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Para defesa de Manvailer, lesão em queda teria causado a morte de Tatiane

Luis Felipe Manvailer, durante audiência em julho de 2018 - Divulgação
Luis Felipe Manvailer, durante audiência em julho de 2018 Imagem: Divulgação

Lorena Pelanda

Colaboração para Universa, em Curitiba

09/05/2021 00h15

Dois especialistas em inteligência e medicina pericial foram ouvidos neste sábado (8) no julgamento do biólogo Luis Felipe Manvailer, acusado de matar e atirar o corpo da mulher, a advogada Tatiane Sptizer, do quarto andar do prédio em que o casal morava, em Guarapuava, no Paraná. O crime aconteceu em 22 de julho de 2018.

Os dois profissionais foram contratados pela defesa de Manvailer, que tem reforçado a versão de que Tatiane teria se jogado da varanda do apartamento. O especialista pericial Leocádio Casanova apresentou os resultados de uma simulação da queda da vítima feita com um boneco. Segundo ele, a advogada, obrigatoriamente, teve algum impulso pois seu corpo teria caído a uma distância de três metros da calçada.

O professor e médico legista Luiz Airton Saavedra de Paiva, que é mais um assistente contratado pela defesa do biólogo, apresentou uma tese na qual Tatiane teria morrido por múltiplas lesões causadas após a queda e que o hematoma que aparece no osso hioide (que fica perto do pescoço) não é exclusivo de uma esganadura - o que teria matado Tatiane. O médico legista declarou que "acidentes de carro e quedas, por exemplo, podem ocasionar fraturas semelhantes, já que o hioide é frágil".

Ao ser questionado pela Promotoria, Saavedra confirma que houve esganadura, mas que não é possível afirmar que foi isso que causou a morte de Tatiane. O médico apontou falhas nos laudos do IML e disse que são de baixa confiabilidade.

Vizinha declarou que ouviu gritos de Tatiane durante a queda

Neste sábado de julgamento, o depoimento de uma vizinha foi usado pela defesa de Manvailer para afirmar que Tatiane estava viva no momento da queda do quarto andar do prédio. Uma moradora do primeiro andar declarou que ouviu o grito de uma mulher caindo, que abriu a cortina minutos depois para ver o que tinha acontecido. Foi neste momento que encontrou uma pulseira na sacada - que seria de Tatiane. Ao olhar para a calçada, a moradora disse ter visto uma poça de sangue, mas que o corpo, segundo ela, não estava mais no local.

A versão contrapõe o que vem afirmando o Ministério Público do Paraná, desde a denúncia contra Manvailer. Os promotores sustentam que o marido asfixiou Tatiane até a morte, antes de jogar o corpo pela varanda.

Gustavo Scandelari, advogado da família de Tatiane e assistente da acusação, diz que o relato da moradora difere de outros vizinhos ouvidos durante o processo. "Eles foram acordados no meio da noite e cada um tem um tipo de versão do que conseguiu ver no momento", afirma.

O advogado de Manvailer, Cláudio Dalledone Junior, considera o depoimento da vizinha determinante. "O testemunho dizendo que ouviu o grito de Tatiane enquanto caia confere a certeza de que ela ainda estava viva. Essa vizinha morava no 1º andar e tinha condições de ouvir o que aconteceu".

Outra moradora do prédio também participou do julgamento. Em depoimento, ela relatou que ouviu uma discussão entre o casal e que o tempo entre um grito e a queda foi muito rápido. Ela disse que estava sonolenta e até chegou a acreditar que era alguém sendo baleado na rua.

Durante os depoimentos, Manvailer, que acompanha a sessão presencialmente, fez várias anotações em uma prancheta.
A sessão deste sábado foi longa e marcada por alguns momentos de tensão e provocações entre os advogados. Apesar disso, o julgamento não precisou ser interrompido pelo juiz.

Neste domingo (9), às 10 horas, Manvailer será interrogado no Tribunal de Justiça de Guarapuava. O acusado pode escolher em falar ao juri ou permanecer em silêncio. Após o interrogatório será realizado o debate entre as duas partes e, por fim, os sete jurados decidem a sentença.

Em nota enviada à imprensa, a acusação afirmou que expectativa é de que Luiz Felipe seja condenado. "Seguimos firmes e com a convicção de que haverá uma pena alta", disse Scandelari.

Entenda o caso

  • Tatiane Spitzner morreu em julho de 2018, em Guarapuava (PR). Foi encontrada após cair do 4° andar do prédio;
  • Luis Felipe Manvailer é acusado de ter matado Tatiane por enforcamento e jogado seu corpo da sacada do edifício. Câmeras registraram o acusado agredindo Tatiane no elevador, recolhendo o corpo dela na calçada e, por fim, limpando as marcas de sangue;
  • A acusação defende que Tatiane foi jogada. A defesa afirma, agora, que ela se acidentou;
  • Depois de três julgamentos adiados, o júri popular de Manvailer começou na terça-feira (4) e deve acabar no domingo (9). Manvailer responde pelos crimes de homicídio (com as qualificadoras de motivo fútil; mediante asfixia e meio cruel; e feminicídio) e fraude processual.