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Crise? Campeonato Brasileiro é o que mais gasta com reforços fora da Europa

Nathan, do Atlético-MG, foi a contratação mais cara do futebol brasileiro nesta janela - Divulgação/Mineirão
Nathan, do Atlético-MG, foi a contratação mais cara do futebol brasileiro nesta janela Imagem: Divulgação/Mineirão
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

27/09/2020 04h00

Quantas vezes você ouviu ao longo dos últimos meses que a pandemia do coronavírus (Covid-19) arrebentou as finanças dos clubes brasileiros e tornou difícil o cumprimento até mesmo de obrigações cotidianas, como o pagamento de salários dos jogadores e comissões técnicas?

É óbvio que os meses sem futebol e a proibição da presença de torcedores nos estádios impactaram a vida econômica dos times do país pentacampeão mundial de futebol. Mas eles bem que parecem ter uma espécie de "caixa dois" exclusivo para investir em reforços.

De acordo com levantamento feito pelo "Transfermarkt", site especializado na cobertura do Mercado da Bola, a primeira divisão do Campeonato Brasileiro é a liga nacional fora da Europa que mais gastou em contratações na janela de transferência de 2020/21.

Ainda segundo a plataforma, os 20 clubes da Série A torraram juntos 21,8 milhões de euros (R$ 141 milhões) na chegada de novos jogadores durante os últimos meses. Somente 14 competições do Velho Continente colocaram mais dinheiro na compra de direitos econômicos ou empréstimos de atletas no período.

Nem mesmo países que estão acostumados a tirar jogadores das equipes do Brasil, como China (21,3 milhões de euros ou R$ 137 milhões), Qatar (14 milhões de euros ou R$ 91 milhões) e Arábia Saudita (20,5 milhões de euros ou R$ 133 milhões), gastaram mais que a elite tupiniquim.

Vale lembrar que todas essas nações tradicionalmente têm janelas de transferências de janeiro/fevereiro mais expressivas que a de junho/julho/agosto/setembro, oposto do que acontece nos maiores campeonatos da Europa.

O principal responsável por alavancar os gastos brasileiros nesta edição do Mercado da Bola é o Atlético-MG. Para satisfazer a ambição do técnico argentino Jorge Sampaoli, os mineiros investiram 11,5 milhões de euros (R$ 74,4 milhões) em nomes como Keno, Júnior Alonso e Alan Franco.

Mesmo protagonista da maior gastança não-europeia desta janela, a Série A é a segunda competição do planeta com melhor "balança comercial" em 2020/21.

Na subtração entre os valores arrecadados com vendas e gasto com reforços, os times brasileiros registraram lucro de 100,8 milhões de euros (R$ 652,1 milhões). Apenas a Championship, a badalada segunda divisão da Inglaterra, ostenta um resultado econômico melhor: 148 milhões de euros (R$ 957,6 milhões).

Na atual temporada, a maior venda feita por uma equipe nacional foi feita pelo Grêmio: a ida de Éverton Cebolinha para o Benfica por 20 milhões de euros (R$ 129,4 milhões). Já a compra mais "rica" foi a de Nathan (ex-Chelsea), que custou 3 milhões de euros (R$ 19,4 milhões) ao Atlético-MG.

O valor gasto com reforços pelos clubes brasileiros deve ter um novo "boom" nas próximas semanas. Afinal, a janela nacional para a contratação de jogadores que estão atualmente no exterior reabre em 13 de outubro e permanecerá até o dia 9 de novembro.

LIGAS NACIONAIS NÃO-EUROPEIAS MAIS GASTONAS DA JANELA
1 - Campeonato Brasileiro: 21,8 milhões de euros
2 - Campeonato Chinês: 21,3 milhões de euros
3 - Campeonato Saudita: 20,5 milhões de euros
4 - Campeonato Qatariano: 14 milhões de euros
5 - MLS (Major League Soccer): 13,8 milhões de euros
6 - Campeonato dos Emirados Árabes: 5,3 milhões de euros
7 - Campeonato Sul-Coreano: 5 milhões de euros
8 - Campeonato Argentino: 2,4 milhões de euros
9 - Campeonato Mexicano: 2 milhões de euros
10 - Campeonato Chinês (2ª divisão): 1,5 milhão de euros

Fonte: Transfermarkt