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Em julgamento, Manvailer pede perdão à família e diz que não matou Tatiane

Luis Felipe Manvailer, acusado de feminicídio e fraude processual no caso da morte de Tatiane Spitzner - Reprodução/Instagram
Luis Felipe Manvailer, acusado de feminicídio e fraude processual no caso da morte de Tatiane Spitzner Imagem: Reprodução/Instagram

Lorena Pelanda

Colaboração para Universa

09/05/2021 15h32

Durante o interrogatório no julgamento ao qual responde pelo assassinato da mulher, a advogada Tatiane Spitzer, o biólogo Luis Felipe Manvailer pediu perdão à família da esposa, aos próprios parentes e a todas as mulheres pelas cenas de agressão registradas pelas câmeras do prédio em que morava com Tatiane, em Guarapuava, no Paraná. No entanto, Manvailer segue negando que a tenha matado, na noite de 22 de julho de 2018

O interrogatório começou na tarde deste domingo (09), em Guarapuava. Esse foi o primeiro depoimento do réu desde o início do júri popular, na terça-feira (04). Manvailer é acusado pela morte e por ter atirado o corpo de Tatiane da varanda do apartamento, no quarto andar.

Segundo o réu, a discussão que terminou com a morte da advogada teria começado momentos antes de uma festa para comemorar seu aniversário. O biólogo afirmou que Tatiane começou a "pegar no pé e a encher o saco, perguntando se ele iria convidar algumas alunas". Manvailer alegou ainda que, durante a festa, Tatiane, com ciúmes, queria ver as mensagens no celular dele.

Na chegada ao prédio em que moravam, o acusado relatou que, mais uma vez, a mulher insistiu em pegar seu celular e que estava irritada. Foi nesse momento, de acordo com a versão dele, que as agressões contra Tatiane começaram.

A discussão continuou no estacionamento e no elevador, como mostram imagens de câmeras de segurança do prédio do casal. Ao subir até o quarto andar, Manvailer contou ao juiz que a esposa foi até a sacada "fazendo escândalo" e depois tentou sair do apartamento. Ele afirmou ter trancado a porta e, mais uma vez Tatiane foi até a varanda. Neste momento, Manvailer relatou ao juiz que a mulher subiu na sacada e ficou com uma perna para o lado de fora e que, ao tentar tirá-la dali, a esposa caiu. O biólogo então desceu até a rua e levou o corpo da mulher de volta para o apartamento.

"A essa altura do campeonato estava completamente fora de mim. Lembro que tirei a camiseta, acho que fui até o banheiro para me livrar do sangue, peguei outra camiseta e voltei pra sala. Vinha aquela imagem, parecia que fazia um zoom, e a Tatiane, meu Deus do céu, ela está ali [morta]", explicou Manvailer ao juiz.

O biólogo tentou fugir de carro e, durante o percurso, ele disse que estava desnorteado e, ao ultrapassar uma carreta, bateu o veículo. Momentos depois, foi preso pela polícia em uma rodovia de São Miguel do Iguaçu (PR), a aproximadamente 340 quilômetros do local do crime.

Manvailer confirma que brigas eram frequentes

Manvailer confirmou ainda que as brigas eram frequentes - como mostraram as mais de 10 mil mensagens apresentadas pelo advogado da acusação - e que o casal cogitou a se separar. O réu também disponibilizou a senha do celular para os jurados. Até então, o aparelho estava bloqueado e a justiça não tinha acesso ao conteúdo das mensagens.

O réu afirmou que nunca havia agredido Tatiane antes da noite da morte da mulher e que por ser um atleta de jiu-jitsu nunca machucou ninguém. "Eu perdi a mulher da minha vida. Com todos os seus erros, seus charmes e suas manhas. Eu a amo ainda", declarou.

O advogado da família de Tatiane, Gustavo Scandelari reforça que, mesmo o acusado negando, há muitas provas que comprovam o crime. "A última vez que foi ouvido, ele optou em ficar em silêncio e não respondeu as perguntas da acusação. Ele apenas respondeu as questões da defesa, mantendo a versão de que Tatiane se suicidou. Seguimos firmes e com a convicção de que ele será condenado com uma pena alta".

A sessão deste domingo estava prevista para começar às 10 horas. Antes de ser interrogado, Manvailer se reuniu com os advogados por mais de uma hora. O julgamento foi retomado por volta das 14h e, por enquanto, não tem hora para acabar.

Encerrado o interrogatório de Manvailer, devem começar os debates. A próxima etapa é a votação secreta pelo Conselho de Sentença. E, por fim, a leitura do veredito.

Entenda o caso

  • Tatiane Spitzner morreu em julho de 2018, em Guarapuava (PR). Foi encontrada após cair do 4° andar do prédio;
  • Luis Felipe Manvailer é acusado de ter matado Tatiane por enforcamento e jogado seu corpo da sacada do edifício. Câmeras registraram o acusado agredindo Tatiane no elevador, recolhendo o corpo dela na calçada e, por fim, limpando as marcas de sangue;
  • A acusação defende que Tatiane foi jogada. A defesa afirma, agora, que ela se acidentou;
  • Depois de três julgamentos adiados, o júri popular de Manvailer começou na terça-feira (4) e deve acabar no domingo (9). Manvailer responde pelos crimes de homicídio (com as qualificadoras de motivo fútil; mediante asfixia e e meio cruel; e feminicídio) e fraude processual.