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Ceni viveu dias de tensão e incerteza sobre futuro no Fla antes do título

Rogério Ceni dá instruções ao Flamengo durante partida contra o São Paulo na última rodada do Brasileirão 2020 - ALEX SILVA/ESTADÃO CONTEÚDO
Rogério Ceni dá instruções ao Flamengo durante partida contra o São Paulo na última rodada do Brasileirão 2020 Imagem: ALEX SILVA/ESTADÃO CONTEÚDO

Thiago Fernandes

Do UOL, em São Paulo

28/02/2021 04h00

Rogério Ceni viveu dias de tensão antes do título nacional pelo Flamengo. Campeão na última quinta-feira (25), mesmo com a derrota por 2 a 1 para o São Paulo no Morumbi, o técnico chegou à rodada final do Campeonato Brasileiro incerto sobre a sua permanência para a temporada 2021.

Durante a trajetória que levou o time à conquista, ele foi alvo de contestações de torcedores que refletiram internamente no departamento de futebol, embora tenha conseguido bom aproveitamento (66,7%) após substituir Domènec Torrent.

Em meio à disputa da principal competição nacional, o técnico não sentia confiança de que o cargo seria seu na temporada seguinte, independentemente do desfecho da campanha. Ainda que o vice-presidente de futebol Marcos Braz tenha reforçado publicamente o desejo de mantê-lo.

A dificuldade do início do trabalho, quando Rogério Ceni assumiu e viu a equipe ser eliminada pela Libertadores e pela Copa do Brasil, levantou dúvidas sobre seu potencial para comandar o time. A comparação com Jorge Jesus, campeão da Libertadores e do Brasileirão em 2019, que já havia minado o trabalho de Torrent, também surgiu como um fator de instabilidade.

O momento mais crítico para o técnico talvez tenha sido a derrota para o Athletico-PR, em Curitiba, em 24 de janeiro. À época, ele já havia tomado a decisão de recuar Willian Arão para a zaga, uma alteração que daria certo a longo prazo, mas que foi bastante questionada de imediato. Ao mesmo tempo, buscava uma forma ideal de jogo que pudesse ser aplicada por um time que estava longe do preparo físico ideal. Mauro Cezar Pereira, colunista do UOL Esporte, relatou à época que "o entendimento entre os que comandam o futebol do clube era de que o treinador deveria 'respeitar a crise', procurando ser objetivo e até mais conservador."

No fim, Ceni foi adiante com seu "all in" —termo do pôquer para designar a cartada em que o jogador aposta todas as suas fichas, o qual ele usou em sua coletiva após a conquista do título, ainda no Morumbi. Pois Flamengo respondeu positivamente na reta final e ainda contou com tropeços de Inter e São Paulo para ser bicampeão.

A conquista na última rodada agora traz alívio à comissão técnica após a turbulência. Com quase quatro meses de trabalho, o técnico tem a incumbência de iniciar a campanha do Estadual em busca de mais um título, mesmo que o foco rubro-negro seja as grandes competições de 2021. A base da equipe deve ter alguns dias de descanso, com estreia projetada para a quarta rodada do Campeonato Carioca.

Ceni superou problemas no Fla

Ao assumir o Flamengo, Rogério Ceni encontrou alguns problemas no dia a dia. Os dois principais foram os estados físico e anímico do elenco após a passagem de Domènec Torrent. Em pouco mais de três meses de trabalho, ele direcionou suas atividades para remediar essas duas frentes. Ainda assim, viu o time bastante desgastado nas últimas rodadas do campeonato. Por exemplo: precisando do resultado contra o São Paulo, o técnico se viu obrigado a substituir Gabigol no segundo tempo. O artilheiro não tinha condições de jogar os 90 minutos.

O técnico também modernizou alguns aspectos do departamento de futebol. Ele e sua comissão técnica passaram a filmar as atividades que acontecem no Ninho do Urubu e deixam os trabalhos registrados e arquivados no clube. A intenção é que um possível sucessor esteja alimentado de informações sobre o plantel que terá à disposição.

Rogério Ceni tem contrato com o Flamengo até dezembro de 2021. Ele foi contratado pelo clube em 10 de novembro passado, quando deixou o Fortaleza.

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