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Rafael Reis

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Por onde andam os campeões olímpicos com a seleção no futebol da Rio-2016?

Brasil é o atual campeão olímpico no futebol masculino - Divulgação
Brasil é o atual campeão olímpico no futebol masculino Imagem: Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

20/07/2021 04h00

Cinco anos depois de conquistar pela primeira vez a medalha de ouro do torneio olímpico masculino de futebol, o Brasil inicia na quinta-feira a briga pelo bicampeonato da competição poliesportiva mais importante do planeta.

Curiosamente, o adversário de estreia da equipe canarinho em Tóquio-2020 será exatamente o mesmo da decisão da Rio-2016: a Alemanha.

Nenhum dos jogadores envolvidos naquela final, vencida pelo Brasil nos pênaltis, após empate por 1 a 1 nos 120 minutos de tempo normal e prorrogação, irá a campo nesta semana no estádio Internacional de Yokohama.

Então, o que será que eles estão fazendo atualmente da vida? O "Blog do Rafael Reis" localizou o paradeiro de todos os campeões olímpicos com a seleção brasileira e mostra como ficaram suas carreiras depois da festejada conquista dourada.

Por Onde Andam: Brasil-2016?

Weverton (G, 33 anos): Um dos três jogadores acima dos 23 anos convocados em 2016, o goleiro viu sua carreira se transformar depois do ouro olímpico. Weverton trocou o Atlético-PR pelo Palmeiras e virou ídolo do clube pelo qual já conquistou quase todos os títulos possíveis: Brasileiro (2018) e Paulista, Copa do Brasil e Libertadores (2020). Ele também se firmou como terceiro goleiro da seleção principal e tem tudo para disputar o Mundial do Qatar no próximo ano.

Zeca (LD, 27 anos): Apesar de ter atuado como lateral esquerdo durante a maior parte da carreira, o defensor jogou pela direita na campanha olímpica. Depois dos Jogos do Rio, Zeca já trocou de clube três vezes, mas não conseguiu se firmar como um nome do primeiro escalão da posição. Em 2018, deixou o Santos, seu clube formador, para jogar no Internacional. Depois, foi emprestado ao Bahia. E, na atual temporada, está disputando a Série B do Brasileiro pelo Vasco.

Rodrigo Caio (Z, 27 anos): Visto ainda com desconfiança cinco anos atrás, o zagueiro revelado no São Paulo e que hoje defende o Flamengo se tornou um dos principais nomes de sua posição no futebol nacional, ganhou dois títulos brasileiros, foi campeão da Libertadores e frequentemente é convocado para a seleção adulta. Rodrigo Caio esteve na última rodada das eliminatórias da Copa do Mundo-2022 e já vestiu a amarelinha em cinco oportunidades.

Marquinhos (Z, 27 anos): O camisa 4 do time olímpico cresceu tanto desde os Jogos Olímpicos passados que se transformou em um dos melhores e mais respeitados zagueiros do mundo na atualidade. Marquinhos não só é titular absoluto da seleção principal, como veste também a braçadeira de capitão do Paris Saint-Germain, equipe pela qual já venceu seis títulos franceses e disputou uma final de Liga dos Campeões da Europa.

Renato Augusto (M, 33 anos): Outro dos veteranos a que o Brasil recorreu cinco anos atrás, o meia foi à Copa-2018, mas depois desapareceu da seleção. Oficialmente, Renato Augusto ainda é jogador do Beijing Guoan, mas ele nem foi à China neste ano e disputou sua última partida oficial em novembro passado. Atualmente, seu estafe tem tentado antecipar o fim do contrato do jogador (que vai até dezembro) para que ele possa reforçar Corinthians ou Flamengo na sequência desta temporada.

Douglas Santos (LE, 27 anos): Quando foi campeão olímpico, o lateral esquerdo estava "voando" no Atlético-MG. Depois da conquista, acabou contratado pelo Hamburgo. Só que a passagem pela Alemanha ficou marcada pela tristeza do rebaixamento para a segunda divisão da Bundesliga, em 2018. No ano seguinte, Douglas Santos se mudou para o Zenit São Petersburgo e reconstruiu a carreira na Rússia. Nas duas últimas temporadas, o brasileiro até disputou a Champions.

Luan (MA, 28 anos): Peça importante na conquista da medalha de ouro, Luan parecia ser um daqueles jogadores que se mudariam para a Europa e explodiriam por lá. Essa impressão só aumentou em 2017, quando ele levou o Grêmio à conquista da Libertadores e foi eleito o craque da competição. Mas esse foi seu auge. Depois, o meia-atacante viu sua produção desabar e sumiu do radar dos times do Velho Continente. A solução foi se transferir para o Corinthians, onde vive uma relação de (pouco) amor e (muito) ódio com a torcida.

Rafinha (M, 28 anos): O irmão de Thiago Alcântara, astro do Liverpool e da seleção espanhola, substituiu Gabriel Jesus na prorrogação da decisão contra a Alemanha e foi um dos jogadores que converteram pênaltis na disputa que definiu o campeão olímpico. Criado no Barcelona, Rafinha não conseguiu se firmar na Catalunha e foi emprestado a Celta de Vigo e Inter de Milão. Desde a temporada passada, Rafinha faz parte do elenco do PSG, ainda que não seja das opções preferidas do técnico Mauricio Pochettino.

Gabigol (A, 24 anos): Uma das atrações da conquista do ouro olímpico, o atacante foi negociado pelo Santos com a Inter de Milão logo após a competição. Só que Gabigol fracassou na Europa (também defendeu o Benfica) e retornou ao Brasil em 2018. E aí sua carreira realmente deslanchou. O atacante ganhou as duas últimas edições da Série A pelo Flamengo e também foi artilheiro da Libertadores em 2019. O sucesso no futebol nacional lhe valeu neste ano o retorno à seleção principal. Gabigol disputou a última rodada das eliminatórias e a Copa América.

Neymar (MA, 29 anos): O camisa 10 do time olímpico e responsável pela última cobrança de pênalti contra a Alemanha continua sendo o jogador brasileiro mais importante e badalado de sua geração. Nos últimos cinco anos, Neymar trocou o Barcelona pelo PSG, virou o atleta de futebol mais caro de todos os tempos e tem tentado levar a equipe francesa ao topo da Europa. O título da Champions dos parisienses e o prêmio de melhor jogador do mundo, no entanto, ainda são sonhos não realizados pelo craque.

Gabriel Jesus (A, 24 anos): Titular durante a campanha olímpica, o atacante construiu uma carreira sólida na seleção principal e até disputou a última Copa do Mundo. No Manchester City, clube que defende desde 2017, Gabriel Jesus já participou de 195 partidas e marcou 82 gols. Porém, nunca conseguiu ir além do posto de reserva de luxo. Até por isso, pode ser negociado nesta janela de transferências. A Juventus é um dos times interessados em contratá-lo.

Walace (V, 26 anos): Apesar de titular do Brasil em 2016, o volante tem construído uma carreira bem discreta no exterior. Walace foi rebaixado para a segundona alemã com o Hamburgo, jogou uma temporada no Hannover e, há dois anos, transferiu-se para a Udinese. Mesmo titular na Itália, viu nas últimas semanas seu nome ser envolvido em rumores de uma possível volta ao país para retornar ao Grêmio ou jogar no Flamengo.

William (L, 26 anos): Um dos jogadores mais polivalentes da seleção olímpica, o lateral direito, que pode jogar na esquerda e quebrar o galho como meio-campista e até na ponta, vive um momento terrível. Sem espaço no Wolfsburg, foi emprestado ao Schalke 04 na temporada passada e terminou o último Campeonato Alemão como lanterna da competição. Para completar, sofreu em maio uma grave lesão no joelho e não deve mais voltar a jogar em 2021.

Luan Garcia (Z, 28 anos): Revelado no Vasco, o zagueiro não se transferiu para o exterior e nem virou um jogador daqueles que fazem parte da órbita da seleção principal (disputou só um amistoso em 2017). Luan está na quinta temporada pelo Palmeiras e já foi campeão estadual, brasileiro e continental pelo clube alviverde. Titular do time de Abel Ferreira, recupera-se atualmente de uma lesão muscular na panturrilha.

Rodrigo Dourado (V, 27 anos): Um dos poucos jogadores da seleção olímpica que não mudaram de clube desde a conquista na Rio-2016, o volante gaúcho ainda defende as cores do Internacional, o único time de sua carreira como profissional. Ainda que já tenha vivido fases tecnicamente superiores à atual, Dourado continua sendo peça importante para o Colorado e normalmente usa a braçadeira de capitão da equipe.

Thiago Maia (V, 24 anos): O volante do Flamengo é tão jovem que ainda teria idade para disputar os Jogos Olímpicos deste ano. No entanto, Thiago Maia quase não tem ido a campo nesta temporada. Ele sofreu uma lesão de ligamento no joelho em dezembro passado e só voltou a jogar no fim do mês passado. Agora, tenta recuperar a melhor forma técnica para cair nas graças do técnico Renato Gaúcho.

Felipe Anderson (MA, 28 anos): Utilizado no segundo tempo da final contra a Alemanha, o meia-atacante chegou a viver grandes momentos na Europa e até entrou na mira do poderoso Manchester United. Mas a última temporada foi bem decepcionante, e Felipe Anderson "morou" no banco de reservas do Porto. Em baixa, o meia-atacante acabou de ser recontratado pela Lazio, clube que já havia defendido entre 2013 e 2018, para tentar dar uma volta por cima na Itália.

Uilson (G, 27 anos): Nome menos conhecido da convocação brasileira, o goleiro reserva teve apenas algumas poucas oportunidades no Atlético-MG, time onde iniciou a carreira, até ser dispensado no começo de 2020. Desde o ano passado, ele faz parte do elenco do Coimbra, equipe que vem crescendo no cenário mineiro nas últimas temporadas.

Rogério Micale (52 anos): Antes de levar o Brasil à conquista do ouro olímpico, o treinador tinha uma carreira quase que exclusivamente dedicada ao trabalho nas categorias de base. Depois do título, Micale passou a se aventurar no futebol adulto, mas não obteve muito sucesso. Ele passou por Atlético-MG, Paraná e Figueirense. Seu trabalho mais recente foi no Al-Hilal, entre fevereiro e maio.