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Sonho de ouro olímpico vai obrigar Ítalo Ferreira a emagrecer

Ítalo Ferreira após vencer o Quiksilver Pro Gold Coast na Austrália - Chris Hyde/Getty Images
Ítalo Ferreira após vencer o Quiksilver Pro Gold Coast na Austrália Imagem: Chris Hyde/Getty Images
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

06/02/2020 17h19

O sonho de conquistar uma medalha olímpica, a primeira da história do surfe, vai obrigar Ítalo Ferreira a fazer sacrifícios. Nas semanas antes dos Jogos de Tóquio, o surfista potiguar, atual campeão do circuito mundial, terá que perder pelo menos dois quilos. Tudo para se dar bem nas ondas pequenas da Baía de Chiba, onde serão disputadas as provas olímpicas do surfe.

"Quando começar a chegar perto da Olimpíada, pode ser que eu tenha que baixar um pouco meu peso para eu ter um pouco mais de velocidade nas ondas para fazer manobras em um curto espaço. Quando tiver um pouco mais próximo, eu vou ter que baixar um pouco meu peso, ganhar mais velocidade e testar algumas pranchas que podem ser melhor nesse tipo de onda, mais leves, pranchas e que você consegue executar manobras um pouco mais rápidas", contou Ítalo, em entrevista a veículos brasileiros promovida pelo Prêmio Laureus nesta quinta-feira (6).

Um dos indicados ao prêmio de atleta radical do ano, em cerimônia que vai acontecer na segunda-feira da semana que vem, dia 17, em Berlim, o potiguar compete pela primeira vez na temporada apenas em março, mas já está em treinando em nível pesado. Normalmente nesta fase o peso corporal chega no teto. Ao longo do ano, o surfista vai controlando a balança e, em Tóquio, a expectativa é estar pesando 68kg.

"Quando eu atinjo minha alta performance em uma competição normal, eu fico com 70kg, no máximo 71kg, dependendo de algumas ondas. No circuito a variação de ondas é muito grande e dependendo eu ganho um pouco mais de massa. Quando é ondas que precisam de uma alta performance, eu tento baixar um pouco. Na Olimpíada vou ter que baixar para 68kg, que eu acho que vou ficar um pouco mais leve e bem mais rápido", explica.

Baixar peso e ficar mais veloz é fundamental para a Olimpíada de Tóquio porque a Baía de Chiba costuma ter ondas pequenas. Por isso, vai se destacar quem, num curto espaço, conseguir fazer manobras de forma mais rápida. Em ondas maiores, a margem para demonstrar a técnica de cada surfista é maior. Isso também significa que, nos Jogos, a chance de uma zebra é maior.

"Você conta com a sorte, fica dependendo do posicionamento dos adversários, das bancadas que mudam bastante. Pode ser que realmente tenha que contar com a sorte. Na maioria das vezes não é tão legal, mas vai muito pelo momento das ondas que vai estar, pode ser que tenha altas ondas, ou não. Quando não tem onda é um pouco mais difícil mostrar seu potencial, surfar num alto nível. As ondas pequenas na maioria das vezes pode ser que estejam perfeitas e aí continua rendendo boa performance, mas se tiver muito vento fica mais difícil."

Na análise de Ítalo, os surfistas japoneses, da casa, levam vantagem por serem menores. Mesmo assim, diz ele, os brasileiros (ele e Gabriel Medina) também podem ser beneficiados. "A gente competiu nesse tipo de onda por muito tempo quando foi amador, então a gente tem uma experiência e pode ser que funcione na Olimpíada."

Olhar Olímpico