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Armênio e deficiente visual dão novas vagas olímpicas ao Brasil

Eduard Soghomonyan - Arquivo Pessoal
Eduard Soghomonyan Imagem: Arquivo Pessoal
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

13/03/2020 16h00

O esporte mundial está quase parando, mas ainda não parou. Nesta sexta-feira, em Ottawa (Canadá), o armênio naturalizado brasileiro Eduard Soghomonyan conquistou a primeira vaga olímpica para o país no wrestling, pelo Pré-Olímpico das Américas. Em competição equivalente do taekwondo, encerrada ontem na Costa Rica, três dos quatro brasileiros que competiram conseguiram classificação para Tóquio. Mas em Baku, no Azerbaijão, a importante Copa do Mundo de Ginástica Artística foi paralisada no meio por causa do coronavírus.

No Canadá, Eduard assegurou a vaga em Tóquio ao chegar à final do Pré-Olímpico na luta greco-romana na categoria até 130kg. Também na luta greco-romana, na categoria até 67kg, Joilson Junior ficou a uma luta da vaga, mas perdeu para um colombiano por 9 a 0. A competição acontece sem público.

No Japão, Eduard disputará sua segunda Olimpíada, depois de estrear no Rio. O armênio chegou ao Brasil em 2012, depois de fazer amizade com membros da delegação brasileira que disputou os Jogos Pan-Armênios de um ano antes. Ele compete pelo Brasil desde 2015, ano em que foi medalhista de prata no Campeonato Pan-Americano.

O sábado é o dia mais importante do Pré-Olímpico, porque é quando serão realizadas as competições femininas, onde o Brasil é mais forte. Giullia Penalber (até 57 kg) e Lais Nunes (até 62 kg) são cabeças de chave. Aline Silva (até 76 kg), Kamila Barbosa (até 50 kg) e Dailane Reis (até 68 kg) também lutam. No domingo o Brasil terá três representantes no estilo livre, mas as chances são remotas. O país não vai aos Jogos nessa disciplina desde 2004.

Divulgação
Imagem: Divulgação

Taekwondo faz boa campanha

Dos quatro brasileiros que foram ao Pré-Olímpico das Américas da Costa Rica, três conquistaram vagas olímpicas. Diferente de outras modalidades, no taekwondo cada país pode ter apenas quatro atletas no total em Tóquio, mesmo havendo oito categorias, exceto se todos se classificarem pelo ranking mundial, entre os seis primeiros de suas subdivisões de peso. Como isso não aconteceu, o Brasil teve que escolher quatro lutadores para ir ao Pré-Olímpico, última chance de classificação.

Edival Pontes, o Netinho, abriu a competição na quarta-feira conquistando a vaga olímpica na categoria até 68kg. Mas, na quinta, ele viu a namorada dele, Talisca Reis, perder na semifinal para Victoria Stambaugh, de Porto Rico. Ela havia sido prata nos Jogos Pan-Ameicanos.

Os demais brasileiros que lutaram ontem tiveram melhor sorte. Ícaro Miguel, que só tem 10% da visão do olho direito e aguarda o fim do ciclo olímpico para passar por cirurgia, atropelou seu adversário na semifinal para garantir a vaga olímpica na categoria até 80kg. Já Milena Titoneli (até 67kg), ouro no Pan, fez 7 a 5 na cubana Acosta Herrera para ficar com a classificação para Tóquio. Netinho, Milena e Ícaro são considerados candidatos a medalha olímpica pelo COB.

Ginástica para no meio

Recuperada de uma cirurgia no joelho, Rebeca Andrade pretendia conseguir bons resultados nas etapas de Baku e Doha da Copa do Mundo de Ginástica Artística para conseguir vaga na Olimpíada pelo ranking. A Federação Internacional de Ginástica (FIG), porém, cancelou a competição no Qatar, mas manteve a do Azebaijão, que começou na quarta e deveria terminar no sábado. Nesta sexta, porém, veio a decisão de cancelá-la antes das finais.

Em nota, os organizadores da competição alegaram que o governo do Azerbaijão não tem vacinas contra o coronavírus no país e que, por isso, o torneio teria que ser cancelado. Rebeca estava nas finais das paralelas e da trave, enquanto Arthur Zanetti faria final nas argolas. Flávia Saraiva sentiu um desconforto e, já em Baku, decidiu não participar das eliminatórias.

Olhar Olímpico