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Avaliação: Câmbio DCT da Honda diverte e traz menos distração ao guidão

Arthur Caldeira

Arthur Caldeira, jornalista e motociclista (necessariamente nessa ordem) fundador da Agência INFOMOTO. Mesmo cansado de ouvir que é "louco", anda de moto todos os dias no caótico trânsito de São Paulo.

Colunista do UOL

20/12/2020 04h00

A Honda faz mais uma aposta no sucesso do câmbio DCT no Brasil. Recentemente, anunciou que a Honda Africa Twin de 1.100 cc vai chegar em 2021, com a opção da transmissão de dupla embreagem (Dual Clutch Transmission, daí a sigla DCT).

Criado há dez anos, o câmbio DCT estreou na sport-touring VFR 1200F. De lá para cá, evoluiu bastante. As trocas feitas de forma automática ficaram mais rápidas e imperceptíveis. A "inteligência" do software aproximou-se da pilotagem mais esportiva, ajudada pelo aumento na velocidade do processador e por diversos sensores eletrônicos, como a unidade de medição inercial (IMU).

O DCT conquistou motociclistas na Europa. Por lá, 45% das vendas da Africa Twin são de modelos equipados com a transmissão exclusiva da marca japonesa. O sistema é o mesmo utilizado no esportivo Honda NSX.

africa twin - Divulgação - Divulgação
Honda Africa Twin 1100 chega em 2021 com opção do câmbio de dupla embreagem
Imagem: Divulgação

Atualmente, a Gold Wing GL 1800 Tour e a scooter X-ADV são os únicos modelos da Honda equipados com câmbio DCT à venda no Brasil. Além da Africa Twin, outros modelos, como a NC 750X, podem ganhar a tecnologia futuramente. Ao menos, esse parece ser o plano da Honda no mercado nacional.

Como funciona

Internamente é igual a um câmbio manual. Tem embreagens, garfos acionadores e seis velocidades, no caso da Africa Twin. A diferença são as duas embreagens acionadas eletronicamente - no lugar do manete há um freio de estacionamento, já que é impossível deixar a moto engatada.

Há duas embreagens para que as mudanças aconteçam em milissegundos. Uma faz as trocas das marchas ímpares (1ª, 3ª e 5ª) e a outra, das marchas pares (2ª, 4ª e 6ª). As trocas acabam sendo quase imperceptíveis e, segundo a Honda, mais precisas do que qualquer piloto faria.

dct - Divulgação - Divulgação
Internamente, o câmbio DCT assemelha-se ao manual, mas existem duas embreagens que são acionadas eletronicamente
Imagem: Divulgação

Sensores enviam informações à central eletrônica da moto que "opta" pelo melhor momento para subir ou reduzir uma marcha. A Africa Twin oferece, além do "Drive", três mapas "Sport", que proporcionam trocas mais tardias e em giros mais altos. Há ainda o botão "G", indicado para o uso no fora-de-estrada.

Com o "G" acionado, o sensor de medição inercial detecta a inclinação da moto. O câmbio, então, mantém ou reduz a marcha de acordo com a situação - se for uma descida muito íngreme, por exemplo, não deixa subir para a segunda marcha, mesmo que o giro do motor cresça. Permitindo, dessa forma, manter o controle de moto.

Como é pilotar

Já rodei com a nova Africa Twin 1.100 com DCT, nas estradas da Itália, mas no vídeo acima pude avaliar o DCT na atual geração da bigtrail, de 1.000 cc. A unidade era destinada ao mercado chileno, pois a Honda não vende essa versão por aqui.

AT DCT descendo - Divulgação - Divulgação
Mais inteligente, atual câmbio DCT tem função "off-road" que detecta inclinação e mantém primeira marcha em descida
Imagem: Divulgação

Para "engatar" a primeira marcha e sair com a moto, há um botão no punho direito com as letras "N", de neutro, "D" de Drive e "S" Sport. Basta apertar o "D" e partir. As trocas automáticas não dão trancos e são quase imperceptíveis. Quando se nota, já está em quarta ou quinta marcha.

Mas são as manobras de baixa velocidade, como um zigue-zague no trânsito ou para parar em um semáforo, que demonstram como o DCT facilita a vida do motociclista. Não é preciso escolher a marcha certa e nem ficar acionando a embreagem, para evitar que a moto "morra". Basta controlar a aceleração e o freio traseiro, que o câmbio DCT se preocupa com o resto.

Na terra, com o tal botão "G" acionado, o desempenho do câmbio também surpreende. Não deixa a moto ficar tão solta, nas descidas, e responde bem para derrapagens controladas e até subir uma escada.

Manual ou DCT?

Não tive a oportunidade de rodar por muito tempo na terra, e nem pegar um estradão de chão batido em velocidades mais altas. Mas em manobras, confesso que foi menos cansativo do que com o tradicional pedal de câmbio e embreagem - veja o vídeo.

Africa Twin com DCT - Divulgação - Divulgação
Em baixa velocidade, câmbio DCT cansa menos do que ficar "queimando" embreagem
Imagem: Divulgação

Imagine quantas trocas de marchas um motociclista não faz durante um dia, ao rodar 500 km? Em uma longa viagem, pode significar menos cansaço e mais disposição para curtir a paisagem e a aventura. Isso sem pensar nos que viajam com garupa, naquele para e anda das cidadezinhas e vilarejos por aí.

Talvez não agrade os fãs mais radicais do off-road, mas a aposta da Honda é que o DCT atraia novos consumidores e ofereça uma experiência diferente aos mais veteranos ao guidão.

Africa Twin DCT ponte de madeira - Divulgação - Divulgação
Câmbio de dupla embreagem libera motociclista para se concentrar na aceleração, frenagem e nas curvas
Imagem: Divulgação

Sem precisar se preocupar em trocar marchas, ou ainda com a opção de fazer as trocas de forma manual, por meio de botões no punho esquerdo, o piloto pode se concentrar mais na dosagem do acelerador, na frenagem e na trajetória. Pilotando, portanto, com mais segurança.

"O mais importante para mim é a quantidade de 'largura de banda' do cérebro que o DCT libera para usar no que é mais agradável em pilotar - fazer curvas, procurar a trajetória certa", afirma Dan Arai, o engenheiro japonês que lidera o desenvolvimento do câmbio DCT na Honda desde a sua criação em 2010.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.