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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Avaliação: Honda Africa Twin 1100 evolui e quer incomodar BMW GS; assista

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Arthur Caldeira

Arthur Caldeira, jornalista e motociclista (necessariamente nessa ordem) fundador da Agência INFOMOTO. Mesmo cansado de ouvir que é "louco", anda de moto todos os dias no caótico trânsito de São Paulo.

Colunista do UOL

07/08/2021 04h00

A nova geração da Honda Africa Twin passou por um "banho de loja": ganhou motor maior e mais potente, diversas tecnologias e itens de conforto para viajar. A principal novidade já aparece no nome: CRF 1100 L, revelando o motor maior, que passou de 1.000 cc para 1.100 cc.

Com exatos 1.084 cm³ de capacidade, o bicilíndrico entrega melhor desempenho e respostas mais rápidas ao acelerador. A potência máxima passou de 88 cv para quase 100 cv (99,3 cv a 7.500 rpm). O torque também cresceu de 9,5 kgf.m para 10,5 kgf.m a 6.000 giros. Na prática, o motor ronca mais alto e demonstra mais fôlego em retomadas e acelerações.

Além do motor de maior capacidade, a Honda adotou novas tecnologias e agregou equipamentos antes inexistentes na Africa Twin, como sensor de medição inercial de seis eixos, Cruise Control (piloto automático), aquecedor de manoplas e painel multimídia, com Android Auto e Apple CarPlay - um diferencial perante as concorrentes.

Africa Twin 1100 2021 - Divulgação - Divulgação
Honda Africa Twin CRF 1100L passou por "banho de loja" e ganhou mais conforto e tecnologia para viajar
Imagem: Divulgação

A versão topo de linha, Adventure Sports, ganhou até mesmo suspensões eletrônicas, além de faróis direcionais e rodas raiadas, que permitem o uso de pneus sem câmara, uma antiga demanda dos consumidores do modelo. E ainda decidiu trazer para o nosso mercado as versões com câmbio DCT, de dupla embreagem.

Evoluções e mudanças que tinham como objetivo convencer os consumidores a trocarem bigtrails consagradas, como a BMW R 1250 GS, pelo modelo da Honda. As críticas às gerações anteriores da Africa Twin iam da pouca potência do motor à falta de manoplas aquecidas, um painel mais elaborado e pouca tecnologia embarcada.

Adventure Sports ES DCT

Já que o objetivo da Honda era tornar a Africa Twin mais confortável e sofisticada para longas viagens, optei por avaliar a versão Adventure Sports com câmbio DCT. Topo de linha, é vendida por R$ 97.490 apenas na cor branca, com grafismos em azul e vermelho.

Africa Twin 1100 Adventure Sports DCT  - Divulgação - Divulgação
Modelo Adventure Sports ES DCT 2021 tem preço sugerido de R$ 97.490 e traz tudo o que a bigtrail japonesa pode oferecer
Imagem: Divulgação

Além do tanque de maior capacidade, a versão Adventure Sports se diferencia pelo para-brisa mais alto e ajustável e também pelo conjunto óptico, que traz seis LEDs direcionais abaixo dos dois faróis principais. O sistema acompanha a inclinação da moto em curvas, iluminando melhor e aumentando a segurança da pilotagem noturna.

Tanta eletrônica e autonomia cobram um preço na balança. Com câmbio DCT, a versão Adventure Sports pesa 225 kg a seco, porém apenas 1 kg mais pesada que a anterior com transmissão manual. Deve atingir quase 250 kg em ordem de marcha, com 24,8 litros de gasolina, bateria e fluídos, um número alto para uma moto aventureira, mas condizente com as concorrentes.

A boa notícia, para os mais baixinhos, é que os dois modelos atuais - Africa Twin standard e Adv Sports - têm o assento a 87 cm do solo - na geração anterior a Adv Sports tinha o banco a inatingíveis 92 cm.

Do alto dos meus 1,71 m, subo com mais facilidade na moto e consigo encostar um dos pés no chão, ou a ponta dos dois. A tela de 6,5 polegadas espelha o smartphone e mostra o Google Maps. O percurso de 140 km até o primeiro destino do teste mescla rodovias de pista larga, vias secundárias de mão dupla e estradas de terra.

Enquanto os termômetros marcavam cerca de 10°C, selecionei o modo de pilotagem Tour (turismo), escolhi apenas piloto no acerto eletrônico da pré-carga da suspensão e acionei o aquecedor de manoplas para encarar a fria manhã de inverno na estrada. Vale ressaltar que a navegação e os controles no punho esquerdo são complicados de operar e levei alguns minutos, antes de partir.

Adv Sports 2 - Divulgação - Divulgação
Adventure Sports traz suspensões eletrônicas, pneus sem câmara e até faróis direcionais; assento ficou mais baixo no modelo 2021
Imagem: Divulgação

No primeiro trecho, na rodovia Carvalho Pinto, o novo motor demonstra que ronca mais alto, mesmo com o escapamento original, e proporciona uma resposta mais rápida ao acelerador. Bastava girar com vontade, para o câmbio DCT reduzir uma marcha de forma imperceptível, os giros crescerem e a velocidade ultrapassar com facilidade o limite de 120 km/h da via. Nem era preciso reduzir as marchas por meio do joystick no punho esquerdo.

A maneabilidade da Africa Twin foi aprimorada, com as novas suspensões e chassi. Em rodovias de alta velocidade, o conjunto se mostra estável, mas também tem agilidade para contornar as curvas das estradinhas da região de Mogi das Cruzes (SP). Mas é na terra que a bigtrail da Honda se diferencia das outras. Demonstra a agilidade e facilidade de pilotagem de motos trail menores.

Com o bem-vindo auxílio da eletrônica de última geração, a Africa Twin facilita a vida de quem não está acostumado a acelerar em estradas de terra. O controle de tração evita a derrapagem da roda traseira e os freios ABS dão conta de parar a moto aventureira sem que a roda patine.

A arquitetura do chassi, inspirada nas CRFs, as motos de motocross da marca, assim como o motor também ajudam o motociclista a se aventurar pelos "maus caminhos".

Páreo para a GS?

Apesar dos mimos e de toda a nova tecnologia embarcada, a Africa Twin não perdeu seu DNA fora-de-estrada. A Honda conseguiu agregar diversos equipamentos, relevantes para quem faz longas viagens, como o cruise control, o aquecedor de manoplas, os pneus sem câmara e a conectividade, sem abrir mão da versatilidade que uma bigtrail deve oferecer.

Adventure Sports 1.100 2021 - Divulgação - Divulgação
Com câmbio convencional (manual), Honda Africa Twin 1100 Adventure Sports sai por R$ 90.490
Imagem: Divulgação

No quesito conforto, a Africa Twin ainda peca pelo assento com uma espuma dura demais para longas viagens, como percebi ao fim do dia, após rodar mais de 200 km, mas conseguiu se equivaler às concorrentes em termos de tecnologia e equipamentos.

Mas uma vantagem da bigtrail da Honda é o preço. Apesar de ser elevado, o valor de R$ 97.490 para a versão com câmbio DCT é menor do que os R$ 117.500 cobrados pela BMW R 1250 GS Adventure, concorrente direta da versão Adventure Sports. Se o motociclista optar pela transmissão convencional, o valor da Africa Twin Adventure Sports cai para R$ 90.490, ainda mais competitivo.