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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Tóquio tem algoz do Palmeiras e até desempregado como veteranos no futebol

Daniel Alves ocupa uma das vagas sem limite de idade do Brasil em Tóquio - Lucas Figueiredo/CBF
Daniel Alves ocupa uma das vagas sem limite de idade do Brasil em Tóquio Imagem: Lucas Figueiredo/CBF
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

21/07/2021 04h00

A expectativa era que o torneio olímpico masculino de futebol dos Jogos de Tóquio-2020 conseguisse levar aos gramados japoneses vários astros do primeiro escalão da bola, como os brasileiros Marquinhos e Neymar, o egípcio Mohamed Salah e o zagueiro espanhol Sergio Ramos.

Mas a realidade é completamente diferente. A competição, que começa amanhã, nem preencheu todas as vagas destinadas originalmente para jogadores sem limite de idade e terá um monte de rostos pouco conhecidos no lugar que poderia ser ocupado por esses grandes astros.

Apenas dez seleções inscreveram na Olimpíada todos os três jogadores nascidos antes de 1º de janeiro de 1997 que o regulamento permitia. África do Sul, Argentina, Austrália e Romênia optaram por levar à Ásia times com apenas um veterano com mais de 24 anos.

E, talvez com exceção do anfitrião Japão e da Costa do Marfim, quase nenhum país conseguiu reforçar seu elenco olímpico com os jogadores que eram realmente o "plano A" de suas comissões técnicas.

O Brasil, por exemplo, desejava ter em Tóquio o goleiro Weverton, o zagueiro Marquinhos e o atacante Neymar. Como convocá-los não foi possível, teve de se contentar com dois jogadores quase sem história na seleção (Santos e Diego Carlos) e com um veterano na reta final da carreira, Daniel Alves, que decidiu jogar o torneio por satisfação pessoal.

A Alemanha, adversária de estreia dos pentacampeões mundiais, não é muito diferente. Mesmo sendo a nação de astros do porte de Manuel Neuer, Thomas Müller e Joshua Kimmich, vai encarar a Olimpíada com três veteranos que juntos somam apenas 20 partidas pela seleção principal.

As convocações "alternativas" estão ligadas à dificuldade encontrada pelas seleções de conseguir a liberação dos jogadores para os Jogos Olímpicos. Como a competição não faz parte do calendário oficial da Fifa, os clubes não são obrigados a acatar convocações e ceder seus atletas.

Se isso já complica a ida de alguns garotos para o torneio (vide o veto imposto pelo Flamengo à presença do atacante Pedro), imagina o que acontece quando o atleta desejado é um nome já consolidado no futebol adulto e protagonista do seu clube...

Por isso, várias seleções tiveram de recorrer a mecanismos incomuns para conseguir levar veteranos para Tóquio. A França, por exemplo, convocou dois jogadores que atuam no México (André-Pierre Gignac, algoz do Palmeiras no último Mundial de Clubes, e Florian Thauvin) porque times de lá estavam mais receptivos a liberar jogadores do que os europeus.

O Egito também não pode recorrer aos astros que atuam na Europa, como Salah e Mohamed Elneny (Arsenal). Por isso, chamou destaques de times do próprio país ou que atuam no Oriente Médio.

Já a Romênia foi ainda mais longe. Seu único atleta com mais de 24 anos, o lateral esquerdo Florin Stefan, só foi convocado porque atualmente está desempregado. Ou seja, não precisava do aval de nenhum empregador para se juntar à seleção.

O torneio olímpico masculino de futebol começa amanhã e reúne 16 seleções divididas em quatro grupos. A final está marcada para o dia 7 de agosto e será disputada no estádio Internacional de Yokohama, o mesmo que recebeu a decisão da Copa do Mundo-2002.

Ao longo de 120 anos de história da modalidade no programa olímpico, 19 seleções diferentes já conquistaram a medalha de ouro. O Brasil se juntou à lista na Rio-2016 e é o atual campeão. Hungria e Reino Unido, com três títulos cada, são os maiores vencedores.

Quem são os reforços das seleções de Tóquio-2020?

ÁFRICA DO SUL
Ronween Williams (G, 29 anos, Supersport United)

ALEMANHA
Max Kruse (A, 33 anos, Union Berlim)
Maximilian Arnold (M, 27 anos, Wolfsburg)
Nadiem Amiri (MA, 24 anos, Bayer Leverkusen)

ARÁBIA SAUDITA
Yasser Al-Shahrani (M, 29 anos, Al-Hilal)
Salem Al-Dawsari (A, 29 anos, Al-Hilal)
Salman Al-Faraj (M, 31 anos, Al-Hilal)

ARGENTINA
Jeremías Ledesma (G, 28 anos, Cádiz-ESP)

AUSTRÁLIA
Mitchell Duke (A, 30 anos, Western Sidney Wanderers)

BRASIL
Daniel Alves (LD, 38 anos, São Paulo)
Diego Carlos (Z, 28 anos, Sevilla-ESP)
Santos (G, 31 anos, Athletico-PR)

COREIA DO SUL
Hwang Ul-jo (A, 28 anos, Bordeaux-FRA)
Kwon Chang-hoon (M, 27 anos, Suwon Samsung Bluewings)
Park Ji-soo (Z, 27 anos, Gimcheon Sangmu)

COSTA DO MARFIM
Eric Baily (Z, 27 anos, Manchester United-ING)
Frank Kessié (M, 24 anos, Milan-ITA)
Max Gradel (A, 33 anos, Sivasspor-TUR)

EGITO
Ahmed Hegazy (Z, 30 anos, Al-Ittihad-ARA)
Mahmoud Hamdy (Z, 26 anos, Zamalek)
Mohamed El Shenawy (G, 32 anos, Al-Ahly)

ESPANHA
Dani Ceballos (M, 24 anos, Real Madrid)
Marco Asensio (MA, 25 anos, Real Madrid)
Mikel Merino (V, 25 anos, Real Sociedad)

FRANÇA
André-Pierre Gignac (A, 35 anos, Tigres-MEX)
Florian Thauvin (MA, 28 anos, Tigres-MEX)
Téji Savanier (M, 29 anos, Montpellier)

HONDURAS
Brayan Moya (A, 28 anos, Primeiro de Agosto-ANG)
Jonge Benguché (A. 25 anos, Boavista-POR)

JAPÃO
Hiroki Sakai (LD, 31 anos, Urawa Red Diamonds)
Maya Yoshida (Z, 32 anos, Sampdoria-ITA)
Wataru Endo (M, 28 anos, Stuttgart-ALE)

MÉXICO
Guillermo Ochoa (G, 36 anos, América)
Henry Martín (A, 28 anos, América)
Luis Romo (M, 26 anos, Cruz Azul)

NOVA ZELÂNDIA
Chris Wood (A, 29 anos, Burnley-ING)
Winston Reid (Z, 33 anos, West Ham-ING)

ROMÊNIA
Florin Stefan (LE, 25 anos, sem clube)