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Batido, não mexido: como isso influencia (e transforma) o seu coquetel

Misturar ou bater o drinque é mais que um charme, é a garantia de uma combinação perfeita - Getty Images/iStockphoto
Misturar ou bater o drinque é mais que um charme, é a garantia de uma combinação perfeita
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Pedro Marques

Colaboração para o Nossa

22/08/2020 04h00

Depois de "Bond. James Bond", a frase "batido, não mexido" é uma das mais icônicas ditas pelo agente secreto britânico em suas aventuras. É assim que o espião prefere que seu Dry Martini seja preparado. Dessa frase também surge uma das grandes confusões da coquetelaria.

Isso porque a bebida preferida de Bond é chamada de Vesper Martini e foi criada pelo escritor Ian Fleming no livro "Cassino Royale", de 1953. Leva gim, vodca e o aperitivo francês Lillet. Um Dry Martini clássico, por sua vez, tem apenas gim, vermute e uma azeitona ou casca de limão - e nunca deve ser batido.

Por que há drinques batidos ou mexidos?

Drinque mexido - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Misturar, mexer ou bater seu drinque? Tire suas dúvidas
Imagem: Getty Images/iStockphoto

A primeira explicação está no próprio conceito da coquetelaria, que é o conhecimento de combinar duas ou mais bebidas para obter um novo resultado. E existem alguns jeitos mais ou menos eficientes de misturar esses líquidos.

"Basicamente, as técnicas são usadas de acordo com a densidade das bebidas", explica o consultor e barman Rodolfo Bob.

Em uma Cuba Libre ou um Negroni, por exemplo, basta colocar os ingredientes diretamente no copo, porque eles se misturam facilmente. Os bartenders costumam chamar esses drinques de montados e são os mais fáceis de preparar.

Já a técnica de mexer lentamente os líquidos em um recipiente com gelo é escolhida para combinar bebidas translúcidas e evitar que as misturas fiquem aguadas.

Quando quero controlar a estrutura e não ter muita diluição, faço coquetéis mexidos", diz o bartender.

Isso porque movimentos resfriam os drinques e mantêm a textura das bebidas, pois o gelo não se desfaz - Bob indica usar pedras mais sólidas ao fazer bebidas mexidas. A técnica é usada em clássicos como Boulevardier, Manhattan e, claro, Dry Martini.

Coqueteleira - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Coqueteleira é a grande aliada dos drinques mais densos
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Para unir ingredientes mais leves com outros mais espessos, como cremes e licores, porém, a coqueteleira é a solução.

No caso de bebidas com densidades diferentes, faço um coquetel batido, preciso de mais energia para a mistura ficar homogênea", orienta o barman.

Além disso, a agitação deixa o drinque mais líquido (o gelo quebra e derrete) e aerado. Costumam ser coados antes de irem para o copo. Cosmopolitan, Daiquiri e Pisco Sour entram nessa categoria.

Coqueteleira, batender, - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Separe seus equipamentos ideiais para coqueteis perfeitos
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Para comprar

Métodos diferentes pedem equipamentos diferentes. No caso dos coquetéis mexidos, muitos profissionais utilizam uma colher longa e um mixing glass, que é basicamente um copo grande, que comporta bastante gelo e facilita a movimentação dos ingredientes.

Para fazer misturas batidas, existem várias opções de coqueteleiras - as com coador podem facilitar a vida. Mas dá para economizar. Rodolfo Bob recomenda os modelos tipo Boston, compostos por dois copos, um pequeno e outro grande, que faz o papel de mixing glass. "Era assim que se fazia antigamente", diz.