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Barriga inchada, como Katy Perry, e mais 6 mudanças do corpo no pós-parto

Katy Perry aparece de lingerie cinco dias após dar à luz - Reprodução/Instagram
Katy Perry aparece de lingerie cinco dias após dar à luz Imagem: Reprodução/Instagram

Nathália Geraldo

De Universa

01/09/2020 04h00

No lugar de looks de tapete vermelho, um conjunto de calcinha cintura alta e sutiã de amamentação. Cinco dias depois de dar à luz Daisy Dove, a cantora Katy Perry foi às redes sociais para mostrar seu corpo pós-parto, sem retoques — o que nem sempre aparece em capas de revista ou mesmo em perfis de maternidade na internet.

O corpo de Katy Perry mudou, e a distensão abdominal e o inchaço na barriga causado por ela são alguns dos aspectos mais visíveis no registro. Nem de longe, no entanto, essa é a única transformação pela qual o corpo da mulher que viveu uma gestação pode passar. Seios inchados, aréola mamária escurecida, incontinência urinária, tudo isso entra em cena após a gravidez.

A explicação para as diferenças no corpo pós-parto tem base na fisiologia — ou seja, são naturais, ao mesmo tempo que podem ser sentidas de formas diferentes por cada pessoa que deu à luz. Entrevistamos a ginecologista e obstetra Mariana Rosário, membro do corpo clínico do hospital Albert Einstein, de São Paulo (SP), para entender cada mudança.

Mudanças no corpo pós-parto

Barriga inchada
"Há uma distensão na gravidez do músculo do reto abdominal. Isso é normal, e se a paciente não trabalha essa musculatura, treinando, por exemplo, vai ficar de um a dois meses assim. No caso da cesárea, pode acontecer também a distensão do intestino. Aí, ela pode acumular gases e até ter dificuldade de evacuar", explica Rosário.

É normal, assim, que a barriga fique grande mesmo após o parto (e que, entre desconhecidos, seja possível que ainda se perguntem se a mulher "ainda" está grávida, o que nem sempre é empático, vale dizer). O ganho de peso na gestação contribui para que a barriga tenha um novo formato — e cabe à mulher decidir como lidar com essa mudança física após o nascimento da criança.

Sangramento vaginal por dias
A mulher vai para casa e, por pelo menos 20 dias, descobre que precisará usar fraldas ou absorventes para conter o sangramento vaginal. Não é menstruação, e, sim, loquiação. "É uma resposta fisiológica que pode demorar até 40 dias para desaparecer. Nos primeiros dez, é comum que o sangue seja avermelhado; depois, por mais dez dias, ele fica mais escuro e, por fim, é amarelo e branco", diz a ginecologista.

"É o sangue que fica dentro do útero no pós-parto. A placenta é ligada ao útero por vasos sanguíneos e, quando ela se descola, todos eles se rompem. Além disso, o útero continua se contraindo, o que faz com que o sangue saia".

Dor no sexo/na penetração
Sexo não é só penetração, mas quando a mulher se propõe a essa prática sexual no pós-parto, há a chance de sentir dor. Isso dá, em linhas gerais, pelo ressecamento e pela diminuição da elasticidade vaginal após o parto. "É importante saber que isso pode acontecer e o médico deve dar subsídios para ela estar preparada para isso. Buscar hidratantes vaginais, uso de lubrificantes e laser vaginal, que faz estímulo de colágeno e um peeling na mucosa da cavidade, pode deixar o sexo mais confortável".

Cólicas
Não, não as do bebê. Comuns nos primeiros dias do pós-parto e/ou quando a mulher amamenta, as dores na região abdominal podem ser originadas da contração uterina pós-parto. "O útero cresce de tamanho até onze vezes, na gestação. E a produção de ocitocina, que é o hormônio gerado pelo corpo para estreitar o vínculo entre a mulher e o filho, também promove a contração dele", explica Rosário. Daí vem o incômodo das cólicas que, se não são tão fortes para o uso de medicação, podem ser amenizadas com compressas de água quente, orienta a médica.

Xixi toda hora
A vontade de ir ao banheiro com mais frequência que você esperava que fosse embora com o parto permaneceu? Sim, é normal. "Se a mulher teve flacidez na musculatura pélvica na gestação, pode aumentar a frequência de micção no pós-parto. Isso porque há o aumento da pressão intra-abdominal, que força a musculatura da região perineal". Ou seja, pode se tornar mais difícil segurar o xixi. Por essa razão, a fisioterapia perineal é recomendada para as gestantes. "E isso não tem nada a ver com bexiga caída por parto normal, um mito que sempre falam", esclarece ginecologista.

Inchaço dos seios/aréolas escuras

"É importante saber que só na primeira gestação é que a maturação da mama da mulher se completa. Por isso, a aréola escurece, como um aspecto externo disso. Provavelmente, não vai voltar a ficar clara. Do mesmo modo, o inchaço dos seios se dá pelo desenvolvimento da glândula mamária. É isso que traz o edema; tanto que tem gente que descobre que está grávida só pelo tamanho da mama".

Se você precisa aliviar o inchaço, na gestação ou no pós-parto, tente usar bolsa de água fria na região.

Confusão mental/perda de memória

O corpo da grávida passa por um processo chamado de embebição gravídica, ou seja, um aumento de líquido livre que circula no organismo. "Às vezes, isso pode causar um literal distanciamento dos neurônios no cérebro, o que dificulta as sinapses", comenta Rosário. "Por isso, que a mulher pode esquecer as coisas ou ter dificuldade de pensar rápido. Há estudos que dizem que é mito, mas muitas mulheres relatam isso".

A presença de cortisol no corpo, por conta do estresse, também pode estar ligado a esse cansaço mental. "Imagina você viver com esse hormônio, que é o da TPM, por até nove meses?".

Uma rotina de sono em que a mulher possa se recuperar, assim, é fundamental para reequilibrar esse estado. "Principalmente para a produção de leite e para a recuperação do parto", diz Rosário. Com um bebê recém-nascido em casa, sabe-se que boas noites de sono são um luxo. Por isso, uma rede de apoio com outros cuidadores do bebê precisa estar fortalecida para que a mulher tenha esse tempo para si.

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