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MP investiga por que hospital do ES não fez aborto de garota de 10 anos

Hucam tem até o fim da quinta-feira para prestar esclarecimentos - Divulgação
Hucam tem até o fim da quinta-feira para prestar esclarecimentos Imagem: Divulgação

De Universa, em São Paulo

18/08/2020 12h35Atualizada em 18/08/2020 16h08

O MPF-ES (Ministério Público Federal do Espírito Santo) quer saber por que o Hucam (Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes), de Vitória, se recusou a realizar o aborto da criança de 10 anos que foi vítima de estupro.

Um ofício foi encaminhado para a Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo) — entidade que administra o hospital — pedindo esclarecimentos sobre o caso. Os dois órgãos têm até as 17h de quinta-feira (20) para responder por que não seguiram a ordem judicial e se realizam procedimento de interrupção de gravidez.

A garota passou pelo procedimento no Recife após o Hucam se negar a realizar o aborto, mesmo com autorização judicial.

O MP também quer saber se houve vazamento de dados sigilosos da criança e apura um eventual constrangimento ou pressão da equipe médica para que a menina não interrompesse a gestação.

O caso

A Polícia Civil do Espírito Santo prendeu na madrugada de hoje, na região metropolitana de Belo Horizonte, o homem suspeito de estuprar e engravidar a sobrinha de 10 anos em São Mateus (ES). De acordo com a PC-ES (Polícia Civil do Espírito Santo), a criança era vítima de estupros há quatro anos.

A menina conseguiu expelir o feto espontaneamente ontem, após a indução iniciada na noite anterior pela equipe médica do Cisam (Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros), ligado à UPE (Universidade de Pernambuco), no Recife. À tarde, ela foi submetida à curetagem para retirada de restos placentários do útero.

Segundo Benita Spinelli, coordenadora de enfermagem do Cisam, a criança está acompanhada da avó e de uma assistente social que veio do Espírito Santo, e o procedimento na criança ocorreu sem riscos.