiras e mantiveram o ranking? Fora o absurdo que foi essa votação! Dois votos a nosso favor não foram computados!?!? É isso mesmo produção? Assim fica difícil, né CBV?"

Sempre influente, a ex-jogadora Ana Moser usou o Twitter para reclamar. "Desde quando eu jogava era assim. Depois de Atlanta íamos montar um time em São Paulo. Mas o mesmo grupo que agora puxou essa virada de mesa, teria influenciado a decisão para não nos deixar montar o time naquela temporada." Como de costume, jogadoras de ponta dos times que votaram a favor do ranking, Sesi/Bauru e Sesc-Rj, não se posicionaram publicamente. Na reunião, porém, a comissão de atletas foi representada por duas jogadoras do Sesc: Amanda e Renatinha.