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Bloco do Manguebeat desfila nas ruas de Olinda com foliões cobertos de lama

André Soares

Colaboração para o UOL

22/02/2020 12h40

Se fosse vivo, Chico Science completaria 56 anos em 2020. E, para homenagear um dos mais notórios cidadãos pernambucanos, há 25 anos, um pequeno grupo com uma dezena de brincantes e meio balde argila, subia e descia as ladeiras de Olinda. Isso aconteceu um ano antes do falecimento do cantor que nunca viu o bloco sair. Hoje, são necessários 700 quilos da matéria-prima que são distribuídos gratuitamente com apoio de contribuintes através das redes sociais para manter viva a tradição.

Com o tempo nublado, mas com a temperatura típica pernambucana, a parte externa do Mosteiro de São Bento já começava a receber os foliões a partir das 8h. Quando o relógio bateu 9h, uma multidão já se concentrava com uma trilha sonora que não poderia ser diferente: clássicos de Chico Science e Nação Zumbi se revezavam com músicas de bandas artistas pernambucanos, como Eddie, Otto e China.

Três amigos da capital maranhense já aguardavam ansiosamente a chegada da lama. "Já faz quatro anos que venho do Maranhão pra curtir Olinda. Antes alugávamos um ônibus, mas hoje resolvemos ficar por aqui para não perder a saída do bloco e a concentração", esclarece Bethoven Rabelo.

Fundação

Jorge Percilio não estava na primeira geração que fundou o bloco, mas no ano seguinte já assumia a folia e, há 24 anos, participa da organização. Segundo ele, tudo nasceu de uma ideia despretensiosa. Fernando Viana, que trouxe meio balde argila da praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, para Olinda, começou a brincadeira.

"Os oito originais pegaram uma tábua de compensado, escreveram Mangue Beat e saíram gritando nas ruas: sou mangueboy", lembra o organizador, e ainda recorda que grande parte das pessoas que hoje estão no bloco, não eram nem nascidas.

De menos de uma dezena, o bloco atualmente recebe cerca de 5 mil brincantes melados de lama nas ladeiras de Olinda. O percurso segue do Mosteiro de São Bento até a Praia dos Milagres, onde o banho de mar é gratuito para lavar o corpo e continuar o Carnaval.

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