PUBLICIDADE
Topo

Despedida? Note 20 Ultra tem câmera fantástica, mas agrava velhos problemas

Gabriel Francisco Ribeiro

De Tilt, em São Paulo

10/09/2020 04h00

O Galaxy Note 20 Ultra, lançado pela Samsung recentemente no Brasil, é um celular com quase todas as características que precisamos em um smartphone top de linha: tem potência, as câmeras são fantásticas, a bateria vai bem, a tela é excelente... Mas, ele peca em um velho problema que foi agravado ainda mais: é "chato" e difícil de usar por causa do seu tamanho.

Com preço nada convidativo de R$ 8 mil e com o início das vendas marcado para 18 de setembro, o Note 20 Ultra é tudo que esperamos de um smartphone em muitos pontos. É um aparelho perfeito para quem faz do celular um objeto de uso profissional. Dá para fazer muita coisa diretamente pelo Note.

Mas como já comentei no ano passado no review do Galaxy Note 10+, essa é uma linha de celular cada vez mais desnecessária. Crescem os rumores de que o Note 20 pode ser o último celular dessa linha, e a atenção dada ao Galaxy Z Fold 2 neste ano mostra esse possível caminho.

Se for uma despedida, também não dá para chamar de perfeita. A linha Note é histórica por abrir caminho às grandes telas em celulares, mas a Samsung parece ter alcançado um limite de até onde pode chegar nessa linha com o Note 20 Ultra. Na verdade, esse limite parece já ter sido ultrapassado, dados os seus grandes problemas de usabilidade. Explicamos mais sobre isso no texto abaixo.


Divulgação

Galaxy Note 20 Ultra

Preço

R$ 7.999
TILT
4,4 /5
ENTENDA AS NOTAS DA REDAÇÃO

Espetacular e com taxa de atualização de 120 Hz

Nenhum problema registrado

Som extremamente potente, melhor do que várias caixas Bluetooth

Fotos com riqueza de detalhes

Diversos modos e imagens ficam boas em variados tipos de iluminação

Vídeos com ótima qualidade e com gravação até em 8K

Desempenho potente com o melhor processador da Samsung

Celular tem um peso que incomoda um pouco e cansa a mão

Bateria é boa, mas caiu um pouco em relação ao ano passado por causa da tela

Celular extremamente difícil de usar por causa do tamanho

Aparelho elegante e bonito

Tem todos os requisitos de um top de linha, mas não deixa de ser caro

Pontos Positivos

  • Design bonito e elegante na cor bronze
  • Desempenho potente e sem travamentos
  • Câmera fantástica em diferentes modos
  • Tela é excelente para ver conteúdos

Pontos Negativos

  • Preço alto assusta bastante
  • Tela curva nos cantos provoca muitos cliques involuntários
  • Bateria caiu um pouco em relação ao ano passado
  • Tamanho exagerado prejudica usabilidade

Veredito

O Galaxy Note 20 Ultra é um ótimo celular com quase todos os requisitos de um smartphone top de linha, mas que parece ter passado um pouco do limite. O tamanho é bacana para aproveitar uma tela maior, mas ao mesmo tempo incomoda e irrita muito no uso diário do aparelho.

O Galaxy Note 20 Ultra é um celular para lá de bonito. A Samsung cada vez mais tenta tornar seus aparelhos objetos luxuosos, tentando assumir uma posição que anteriormente era típica dos iPhones. Os preços, por sinal, estão cada vez mais parecidos entre as duas marcas.

Ele vem com um design em cor mais fosca na traseira, sem os recentes efeitos espelhados que a empresa usou nos seus últimos celulares mais caros —e até em mais baratos. Eu usei a versão na cor bronze e achei bastante elegante.

Novo Galaxy Note 20 Ultra na cor bronze - Divulgação - Divulgação
Novo Galaxy Note 20 Ultra na cor bronze
Imagem: Divulgação

Na traseira, o Note 20 Ultra ainda tem uma moldura para a câmera traseira, em uma moda que começou com o iPhone 11 e já se espalha por vários celulares. As lentes das câmeras são bem grandes e há um pequeno problema: o relevo da moldura é bem sobressalente em relação ao corpo do celular.

O maior problema do smartphone está em seu tamanho: são 6,9 polegadas de tela que, mesmo com uma borda mínima, tornam o modelo um gigante em mãos. E isso prejudica demais seu uso.

É impossível usar o Note 20 Ultra apenas com uma das mãos. O dedão não chega no topo da tela ou no canto oposto à mão preferencial da pessoa. Digitar com o celular é um sacrifício: são tantos os toques acidentais que eu tinha mais trabalho para arrumar os erros gerados pela digitação do que para escrever um texto em si.

A tela edge, que se curva nos cantos, torna a ginástica ainda pior com muitos toques acidentais. Esse visor, ainda bem, não está na versão normal do Note 20 e mais atrapalha do que ajuda. A não ser que sejam encontradas maneiras via software de melhorar a usabilidade de celulares gigantes, foi alcançado —ou até ultrapassado— um limite físico para essa inovação.

Se por um lado a usabilidade do Note 20 Ultra é ruim, por outro o tamanho traz algo muito bom: o smartphone conta com uma tela excelente. As 6,9 polegadas são um recorde para a linha Note e melhoram bastante o consumo de conteúdos.

Ao retornar para um smartphone de "meras" 6,1 polegadas até estranhei por achá-lo pequeno após me acostumar com o Note 20 Ultra. Mas vale citar que o novíssimo Z Fold 2, ainda a ser lançado no país, carregará uma tela interna do tamanho de um pequeno tablet, com 7,6 polegadas. Se a sua tara é por telona e você tem muito dinheiro, vale esperar.

Tela do Note 20 Ultra ficou ainda maior - Divulgação - Divulgação
Tela do Note 20 Ultra ficou ainda maior
Imagem: Divulgação

A qualidade da tela também é excelente, melhor do que as de outros concorrentes como o iPhone 11. Consegui visualizar conteúdos mesmo sob luz forte e intensa do sol, graças ao brilho e contraste bacanas do aparelho.

Uma novidade deste ano é a taxa de atualização de 120 Hz, que deixa imagens mais fluidas no aparelho com o processamento mais rápido de pixels. Já vista no Galaxy S20, ela foi melhorada no Note 20 Ultra e passou a ser dinâmica para economizar a bateria. Ou seja, a taxa poderá ser de 20 Hz se a pessoa estiver lendo uma notícia ou de 120 Hz se estiver jogando um game pesado. O ajuste é automático.

Como sempre, as câmeras do Note 20 Ultra sobem a régua do mercado de smartphones, apesar de inovarem cada vez menos e muitos dos recursos já estarem presentes em outros aparelhos, como o S20.

São três câmeras traseiras: uma principal, uma grande angular e uma teleobjetiva. O destaque principal vai para a lente principal, que tem nada menos do que 108 MP.

Câmera principal do Note 20 Ultra, sem modo retrato - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Câmera principal do Note 20 Ultra, sem modo retrato
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Modo retrato do Note 20 Ultra - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Modo retrato do Note 20 Ultra
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

As fotos ficam fantásticas em diferentes condições de luz. As imagens tiradas com o Note 20 Ultra vão bem em detalhes de objetos e também contam com um excelente contraste de cores, sob a luz artificial ou solar.

O modo noturno também manda bem e deixa algumas imagens parecendo até que foram tiradas de dia —já outras ficam um pouco granuladas. O Note 20 Ultra se destaca principalmente pelo ótimo modo de desfoque de fundo, que vai sempre bem na linha e pode ser comparável ao dos iPhones.

Foto com a câmera principal sem modo noturno - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Foto com a câmera principal sem modo noturno
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Modo noturno com a câmera principal - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Modo noturno com a câmera principal
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

O Note 20 Ultra ainda conta com um zoom que pode chegar a até 50x —inferior ao do S20 Ultra, que chegava a 100x, mas que deixava a imagem muito pixelada. Ainda assim, é impressionante o nível do zoom do Note 20 Ultra, capaz de, pasmem, revelar detalhes de apartamentos vizinhos.

Foto com a lente grande angular do Note 20 Ultra - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Foto com a lente grande angular do Note 20 Ultra
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Foto com a câmera principal do Note 20 Ultra (do mesmo local) - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Foto com a câmera principal do Note 20 Ultra (do mesmo local)
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Foto com zoom de 5x do Note 20 Ultra (do mesmo local) - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Foto com zoom de 5x do Note 20 Ultra (do mesmo local)
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Foto com o Zoom de 50x do Note 20 Ultra (do mesmo local) - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Foto com o Zoom de 50x do Note 20 Ultra (do mesmo local)
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

O que atrapalha um pouco em celulares Samsung em geral é, novamente, a usabilidade. São tantos recursos diferentes embutidos no app da câmera que você precisa apertar em um botão chamado "mais" para achar, por exemplo, o desfoque de fundo e o modo noturno. Isso atrapalha o uso rápido do smartphone. Esses modos mais populares poderiam estar direto na barra do app da câmera.

A câmera frontal é única e também faz um bom trabalho. Impressiona a riqueza de detalhes captados pela selfie, com ótima qualidade. O desfoque de fundo é capturado por meio de software e também agrada.

Foto com a selfie do Note 20 Ultra - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Foto com a selfie do Note 20 Ultra
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Selfie com o fundo desfocado no Note 20 Ultra - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL - Gabriel Francisco Ribeiro/UOL
Selfie com o fundo desfocado no Note 20 Ultra
Imagem: Gabriel Francisco Ribeiro/UOL

Um ponto sempre prezado da linha Note é a bateria. No modelo de 2020 do celular, a bateria segue boa, mas senti que está aguentando menos o tranco do que em anos anteriores.

Em um dia que saí de casa por volta das 10h e só voltei lá pelas 22h30, usei o dia todo com redes sociais, WhatsApp, jogos leves e câmera, chegando em casa com a bateria no limite e precisando correr para uma tomada.

Em outro dia, estava com a bateria em 100% às 18h30 e usei quase ininterruptamente pelas horas seguintes com redes sociais, WhatsApp, Spotify e jogos leves. Às 2h, ela estava com 40%. Já em dias de home office ela aguentou muito bem, sobrando mais de 50% para o dia seguinte.

A queda na bateria deve ser culpa da taxa de atualização de 120 Hz. Mesmo melhorando com a taxa dinâmica em relação ao S20, ela ainda consome mais. Ao menos o smartphone vem com carregamento rápido que vai de 0% a 100% em pouco mais de uma hora.

O desempenho do Note 20 Ultra é o que a gente espera: muita potência. Com um processador de elite (o Exynos 990, que roda a 2,7 GHz), o celular não travou em nenhum momento e nem apresentou lentidões ou engasgos.

Tive apenas um problema. Ele chegou a esquentar bastante na traseira no dia que mais forcei o aparelho. Tirando isso, não dá para reclamar de nada.

No teste de desempenho feito com o aplicativo Geekbench 5, o Note 20 Ultra teve números semelhantes ao do S20 Ultra e do Z Flip, mas atrás do Moto Edge+ no desempenho multinúcleos. Já o desempenho médio por núcleo do Note 20 Ultra foi o melhor entre os smartphones deste ano, apenas um ponto à frente do aparelho da Motorola.

São inúmeros os recursos extras do Note 20 Ultra, mas vamos começar pelo que é único e diferencial na linha: a caneta S Pen. O tradicional acessório de fato ficou bem melhor neste ano.

O tempo da resposta entre encostar a caneta na tela e o texto aparecer foi drasticamente reduzido, realmente fazendo parecer que estamos escrevendo em um papel. Mas confesso que sigo não sendo muito fã da caneta e a usei poucas vezes —não gosto da maneira como ela desliza na tela do celular.

A S Pen ainda serve cada vez mais como um "controle remoto" do smartphone, com várias personalizações para essa função que deixa você mexer no smartphone a distância. A caneta sobrevive como o único item realmente de diferencial da linha Note —há boatos de que ela possa aparecer nos próximos Fold e S.

O Note 20 Ultra ainda conta com inúmeras novidades voltadas para o software —muitas delas impossíveis de testar em dez dias. A mais bacana não seria possível nem em mais tempo: o celular tem uma tecnologia chamada ultra banda larga, que permite passar arquivos entre celulares apenas apontando um para o outro. Isso ainda vale para objetos inteligentes, como liberação de fechaduras. Para usar, é preciso que outros aparelhos também tenham isso, e são poucos no momento.

Assim como no ano passado, o Note 20 ainda vem com um leitor de digitais embutido na tela. Ele funcionou muito bem comigo e poucas vezes rolaram mensagens de erro.

O Note 20 Ultra é um celular extremamente potente em quase tudo o que se espera de um smartphone, não tenha dúvidas disso. Mas, por R$ 8 mil, não dá para recomendar como um custo-benefício bom para o usuário no atual cenário mundial, apesar de estar na média dos celulares de sua faixa.

Além disso, quase tudo o que existe no Note 20 Ultra também está no Galaxy S20 Ultra, que já teve preço reduzido para a casa dos R$ 5.700. Sendo assim, é uma diferença alta para pagar apenas para contar com o recurso da caneta.

Apesar de toda sua potência, o smartphone também já não é o mais espetacular da Samsung. Esse posto está sendo passado para o dobrável Z Fold 2. Se você é fã do Note e pode pagar o preço, terá um ótimo celular em mãos. Só precisa de paciência para usá-lo com seus exageros.

Especificações técnicas
  • Sistema Operacional

  • Android

  • Dimensões

  • 164.8 x 77.2 x 8.1 mm; 208 g

  • Resistência à água

  • IP68

  • Preço

  • R$ 7.999

Tela
  • Tipo

  • Amoled Dinâmico

  • Tamanho

  • 6,9 polegadas

  • Resolução

  • 1440 x 3088 pixels

Câmera
  • Câmera Frontal

  • 10 MP

  • Câmera Traseira

  • 108 MP + 12 MP + 12 MP

Dados técnicos
  • Processador

  • Exynos 990

  • Armazenamento

  • 256 GB

  • Memória

  • 12 GB

  • Bateria

  • 4.500 mAh