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Tatiane Spitzner: começa 2º dia do júri popular do caso de feminicídio

A advogada Tatiane Spitzner e o acusado Luís Felipe Manvailer - Reprodução/Facebook
A advogada Tatiane Spitzner e o acusado Luís Felipe Manvailer Imagem: Reprodução/Facebook

Nathália Geraldo

De Universa

05/05/2021 11h16Atualizada em 05/05/2021 17h45

Resumo da notícia

  • Tatiane Spitzner morreu em julho de 2018; em Guarapuava (PR). Foi encontrada após cair do 4° andar do prédio
  • Luis Felipe Manvailer é acusado de ter matado Tatiane por enforcamento e jogado seu corpo da sacada do prédio.
  • Câmeras registraram o acusado agredindo Tatiane no elevador, recolhendo o corpo dela na calçada e, por fim, limpando as marcas de sangue.
  • A acusão defende que Tatiane foi jogada; a defesa afirma que ela tinha um quadro depressivo e que se jogou.
  • Depois de três julgamentos adiados, o júri popular de Manvailer começou na terça-feira (4) e deve durar de 2 a 3 dias.
  • Ele responde pelos crimes de homicídio (com as qualificadoras de motivo fútil; mediante asfixia e meio cruel; e feminicídio) e fraude processual.

Começou nesta quarta-feira (5) o segundo dia do julgamento de Luis Felipe Manvailer pelo caso de Tatiane Spitzner, morta em julho de 2018. Único réu, o então marido da vítima está sendo julgado em Guarupuava (PR), cidade em que o crime ocorreu. O julgamento deve durar mais dois dias.

Na terça-feira, foi sorteado o júri popular no início da sessão, inteiramente composto por sete homens, e foram ouvidas duas testemunhas das 17 que estão previstas para o caso: o delegado da Polícia Civil responsável pelo inquérito que investigou a morte de Tatiane, Bruno Miranda Maciozek, e uma testemunha da acusação. Nesta manhã, foi ouvido um vizinho do então casal Manvailer e Tatiane, e à tarde, o perito do IML que assinou o laudo com a causa da morte da vítima.

Manvailer responde à acusação de homicídio qualificado (com as qualificadoras de motivo fútil; mediante asfixia e meio cruel; e feminicídio) e fraude processual (por ter removido o corpo da vítima do local da queda e limpado vestígios de sangue deixado no elevador). No primeiro crime, um dos qualificadores é o feminicídio, por envolver violência doméstica contra mulher, de acordo com o Ministério Público. As penas para os crimes são, respectivamente, de 12 a 30 anos e de seis meses a quatro anos.

A defesa nega que ele tenha cometido qualquer crime e afirma que Tatiane apresentava um quadro depressivo e teria se suicidado. Em entrevista para Universa, nesta quarta, no entanto, Claudio Dalledone Jr., um dos advogados de Manvailer, disse que Tatiane "se acidentou quando utilizava uma estratégia emocional para conseguir o conteúdo do telefone de Luis Felipe Manvailer".

Caso Tatiane Spitzner: acusações e adiamentos

No primeiro dia do júri, foram ouvidas duas testemunhas para o caso: o delegado que conduziu o inquérito e a vizinha de porta do então casal Tatiane e Manvailer. Nesta quarta, as testemunhas convocadas para a sessão foram o vizinho de porta e o perito do IML que foi um dos responsáveis por assinar o laudo da causa da morte de Tatiane como asfixia mecânica. A defesa contesta a causa e afirma que se deu por politraumatismo após a queda.

Para o advogado e assistente de acusação Gustavo Scandelari, representante da família Spitzner, o primeiro dia não teve "nenhuma surpresa" e foi marcado por lentidão. "Foram apenas duas testemunhas. Isso é surpreendente porque houve um excesso de perguntas por parte da defesa. Fora isso, nada de inesperado. A prova produzida, a prova oral, é muito favorável à acusação", disse.

Dalledone disse que as testemunhas indicadas pela acusação no primeiro dia serviram para "provar pontos importantíssimos para a defesa". "Um deles foi a informação de quem ligou para a Polícia Militar e disse que foi um suicídio. Ela desapareceu. Os áudios do Copom [Centro de Operações da Polícia Militar] desapareceram e o nome foi alterado como Anônimo".

Manvailer é acusado pelo Ministério Público do Paraná de ter matado Tatiane por esganadura e, depois, de ter jogado seu corpo da sacada do prédio onde viviam. Câmeras de segurança ainda registraram que, antes de ela morrer, foi perseguida por ele no estacionamento do local e que foi vítima de agressões e chutes. O caso ganhou repercussão quando as imagens foram amplamente divulgadas:

Antes desse julgamento, foram três audiências canceladas. No último adiamento, em 10 de fevereiro, a defesa do réu abandonou o júri pouco depois do início do julgamento, depois de ter alegado cerceamento do trabalho após ser proibida de usar material que estava nos autos do processo.

O juiz definiu como "abandono injustificado" e aplicou multa de cem salários mínimos (ou R$ 110 mil) aos advogados. A multa foi cassada em 29 de abril pelo Tribunal de Justiça do Paraná. Antes, o cancelamento se deu em dezembro porque um advogado da defesa contraiu covid-19 e, em janeiro, por conflito de agendas, também a pedido da defesa.

Para Universa, na ocasião, o advogado e assistente de acusação Gustavo Scandelari apontou que a intenção era de "protelar o julgamento pelo receito da condenação". Claudio Dalledone Jr. disse para Universa que a afirmação de adiar deliberadamente o julgamento não procede e que era uma "estratégia para criar um ânimo acalorado e impedir um julgamento adequado".