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Nike adapta tênis proibido e promete revolução na Olimpíada

Eliud Kipchoge completa maratona não-oficial em Viena (Áustria) com a marca de 1h59min40s, a melhor da história da prova - Guo Chen/Xinhua
Eliud Kipchoge completa maratona não-oficial em Viena (Áustria) com a marca de 1h59min40s, a melhor da história da prova Imagem: Guo Chen/Xinhua
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

07/02/2020 04h00

Os Jogos Olímpicos de Tóquio poderão ter uma enxurrada de recordes nas provas de fundo do atletismo. A Nike anunciou que vai iniciar em breve a venda do Alphafly NEXT%, terceira geração dos tênis que estão revolucionando as corridas de longa distâncias. Foi com um protótipo do Alphafly que o queniano Eliud Kipchoge se tornou o primeiro homem a correr uma maratona em menos de duas horas.

A discussão sobre modelos de tênis utilizados por atletas sempre foi restrita a marcas e especialistas, mas ela ganhou importância para o grande público desde que a Nike lançou a linha Varpofly, que tem placa de fibra de carbono por toda a extensão do calçado e uma espuma leve. Atletas com esse tipo de tênis nos pés passaram a correr até 4% mais rápido, o que significa uma enormidade de tempo em provas de alto-rendimento, onde cada detalhe importa.

Nike Alphafly NEXT%

Começou então uma ampla discussão sobre a existência de um doping tecnológico, uma vez que o calçado, como uma droga, oferecia ganho de performance. No início da semana, a World Athletics (antiga IAAF), a federação internacional de atletismo, divulgou conclusões de seu estudo e negou existir o tal doping tecnológico. Mas impôs regras para que todos os atletas compitam em iguais condições.

Além disso, impôs limites. O solado do tênis não pode ultrapassar 40mm, o que tornaria proibido o Alphafly NEXT%, cujo protótipo tinha 50mm. A Nike, porém, resolveu adaptar o novo tênis às regras impostas pela World Athletics e anunciou, em uma feira em Nova York, que vai comercializar o Alphafly com solado dentro do padrão exigido.

As vendas devem começar no primeiro semestre, atendendo também determinação de que nenhum calçado poderá ser utilizado em competição antes de ser comercializado durante quatro meses. Com isso, os corredores patrocinados pela Nike, como Kipchoge, e também quem optar por comprar o produto, poderá utilizar o Alphafly NEXT% em Tóquio - ou em Sapporo, para onde, por causa do calor, foram transferidas as maratonas masculina e feminina.

No ano passado, dos 36 atletas que chegaram nas três primeiras colocações das principais maratonas do mundo, as chamadas Majors, 31 estavam utilizando calçados dessa nova linha da Nike. Também no ano passado, com um tênis dessa linha, a queniana Brigid Kosgei destroçou o antigo recorde mundial feminino da maratona

Olhar Olímpico