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Rafael Reis

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Por que Jorginho, destaque da Euro, optou pela Itália, e não pelo Brasil?

Jorginho nasceu no Brasil, mas tem brilhado pela seleção italiana - Getty Images
Jorginho nasceu no Brasil, mas tem brilhado pela seleção italiana Imagem: Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

06/07/2021 04h00

Jorginho está nas nuvens. O volante de 29 anos conquistou há pouco mais de um mês a Liga dos Campeões e agora está a duas partidas de também colocar o título da Eurocopa no currículo.

Suas boas atuações com as camisas do Chelsea e da seleção italiana, que enfrenta a Espanha às 16h (de Brasília) de hoje, no estádio de Wembley, em Londres (Inglaterra), por vaga na final do torneio continental, têm deixado os torcedores brasileiros divididos.

Ao mesmo tempo em que eles ficam felizes de ver mais um compatriota brilhando no primeiro escalão do futebol mundial, bate aquela tristeza ao imaginar que o camisa 8 da Azzurra poderia estar ao lado de Casemiro no meio-campo do Brasil.

E, então, fatalmente aparece a pergunta: por que será que Jorginho optou por defender a Itália e não aguardou uma convocação da seleção do país onde nasceu?

Natural de Imbituba, uma cidade no litoral sul de Santa Catarina, e descendente de italianos pela família paterna, o volante do Chelsea jamais jogou profissionalmente no Brasil. Ele se mudou com a família para a Itália quando tinha 15 anos e construiu na Europa toda a sua trajetória nos gramados.

A bem da verdade, jogar pela seleção pentacampeã mundial nunca foi visto como uma possibilidade real para Jorginho. Por isso, defender a Azzurra acabou sendo uma consequência natural da carreira que vinha construindo.

"Como a Itália abriu as portas para mim, eu não podia fechar. Pesou muito essa questão de ter vindo bem cedo", resumiu o jogador sobre sua escolha, em entrevista concedida à ESPN, três anos atrás.

Jorginho estreou pela seleção principal em março de 2016, depois de dois anos jogando no Napoli. Na época, seu nome ainda era pouco conhecido aqui no Brasil, e a equipe comanda por Dunga costumava utilizar Fernandinho, Luiz Gustavo e Renato Augusto no setor de meio-campo.

Em cinco anos de Azzurra, o catarinense já disputou 33 partidas oficiais e marcou cinco gols. Na Eurocopa, é um dos homens de confiança de Roberto Mancini e foi escalado como titular até mesmo na partida em que o técnico levou a campo uma equipe quase inteira reserva, contra Gales, ainda na fase de grupos.

De acordo com o site "WhoScored?", especialista nas estatísticas do futebol, Jorginho é dono do sétimo melhor passe do torneio continental (94,1% de acerto) e o segundo jogador da Itália que mais toca na bola (média de 77,4 passes por partida).

A segunda semifinal da Eurocopa, entre Inglaterra e Dinamarca, será disputada amanhã, nos mesmos horário e local da partida de hoje. A sucessora de Portugal no posto de melhor seleção do Velho Continente será conhecida no domingo, também em Wembley.

Originalmente, o torneio era para ter sido disputado no meio do ano passado. No entanto, a pandemia da covid-19 fez com que ele fosse adiado em 12 meses.

A novidade desta edição é que não há uma sede fixa. Para comemorar os 60 anos do continental, a Uefa decidiu realizar a competição em 11 cidades espalhadas por 11 países diferentes (alguns que nem classificaram suas seleções).

Além da Inglaterra, sede de toda a reta final, a Euro-2020 (sim, ela manteve esse nome mesmo com o adiamento da data) também passou por Itália, Azerbaijão, Dinamarca, Alemanha, Escócia, Espanha, Hungria, Holanda, Romênia e Rússia.