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Mauricio Stycer

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Com pandemia, Globo tem queda de receita e diminuição do lucro em 2020

Logo da Globo (Reprodução) - Reprodução / Internet
Logo da Globo (Reprodução) Imagem: Reprodução / Internet
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

26/03/2021 12h50Atualizada em 26/03/2021 17h25

Balanço da Globo Comunicações e Participações (GCP), divulgado nesta sexta-feira (26), mostra que a empresa teve uma queda de receita em 2020, na comparação com 2019, e também uma diminuição no lucro. O resultado se refere aos negócios na TV aberta, TV por assinatura, áreas digitais e de música.

A queda na receita foi de cerca de 11%, caindo de R$ 14,090 bilhões em 2019 para R$ 12,523 bilhões em 2020. O lucro líquido no ano passado foi de R$ 167,8 milhões, uma queda de 77,7% em relação aos R$ 752,5 milhões registrados no ano anterior.

A demonstração dos resultados expõe o saldo do esforço de redução de despesas ocorrido ao longo de 2020. As despesas caíram de R$ 10,6 bilhões, em 2019, para R$ 9,49 bilhões no ano passado.

"Apesar da pandemia, todos os investimentos em tecnologia e conteúdo, que alimentam o Globoplay e as plataformas digitais e canais lineares que desenvolvemos, não foram interrompidos. Mantivemos o plano original porque acreditamos que é a estratégia a ser perseguida", disse o diretor-geral de finanças da Globo, Manuel Belmar, em entrevista ao jornal "Valor Econômico".

Foram R$ 4,5 bilhões de investimento em conteúdo e mais de R$ 1 bilhão em tecnologia.

Segundo Belmar, um dos destaques em 2020 foi o Globoplay. A plataforma aumentou o volume de assinantes em quase 80%, enquanto o volume de receitas mais do que dobrou em relação a 2019. "Isso foi importante para compensar a tendência declinante do mercado de TV paga, que tem sofrido com a perda de renda e aumento do desemprego, que afetaram o brasileiro em 2020", disse.

A queda na receita está diretamente ligada a uma diminuição do faturamento com publicidade, que responde por 60% da receita total. Neste segmento, as receitas da Globo caíram 17% em relação ao ano anterior.

As receitas com publicidade caíram em quase todos os ramos da mídia, como mostram dados divulgados na semana passada pelo Cenp (Conselho Executivo das Normas-Padrão), entidade que reúne os principais anunciantes, veículos de comunicação e agências de propaganda do país.

O investimento em publicidade no Brasil chegou a R$ 14,21 bilhões em 2020, um valor 19% menor do que o movimentado pelo mercado em 2019, quando R$ 17,54 bilhões foram aplicados na publicidade nacional. A televisão aberta ainda é dona da maior fatia, R$ 7,37 bilhões (51,9% do total), mas perdeu cerca de 20% em comparação com o ano anterior.

De acordo com o relatório, a internet foi o único meio que ampliou sua fatia no bolo publicitário nacional, na comparação com o ano de 2019.

No texto que acompanha a demonstração do balanço, a Globo cita o impacto da pandemia de coronavírus na produção de conteúdo e na transmissão de eventos esportivos.

"Evitar o contato físico é fundamental para conter a propagação do vírus e não existem novelas e séries sem abraços, apertos de mão, beijos, festas, cenas de luta, cenas de amor, cenas de carinho e tudo que reflita a vida real, mas que naquela ocasião, não poderia ser encenada com segurança", diz o grupo.

Mas destaca uma produção que não foi comprometida pela pandemia: "Apesar de tudo isso, o reality show Big Brother Brasil 2020, sucesso de público, continuou normal até o final da temporada, mesmo com a pandemia em curso", registra a empresa.

Um longo trecho destaca o impacto na área de esportes: "A pandemia da Covid-19 comprometeu o calendário de vários eventos esportivos dos quais a Globo detém os direitos de transmissão, fazendo com que os organizadores suspendessem vários eventos".

E prossegue citando eventos que tiveram seus calendários alterados, como os Jogos Olímpicos de Tóquio e a Eurocopa, campeonatos de futebol que foram adiados e competições (F-1, tênis e vôlei) que "cancelaram um número significativo de eventos".

O relatório registra ainda que "o segmento de música foi impactado negativamente devido a vários cancelamentos de shows e eventos ao vivo. No entanto, o negócio de plataformas digitais de música teve um desempenho positivo".

O texto conclui com uma avaliação otimista: "Apesar do período turbulento, a Companhia acredita que as ações implementadas criaram valor para todas as partes interessadas da Companhia - funcionários, clientes, fornecedores e parceiros. Apesar de várias incertezas e quedas de receita, a Globo conseguiu reduzir custos e despesas em termos gerais e gerar fluxo de caixa operacional positivo".

E encerra: "Por conta de uma ampla biblioteca de conteúdos próprios e de terceiros, e talentos do jornalismo, a Globo adaptou rapidamente sua programação e continua transmitindo conteúdo de alta qualidade para todo o país".