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Violência contra a mulher

Criança de 10 anos grávida de estupro realiza curetagem em PE

Menina estaria sendo estuprada há 4 anos pelo tio; imagem ilustrativa - istock
Menina estaria sendo estuprada há 4 anos pelo tio; imagem ilustrativa Imagem: istock

Aliny Gama e Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Recife e em Maceió

17/08/2020 11h27Atualizada em 17/08/2020 22h14

A criança de 10 anos que engravidou vítima de um estupro conseguiu expelir o feto espontaneamente hoje, após a indução iniciada ontem à noite pela equipe médica do Cisam (Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros), ligado à UPE (Universidade de Pernambuco), no Recife. Na tarde de hoje, ela foi submetida à curetagem para retirada de restos placentários do útero.

Segundo Benita Spinelli, coordenadora de enfermagem do Cisam, a criança está acompanhada da avó e de uma assistente social que veio do Espírito Santo, e o procedimento na criança ocorreu sem riscos. A menina estava com 22 semanas de gestação e, agora, está em recuperação do procedimento. Ela não corre risco de morte e não há previsão de alta.

"A criança passou por avaliação e houve a necessidade de fazer uma curetagem, mas ela está se recuperando bem. Estamos aqui para garantir o restabelecimento da saúde dela, tanto física quanto mental", afirmou Spinell.

A garota passou pelo procedimento no Recife após o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, em Vitória, se negar a realizar o aborto, mesmo com autorização judicial.

Spinelli conta que o processo de aborto demora horas e que tudo está correndo como esperado até aqui.

"Para se fazer esse procedimento, existe uma sequência. Assim que ela chegou, foi feita a indução, mas isso leva algumas umas horas. Ela já expulsou o feto, na verdade, e após avaliação da equipe multiprofissional foi realizado o procedimento completo. Tudo ocorreu dentro da normalidade."

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"Balbúrdia", reclama coordenadora sobre protestos antiaborto

Sobre os protestos na noite de ontem contra o aborto, na porta da unidade, ela classificou como "balbúrdia" e disse que a equipe tentou blindar a menina de ouvir o que era dito do lado de fora da instituição.

"Uma coisa completamente contraditória; pessoas fazendo esse tipo de atividade na porta de um hospital, que é um local que requer silêncio, tranquilidade, ainda mais por ser uma criança de 10 anos, que há quatro anos era estuprada, que teve de sair para outro estado para ter seu direito garantido", disse a coordenadora.

Nós temos que poupar ela dessa balbúrdia que foi feita ontem na porta de um hospital. (...) É uma menina de bastante vulnerabilidade, que foi protegida da melhor forma que a gente pôde, para não ouvir as atrocidades que foram ditas do lado de fora
Benita Spinelli, coordenadora de enfermagem do Cisam

Agora pela manhã, ela conta que a situação está sob controle, sem presença de manifestantes.

Segundo a coordenadora, a criança tem reagido bem a todo o procedimento e presença no hospital.

"Estamos todos muito atentos e cuidadosos para que nada possa acontecer ou que algo fuja aos nossos cuidados. Ela está tendo todo acolhimento, cuidado, assepsia, sigilo para que, emocionalmente, esteja bem para concluir o procedimento", finaliza.

Estupros há quatro anos; tio é suspeito

A criança de 10 anos foi estuprada e engravidou. O tio, de 33 anos, foi indiciado pelo crime, mas está foragido.

De acordo com a Polícia Civil do Espírito Santo, a criança era vítima de estupros havia quatro anos, e o caso chegou ao conhecimento da polícia no dia 8 deste mês, quando ela deu entrada num hospital público da cidade de São Mateus, a 220 km de Vitória, com suspeita de gravidez.

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