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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Craque da Copa América, Messi criou 55% dos gols da Argentina no último ano

Lionel Messi é o grande nome desta edição da Copa América - Buda Mendes/Getty Images
Lionel Messi é o grande nome desta edição da Copa América Imagem: Buda Mendes/Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

09/07/2021 04h00

Assim como qualquer outro técnico de futebol que estivesse no comando da seleção, Tite sabe perfeitamente qual é o caminho para o Brasil derrotar a Argentina, amanhã, às 21h (de Brasília), no estádio do Maracanã, e conquistar o título da Copa América.

"Não deixem Messi jogar", deve ter gritado bastante o treinador gaúcho para seus jogadores, durante a preparação da equipe pentacampeã mundial para a decisão da competição continental.

A preocupação não é nada exagerada. Ao longo do último ano, nada menos que 55% dos gols marcados pela Argentina nasceram de finalizações ou passes do vencedor de seis prêmios de melhor jogador do planeta.

A marca é maior que a das outras seleções importantes no cenário internacional que são famosas por dependerem demais de um único craque.

O Brasil, por exemplo, teve metade dos seus gols nesse período nascidos da genialidade de Neymar. Robert Lewandowski, o vencedor do último "The Best", produziu 37% dos tentos da Polônia. E Cristiano Ronaldo, 32,4% dos de Portugal.

Nos últimos 12 meses, Messi disputou 12 partidas com a camisa da Argentina. Ele balançou as redes seis vezes e distribuiu cinco passes para seus companheiros marcarem. Ou seja, participou ativamente de 11 dos 20 gols anotados pela seleção nesse ano.

Durante a Copa América, essa relação de dependência entre os hermanos e seu camisa 10 ficou ainda mais forte. Apenas dois dos 11 tentos anotados pelo time de Lionel Scaloni na competição não saíram de chutes ou passes do craque (e, mesmo assim, ele participou de ambas as jogadas).

Não à toa, o capitão argentino é o artilheiro (quatro gols) e também o maior garçom (cinco assistências) do torneio que reúne as seleções filiadas à Conmebol.

Aos 34 anos e ainda buscando seu primeiro título com a camisa da seleção principal da Argentina, Messi vive um momento decisivo em sua carreira. O contrato com o Barcelona, único time que defendeu na carreira como profissional, terminou na virada do mês.

Ainda que o presidente do clube catalão, Joan Laporta, tenha dito no começo da semana que "corre tudo bem" com a renovação do craque, o veterano tem uma proposta milionária em mãos para se juntar ao Paris Saint-Germain.

O futuro de Messi será conhecido depois da Copa América. Só não se sabe ainda se logo após o encerramento da competição ou durante as próximas semanas.

A seleção brasileira é a atual campeã sul-americana. Em 2019, o time de Tite também decidiu o título no Maracanã e derrotou o Peru por 3 a 1. Já os argentinos, que conquistaram o título pela última vez em 1993, estiveram na decisão em 2015 e 2016. Mas, nas duas ocasiões acabaram perdendo nos pênaltis para o Chile.

Originalmente, a Copa América era para ter sido realizada no ano passado e compartilhada entre duas sedes, Argentina e Colômbia. Por conta da pandemia da covid-19, o torneio foi adiado em 12 meses.

No fim de maio, já perto da bola rolar, os dois países que a receberiam competição anunciaram à Conmebol que não pretendiam mais organizá-la.

Mesmo com altos números de contaminados e mortos pelo coronavírus e enfrentando forte rejeição da opinião pública, o governo Jair Bolsonaro (sem partido) ofereceu o Brasil para ser sede mais uma vez.

Questão de dependência

Messi criou 55% dos gols da Argentina no último ano
Neymar criou 50% dos gols do Brasil no último ano
Lewandowski criou 37% dos gols da Polônia no último ano
Cristiano Ronaldo criou 32,4% dos gols de Portugal no último ano