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Paquitas, machismo e Pelé: 6 temas polêmicos de que Xuxa falou abertamente

Xuxa durante entrevista ao Fantástico  - Reprodução/TV Globo
Xuxa durante entrevista ao Fantástico Imagem: Reprodução/TV Globo

De Universa

02/11/2020 12h53Atualizada em 02/11/2020 14h29

Na noite de domingo, em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, Xuxa Meneghel reviu episódios de sua carreira relacionados a preconceitos que viveu por ser mulher, por ter namorado Pelé e, mais recentemente, por ser uma porta-voz do envelhecimento natural — nas redes sociais, ela costuma mostrar em suas fotos o corpo natural, com rugas e marcas de pele.

A apresentadora falou sobre como sofreu com julgamentos por ter exposto parte de sua vida privada ao longo da carreira. Na conversa, ela ainda comentou sobre o fato de todas as Paquitas, que marcaram uma geração, seguirem o mesmo "padrão de beleza": loiras, magras e muito jovens.

Modelo era vista como prostituta

Xuxa revelou que o fato de ela ser "loira e modelo" era entendido por algumas pessoas como indícios de que ela era prostituta ou que acompanharia homens em eventos. Ela afirmou que um xeique chegou a colocar um "bolo de dinheiro" na mão dela, durante um trabalho, para sair com ele, e que era comum ofertas para jantares em que ela seria paga para estar ao lado de um homem.

O machismo era muito forte nos anos 80. Quando eu comecei a trabalhar, eles me viam assim: se eu sou loira, se eu sou modelo, eu sou uma prostituta.

Xuxa diz, inclusive, que o machismo quando ela começou a carreira era tão arraigado que influenciava seu próprio comportamento. Hoje, tem uma visão diferente sobre como são tratadas as mulheres e entende as opressões que recaem sobre elas.

O racismo no namoro com Pelé

Xuxa namorou com Pelé por seis anos e já falou sobre o relacionamento outras vezes. Ao Fantástico, ela comentou sobre o racismo que rodeava o casal. "Quando comecei a namorar o Pelé, teve uma época em que as pessoas falavam assim, tinha até piada, que diziam: 'Qual é a diferença entre a Xuxa e o chuchu? É que a Xuxa era comida de preto rico e chuchu era comida de preto pobre'".

Ela conta que a "piada", que é um comentário racista e que também desvalorizava a apresentadora, era vista como normal. "E eu não respondia nada. Talvez por eu ter 18, 19 anos. E isso era natural." Com as mudanças culturais que ao longo dos últimos anos, ela diz que agora as pessoas talvez não tivessem coragem de fazer comentários como os que ouvia no passado. "Eu olho para essas pessoas com pena, hoje em dia."

Padrão-paquita

"Naquela época, elas seguiam uma beleza que foi imposta. Era uma coisa que eu não queria. Quando elas vinham com os cabelos pretos ou castanhos, eu pedia muito que não mudassem a cor. E elas acabavam fazendo isso porque viam que tinha mais espaço para as meninas loiras", diz Xuxa.

Era como se fosse a boneca Barbie. Não tinha boneca Barbie morena ou negra na época. Só tinha loira. Não é legal colocar isso só no meu colo.

"Antes de falar de Paquita, deveria falar de todas as princesas, não tinha nenhuma princesa negra. Não é legal as pessoas colocarem a culpa no meu colo de que 'a Xuxa só tinha paquita loira'. Não, a Xuxa só tinha o que era imposto para crianças como uma coisa normal e natural", defende.

O fato de as paquitas terem formado o imaginário de meninas e meninos sobre o "padrão de beleza" do fim dos anos 1980, no auge do Xou da Xuxa, sempre foi muito questionado, principalmente pelo fato de não terem existido paquitas negras, o que fazia com que parte das crianças se sentissem excluídas.

Os abusos do passado

Durante a conversa, Xuxa voltou a falar de um tema delicado: os abusos sexuais que sofreu na infância. O objetivo dela é conscientizar as pessoas sobre esses perigos e também dar suporte às vítimas.

Ao Fantástico, ela falou sobre um sentimento muito comum entre quem sofreu esse tipo de violência: ter vergonha e permanecer calada sobre o ocorrido. Resgatar o tema é importante para que se reforce que a culpa nunca é da vítima, e que a violência sexual é um assunto sério e que precisa ser discutido também na mídia.

Discussão deve ser a exploração infantil

A apresentadora aproveitou para falar sobre a polêmica do filme "Amor Estranho Amor", de 1982, pelo qual é julgada por ter feito uma cena erótica com um ator cujo personagem era menor da idade na época. Ela esclarece que aquilo era ficção e convida as pessoas a debaterem sobre outro tema, abordado pelo filme: a exploração sexual infantil.

Os comentários sobre envelhecer

Xuxa se sente sob a visão machista de que precisa manter aparência jovem — e, se necessário, recorrer a procedimentos e intervenções estéticas para isso.

Ela não condena esse olhar, mas analisa que as críticas que recebe sobre estar envelhecendo também têm a ver com o modo com a qual as mulheres encaram o próprio processo.

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