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"Bolha do sexo" na pandemia: esquema funciona para solteiros do Brasil?

Evgeniia Medvedeva/Getty Images/iStockphoto
Imagem: Evgeniia Medvedeva/Getty Images/iStockphoto

Nathalia Geraldo

De Universa

25/10/2020 04h00

Você já deve ter ouvido falar no conceito de "bolha social", estratégia adotada por alguns países em que o isolamento social já está sendo afrouxado para que as pessoas passem a se encontrar em grupos restritos. Na Nova Zelândia, a proposta foi apresentada como uma opção de retomada para o fim da quarentena, por exemplo. A novidade agora é a ideia de "bolha sexual", derivação da teoria que poderia ser adotada por solteiros que gostariam de manter a vida sexual ativa mesmo em tempos de pandemia.

A teoria ganhou uma versão oficial em maio, graças ao Instituto Nacional de Saúde Pública da Holanda que divulgou no site uma das poucas recomendações oficiais para os solteiros em tempos de distanciamento social. No texto, o órgão sugeria a seleção de apenas uma pessoa, em que o outro confiasse e que soubesse que estava cumprindo as medidas de prevenção ao coronavírus, para que se tornasse um "contatinho fixo". Se necessário, os parceiros deviam travar uma conversa partindo da pergunta "com quantos você saiu?" para, então, definirem as regras do encontro (e do sexo, claro).

O método surgiu em outros países. Mas, no Brasil, já é seguro criar uma "bolha do sexo" entre quem não tem um parceiro fixo? E, afinal, os solteiros estão dispostos a perguntar ao outro sobre quantas bocas ele beijou ou com quantos transou nos últimos sete meses?

Bolha sexual funciona?

A infectologista e professora titular da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Sylvia Lemos Hinrichsen avalia que "não há resposta fechada" que autorize o contato sexual de pessoas que não morem na mesma casa durante a pandemia, muito menos para a criação das chamadas bolhas sexuais.

"A bolha social é uma seleção de pessoas, da mesma família, da mesma casa. É com quem você convive durante o lockdown. Só que a partir do momento em que temos flexibilização [do isolamento], as bolhas passam a se misturar", explica a médica, que também é consultora em biossegurança e Controle de infecções e riscos.

"O que o governo da Holanda sugere é um modelo difícil de trazer para o Brasil, porque as bolhas já se misturaram, e não sabemos quem já teve coronavírus, quem é sintomático, quem é pré-sintomático...".

De acordo com a infectologista, não há nenhum estudo científico que garanta que as recomendações de fazer uma "bolha do sexo" possam ser seguidas em outros países. Aliás, o texto do instituto holandês faz a ressalva de que "o conselho geral é manter distanciamento de 1,5 metro" das outras pessoas. Ou seja, combinar com o crush o limite de quantas bocas cada um beijará, ou pedir exclusividade, é por sua conta e risco.

Na avaliação de Hinrichsen, é muito cedo para que sejam determinadas regras seguras para sexo casual ou encontros com novos parceiros. Por enquanto, o que se sabe é que em uma gradação de riscos divulgada pela Universidade de Harvard, é recomendado o uso de máscara facial durante o sexo entre os casais que não moram na mesma casa.

Comportamento sexual mudou com pandemia

Carol Tilkian e André Lage, do blog Soltos SA: "Parece que agora a DR está liberada" - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Carol Tilkian e André Lage, do blog Soltos SA: "Parece que agora a DR está liberada"
Imagem: Arquivo pessoal

Oficialmente, os solteiros estão à espera de uma vacina para "ficarem on" novamente. Mas, mesmo sem sexo, isso não significa que tenham parado de pensar sobre o tema. É o que mostra uma pesquisa (que ainda será lançada na íntegra nas próximas semanas) feita pelo youtubers do canal do Soltos e colunistas de Universa, Carol Tilkian e André Lage.

De 1.500 pessoas que responderam a perguntas sobre o comportamento sexual na pandemia:

  • 40% perguntaram se a pessoa saiu com outra nos últimos 14 dias, antes do 1º date
  • E 11% pediram exclusividade antes de começar a sair com o novo pretendente

"Parece que agora a DR está liberada. As pessoas estão perguntando para as outras se estão saindo com mais alguém ou pedindo exclusividade", analisa Carol.

"Antes, falávamos de responsabilidade afetiva no sentido de cuidar das emoções dos outros, agora, esse conceito foi ampliado para a saúde também. É que, com a quarentena, a 'piranhagem' virou um risco de saúde pública", brinca André.

Ao mesmo tempo, avaliam os youtubers com base em relatos que recebem nas redes sociais, as histórias de "paixão de quarentena", em que algumas pessoas resolveram se isolar com quem conheceram em pouco tempo estão se encerrando. "Nesse sentido, talvez a bolha não seja uma boa ideia, pode ser que ela 'sufoque'", sugere Carol.

A solução totalmente à prova de riscos de contaminação, como já orientou a Prefeitura de Nova York no início da pandemia, continua sendo a busca pelo prazer isolado: masturbação, uso de brinquedos eróticos e a troca de nudes (com os devidos cuidados em relação à privacidade) são as formas seguras de manter a sexualidade aflorada sem correr riscos.

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