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Felipe Zmoginski

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Economia digital já responde por 40% do PIB chinês após pandemia

Free-Photos/ Pixabay
Imagem: Free-Photos/ Pixabay
Felipe Zmoginski

Felipe Zmoginski foi editor de tecnologia na revista INFO Exame, da Editora Abril, e passou pelos portais Terra e America Online. Fundou a Associação Brasileira de Online to Offline, foi secretário-executivo da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e head de marketing e comunicações do Baidu no Brasil, companhia líder em buscas na web na China e soluções de inteligência artificial em todo o mundo. Há seis anos escreve sobre China e organiza missões de negócios para a Ásia.

28/04/2021 04h00

A cada US$ 10 gerados em riqueza na China, US$ 4 provêm da economia digital. O cálculo foi feito pela China Academy of Information and Communication Technology (CAICT), um órgão público ligado ao ministério da Ciência no país.

Entram no cálculo ganhos com produção e exportação de software, publicidade online, vendas de e-commerce e a manufatura de bens usados na infraestrutura digital, como a fabricação de equipamentos de telefonia e eletrônicos, como smartphones e computadores. Os números referem-se ao ano de 2020.

Esta é a primeira vez que o "PIB digital" atinge patamar tão elevado no país e é influenciado, sobretudo, pela crise de covid-19, que impactou o país fortemente entre janeiro e março do ano passado. As medidas de restrição forçaram as pessoas e empresas a adotar soluções digitais para tarefas do dia a dia, o que acelerou o crescimento do PIB digital. Há um ano, em 2019, o "PIB online" respondia por 38,6% da economia chinesa.

Os números, revelados esta semana, estão em linha com outras estatísticas chinesas.

O país é o único no mundo, por exemplo, em que o varejo online (vendas online) supera o comércio feito em lojas físicas (offline), na proporção de 51% a 49%. Para efeito de comparação, a segunda economia com o varejo mais digitalizado do mundo, a Coreia do Sul, anota 38% de participação das vendas online neste cálculo. No Brasil, este número é de 10%.

Os dados, que fazem parte do recém-publicado "Digital Economy Development in China", apontam que o PIB digital cresceu 9,7% de um ano para outro, contribuindo para manutenção da atividade econômica na China.

No balanço total da economia, o PIB chinês cresceu 2,3% em 2020, a menor taxa em 45 anos, mas uma das poucas nações no mundo a registrar crescimento, apesar da crise. No Brasil, por exemplo, no mesmo período, o PIB encolheu 4,1%, segundo dados do IBGE.

Segundo o relatório, possuir uma infraestrutura digital avançada foi um fator decisivo para manter a economia aquecida. Outro elemento foi a adoção dura de medidas de isolamento social, o que permitiu o controle da circulação do vírus, sem a ocorrência de uma segunda onda de infecções, em apenas 90 dias.

O controle da pandemia é tão bem-sucedido que o país pode concentrar seu esforço de vacinação em profissionais de saúde e na população de fronteiras, o que libera sua capacidade produtiva para exportar vacinas para o mundo. Só em 2020, a China acumulou um saldo comercial positivo de mais de meio trilhão de dólares.

O FMI projeta que, em 2021, a economia chinesa cresça 7,9%. Nada mal para um mundo ainda em recuperação em econômica.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL