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Luciana Bugni

Como Fernanda Venturini: ser contra vacina espalha raiva, burrice e o vírus

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Luciana Bugni

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na "Revista AnaMaria", no "Diário do Grande ABC", no "Agora São Paulo", na "Contigo!" e em "Universa", aqui no UOL. Mora também no Instagram: @lubugni

Colunista do UOL

28/06/2021 11h59

Fernanda Venturini foi a responsável pela semana do brasileiro começar com um pouquinho (mais) de raiva. Um vídeo seu dizendo ser contra a vacina viralizou na noite de domingo. Percebendo que disse besteira, ela negou ter dito o que disse. É, isso mesmo: após ter dito que era contra a vacina, ela chamou os seguidores de ignorantes por pensarem que ela era contra a vacina. Eu quase ouço o barulho daquele emoji de cabeça explodindo depois de escrever essas linhas.

O grande problema das redes sociais: você diz o que quer. E, quando o mundo cai na sua cabeça porque você falou bobagem, tem que pedir desculpas. Apagar vídeo e dizer que não era bem assim não funciona. A internet tem uma memória curta, mas tem prints e vídeos baixados. Resumindo: falou nas redes, alguém fez download e poderá ser usado contra você para sempre. Ah, mas ninguém pode errar? Opa, se pode. Mas aí tem que olhar para o lado, estudar, pensar nas consequências do que disse ou fez e voltar atrás.

Contra a vacina? Como assim?

Parece realmente muito estúpido que alguém seja contra o único jeito de se prevenir efetivamente da pandemia do coronavírus. Até os últimos resistentes do isolamento social perceberam, após um ano e meio, que às vezes é necessário sair de casa. Vacinados, e ainda cumprindo todos os protocolos contra a doença (álcool, máscara e distanciamento), é menor a chance de contrairmos o mal que matou mais de 500 mil de brasileiros e milhões em todo o mundo.

À essa altura, todo mundo conhece alguém que morreu de Covid-19. As dores de tantas tristezas são confortadas pela esperança da vacina. Enquanto não chega a minha vez, renovo a alegria ao ver as fotos de amigos se vacinando nas redes sociais.

Quem não quer se vacinar, ou não entendeu nada disso, ou não se sensibiliza com a morte. Ambas são assustadoras.

O mais curioso é que quem é contra vacina, como Fernanda disse ser antes de dizer que nunca disse isso, geralmente se vacina. Mas com um ar superior de quem está acima de estudos concluídos em tempo recorde, da ciência, das pessoas que não tiveram tempo de tomar a vacina e morreram da doença, do luto e do desespero das famílias. Esse ar de superioridade convence pessoas. Tem gente que deixa de tomar a vacina por conta de discursos arrogantes como esse de Fernanda ("A Pfizer é menos pior", ela diz sobre a vacina que o governo Bolsonaro recusou no ano passado). Cria-se uma falsa ideia entre eles de que são superiores — e que quem diz o contrário disso é ignorante. É, não faz o menor sentido.

Fernanda é contra a vacina, mas está vacinada. Por causa de discursos como o dela, tem gente que se recusa a tomar o imunizante. E isso é um perigo para todo mundo: até para a Fernanda.

É importante silenciar discursos desse tipo na terra sem fronteiras da internet. Pessoas com alcance, como a ex-jogadora de vôlei, não podem difundir opiniões ou informações falsas que vão contra a ciência. É nela em que devemos confiar por amor àqueles que nos cercam e estarão vulneráveis se, intempestivamente, não tomarmos determinada vacina porque ela protege menos que as outras.

Mas se uma marca funciona mais...

Escolher a marca da vacina, nesse momento, é de um egoísmo pouco inteligente. Demorar semanas, dias, horas a mais para se imunizar porque você não confia nesse ou naquele laboratório pode ser fatal. Nos EUA, país em que a vacinação andou rápido no início do ano, 92% das mortes são de pessoas que se recusaram a vacinar. "Ah mas e esses oito porcento?", dizem as Venturinis da internet. Esses 8% querem dizer que morreriam dez vezes menos gente se todo mundo estivesse vacinado. E, vem cá, de onde você acha que eles pegaram? Quem escolhe vacina está por aí espalhando o vírus.

Estamos no meio de 2021, vivendo há 18 meses com essa doença. Não está na hora de parar de duvidar que ela exista e proteger o outro?

E você que está desconfiado da qualidade das vacinas disponíveis, achando que tem que escolher determinada marca para seu próprio benefício... não dá nem um pouquinho de vergonha de ter um discurso parecido com o de Fernanda Venturini?

Eu teria.

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