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Ex-Grêmio, Inter e Fla, Gavilán quer voltar ao Brasil. Agora como técnico

Diego Gavilán, ex-jogador com passagem por clubes brasileiros, hoje é treinador do sub-23 do Cerro Porteño - Arquivo Pessoal
Diego Gavilán, ex-jogador com passagem por clubes brasileiros, hoje é treinador do sub-23 do Cerro Porteño Imagem: Arquivo Pessoal

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

25/10/2021 04h00

Poucos jogadores carregam ao mesmo tempo o apreço de gremistas e colorados. Não só pelo futebol que mostraram usando azul ou vermelho, mas também pelo respeito que sempre tiveram com o rival. Um dos casos é Diego Gavilán. Hoje aos 41 anos, o paraguaio, que também passou por Flamengo e Portuguesa no Brasil e disputou duas Copas do Mundo pela seleção, sonha em voltar ao país para trabalhar como técnico e se prepara para aproveitar a "onda estrangeira".

Gavilán é mais lembrado no Sul do que em São Paulo ou Rio de Janeiro. Segundo o ex-jogador, principalmente pelo tempo de trabalho que teve nos clubes de Porto Alegre.

"Minhas passagens por Inter e Grêmio vão ser lembradas sempre na minha memória, e acredito que também ficaram marcadas nos torcedores. A recepção que tive do povo gaúcho foi incrível. Conquistei títulos e sinto que pude deixar uma imagem bonita nesses dois clubes. Já no Flamengo e Portuguesa foram tempos mais curtos de trabalho, mas que também foram importantes para mim", contou, em entrevista ao UOL Esporte.

Sua carreira de volante terminou em 2012, e dois anos depois ele começou uma nova investida. O trabalho de treinador já aponta experiências por Olimpia Itá, Deportivo Capiatá, Sportivo Trinidense e Sol de América, todos no Paraguai, e uma passagem rápida pelo Pelotas, no interior gaúcho. Atuar em um grande clube do Brasil é o objetivo que Gavilán persegue desde já.

"Penso nisso, sim, e muito! Um dos meus objetivos profissionais na carreira é competir como treinador no Brasil novamente. Espero ter essa oportunidade o quanto antes. Admiro muito o futebol que é jogado no Brasil", contou.

O plano é aproveitar a "onda estrangeira". Para entrar na fila dos comandantes de fora do país que estão em atividade por aqui, o antigo marcador está concluindo a licença A da CBF e tem como argumento conhecer bem o futebol brasileiro e sua cultura.

"Tiveram vários treinadores com passagens vitoriosas há alguns anos já e hoje outros trabalhando e tentando ser bem-sucedidos também. Acho que essas vivências continuam abrindo espaço para outros treinadores no Brasil também", explicou.

"Conheço as culturas de cada estado, bem como as especificidades do idioma em cada um deles. Como fiquei muitos anos aqui como jogador e estudo bastante futebol, conheço também muito das características de futebol que cada região gosta", completou.

Hoje ele é treinador do time sub-23 do Cerro Porteño e ganha experiência para um dia ter oportunidade num cenário de maior competitividade no Brasil.

"Atualmente estou no sub-23 do Cerro Porteño trabalhando. Está sendo uma experiência ótima e muito agregadora para mim. Mas paralelamente estou também me capacitando para estar pronto para uma nova experiência a nível internacional, por exemplo", falou.

"Existe uma diferença grande em alguns aspectos importantes no futebol brasileiro, como a estrutura de trabalho que os profissionais têm para trabalhar em alguns clubes, fora a capacidade financeira e as qualidades dos jogadores que aqui estão", sentenciou.

Primeiro paraguaio da Premier League

Diego Gavilá comanda treinamento no time sub-23 do Cerro Porteño - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Depois do início como jogador no Cerro Porteño, Gavilán foi vendido para o Newcastle, da Inglaterra, antes de completar 20 anos. A transferência o transformou no primeiro paraguaio a atuar no Campeonato Inglês. Atualmente, a mesma camisa veste outra promessa do país: Miguel Almirón.

"Na época da ida dele ao Newcastle, sim, cheguei a falar algumas coisas para ele. Não é fácil sair de um clube de menor visibilidade para atuar na maior liga do mundo. Foi uma história parecida com a minha. Hoje o futebol inglês é bem diferente. Tem um estilo de jogo mais apoiado, com mais variedades de estilos de jogo. Na minha opinião isso faz bem para a Premier e para os torcedores que acompanham a liga", contou.

Presente em duas Copas do Mundo e em uma geração repleta de jogadores históricos, como Gamarra, Rivarola, Arce e Chilavert, Gavilán carrega memórias dos feitos como atleta e quer transportar tais experiências para nova função.

"Eu me sinto abençoado em poder ter a oportunidade de poder entrar na seleção do Paraguai com todos esses nomes que você citou. Foram dez anos dentro da seleção paraguaia e duas Copas do Mundo. Essas imagens que vivenciei com eles estão armazenadas na minha memória, e acho que também de todo o meu país. Foram tempos incríveis", contou.

Mas hoje a realidade do futebol paraguaio é outro. A seleção não disputou as duas últimas Copas e está fora da zona de classificação para a próxima.

"Estamos sofrendo muito com a transição de geração de jogadores. Perdemos alguns fatores que na nossa época não acontecia, por exemplo não ser fortes jogando em casa, coisa que na nossa geração era um dos nossos pontos mais fortes", comentou.

Quem sabe, no futuro, uma oportunidade possa aparecer lá para ele também. Antes, o Brasil pode estar no caminho.

"Em algum momento penso, sim, em poder comandar a seleção. Mas acho que isso chega naturalmente para o profissional na nossa área. Não perco a cabeça ou sonho com isso sempre. Acho que a gente tem que fazer o nosso trabalho da melhor forma possível no clube em que trabalhamos, e assim a oportunidade vai surgir. Quando isso acontecer, temos que estar prontos", declarou.

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