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Rafael Reis

Há um mês em Portugal, jogador mais rico do mundo não joga e nem tem camisa

Faiq Bolkiah, do Marítimo, é o jogador de futebol mais rico do mundo - Efe
Faiq Bolkiah, do Marítimo, é o jogador de futebol mais rico do mundo Imagem: Efe
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

24/10/2020 04h00

Faiq Bolkiah tem uma fortuna de US$ 20 bilhões (R$ 132,8 bilhões) e é o jogador profissional de futebol mais rico do mundo. Mas seu grande desejo é ser conhecido pela bola que joga, não pelo patrimônio que possui.

Por isso, na última janela de transferências, o meia-atacante trocou o Leicester, onde nunca chegou a disputar uma partida com a equipe adulta, pelo Marítimo, que participa a primeira divisão portuguesa.

Mas, um mês depois de desembarcar na Ilha da Madeira, a situação do bilionário não é muito diferente daquela que ele vivia na Inglaterra: Bolkiah não estreou, inexiste no elenco disponibilizado pelo site oficial do clube e ainda nem recebeu um número de camisa.

Apesar de treinar ao lado de todos os companheiros desde o primeiro dia e de ter sido inscrito em todas as competições do Marítimo, o meia-atacante parece estar passando por um período de observação na nova equipe. Até hoje, o técnico Lito Vidigal sequer o relacionou para ficar no banco de reservas.

"É um jogador jovem. Tem algum potencial, mas também muitos aspectos a melhorar. Se entender o projeto no qual está inserido, é alguém que pode nos ajudar. Todos os atletas têm coisas positivas a acrescentar ao elenco", disse o treinador, no fim de setembro, logo após conhecer o reforço.

Apesar de já ter 22 anos e de ter passado pelas categorias de base de times do primeiro escalão do futebol mundial durante a adolescência (Arsenal e Chelsea), Bolkiah jamais disputou uma partida oficial de clubes como profissional.

Suas únicas aparições no futebol dos adultos foram os seis jogos que disputou até hoje pela seleção de Brunei, onde não só vai a campo como também usa a braçadeira de capitão.

Qualidade técnica aparte, o meia-atacante do Marítimo faz parte da família que manda no país de 460 mil habitantes, localizado no Sudeste Asiático e com grandes e valiosas reservas de petróleo e gás natural.

Ele é filho de Jefri Bolkiah, que é príncipe e foi ministro da Economia durante 12 anos, e sobrinho de Hassanal, sultão bruneano desde 1968, que chegou a contratar Michael Jackson para cantar em seu aniversário de 50 anos —um evento público que reuniu 60 mil pessoas.

Por isso, mesmo com uma carreira ainda incipiente nos gramados, tem muito mais dinheiro que qualquer outro jogador. De acordo com o blog "FinanceFR", sua fortuna é 43 vezes mais que a de Cristiano Ronaldo, o número dois na lista dos futebolistas mais ricos do planeta.

Sem usar seu reforço mais midiático, o Marítimo vem fazendo um belo início de Campeonato Português para quem passou boa parte da temporada passada lutando contra o risco de rebaixamento.

A equipe de Funchal entrou na quinta rodada da competição ocupando o sétimo lugar, com seis pontos, metade do acumulado pelo Benfica, que tem 100% de aproveitamento e lidera a corrida pela taça.

Além disso, o Marítimo, que visita amanhã o Moreirense, tem o artilheiro do país de CR7 em 2020/21: o atacante brasileiro Rodrigo Pinho (ex-Madureira e Bangu).