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App cria rede de apoio de mães por localização e afinidade:"Tinder materno"

Tais Saraiva e Mariana Bertiz, empreendedoras e criadoras do aplicativo Benditas Mães - Divulgação
Tais Saraiva e Mariana Bertiz, empreendedoras e criadoras do aplicativo Benditas Mães Imagem: Divulgação

Nathália Geraldo

De Universa

11/09/2020 04h00

"Meu filho está com febre, pode ser os dentinhos nascendo?". A dúvida é comum entre quem cuida de recém-nascidos, e ter uma rede de apoio para saber como lidar com a situação, mesmo que seja só para dizer só que "vai passar", é importante para as mães, especialmente durante a pandemia de coronavírus, que deixou algumas ainda mais solitárias. Um aplicativo, lançado no final de agosto, ajuda as mulheres a se conectarem para dividir essas e outras questões: o Benditas Mães.

As fundadoras Tais Saraiva e Mariana Bertiz criaram a tecnologia para ajudar mães, formando comunidade e sugerindo serviços do segmento de maternidade, depois da experiência que tiveram à frente de um e-commerce de enxovais e por terem vivido a gestação juntas. Saraiva é mãe de Rafaela, 9 anos, e de Eduardo, 2 anos; Bertiz, mãe da Cecília de 2 anos. Conheça a história do aplicativo.

Benditas Mães: app de apoio à maternidade

Criado como startup, o Benditas Mães faz o papel virtual, ao lado de grupos de WhatsApp e outras redes sociais, dos encontros de mães em locais onde seus filhos estão, como escola, consultório de pediatra - conexões que geram trocas importantes e andam fazendo falta em tempos de distanciamento social. O aplicativo funciona por geolocalização, ou seja, é um "Tinder materno": ao colocar a localização, a pessoa consegue encontrar outros usuários e estabelecer comunicação. Também há a possibilidade de criar comunidades. O apoio entre as mães, diz a fundadora Tais Saraiva, é o principal objetivo.

"É uma plataforma materna completa, principalmente por entendermos a mãe que busca ajuda e ajuda as outras mães. Além disso, agrega profissionais como consultoras de sono, de amamentação, fonoaudióloga."

"Você não está sozinha"

A saúde mental materna, assunto preocupante pelo acúmulo de responsabilidades durante o isolamento social, também é pano de fundo das conversas no aplicativo e na mensagem que as fundadoras passam às usuárias.

"Temos que desromantizar a maternidade: a mulher que acaba de dar à luz pode ter baby blues, depressão pós parto, tem a questão do conflito da maternidade com a vida profissional. Desde antes do aplicativo, no Instagram, já tínhamos essa postura de dizer para a mãe que ela não está sozinha, que é normal se sentir triste, que perdeu a identidade', fala Saraiva.

Mercado materno nas redes

dupla Tais Saraiva e Mariana Bertiz do Benditas Mães - Divulgação - Divulgação
Tais Saraiva e Mariana Bertiz, ao lado dos filhos: elas venderam loja virtual de enxovais infantis e investiram no app Benditas Mães
Imagem: Divulgação

A dupla já havia trabalhado com uma loja virtual de enxoval, aberta em 2014. Resolveram vender para abrir o Benditas Mães que, além das fundadoras, conta com uma mulher responsável pela área de TI. "Enxoval era um momento bonito, mas a gente queria atacar a experiencia da maternidade real mesmo", diz a empreendedora.

O desenvolvimento do app foi terceirizado e a monetização dele vem de duas origens: a assinatura do clube de benefícios, em que há parcerias com marcas de produtos do segmento de maternidade e infantil, e da vitrine virtual em que os profissionais do setor oferecem seus serviços às usuárias.

Saraiva diz que são 1 mil usuárias cadastradas no Brasil e que o app serve para que as mulheres tirem dúvidas e publiquem relatos sem o medo de julgamento. "As mães têm empatia", analisa.

"Respondem rápido umas às outras, sugerindo uma alternativa para o problema ou para dizer que 'vai passar'. Eu tive problema com o Eduardo, meu segundo filho, porque ele não dormia, então contratei uma consultora de sono. No caso da Mariana, foi dificuldade com a amamentação, e eu fiz o papel de conselheira, por já ter passado por isso. Por isso, pensamos sobre quem não tem essa rede próxima".

Nem todas as respostas do Google, afinal, dão conta das experiências que cuidadores e recém-nascidos passam. "O Google ajuda muito, o problema é que na internet se encontram respostas muito contraditórias. A mãe tem que pegar as informações, filtrar e unir ao feeling. Por isso, é importante a troca e o depoimento de uma mãe que passou pelo mesmo perrengue."

O aplicativo está disponível para Android e iOS.

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