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Atlético-MG atrasa pagamentos e fecha o ano na luta para evitar queda

Elenco do Atlético-MG sofre com atrasos salariais em 2019 - Bruno Cantini/Divulgação/Atlético-MG
Elenco do Atlético-MG sofre com atrasos salariais em 2019 Imagem: Bruno Cantini/Divulgação/Atlético-MG

Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

18/10/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Austeridade priorizada em discurso de presidente do Atlético-MG não é seguida à risca
  • Clube deve até dois meses de salários e encontra problemas para quitar algumas dívidas
  • Diretoria vai atrás de recursos para deixar as contas em dia, e já até conseguiu pagar débitos antigos com outros clubes
  • Em campo, o Galo também vive momento difícil. O time luta contra o rebaixamento no Brasileirão 2019

Sérgio Sette Câmara, presidente do Atlético-MG, adotou o discurso de austeridade desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2018. A cada entrevista, o mandatário reforça a necessidade de redução de gastos. No entanto, na prática, a ideia não é seguida à risca. O clube acumula dívidas e tem dificuldades para manter os salários em dia. Para piorar, a fase em campo só piora e o time começa a se preocupar para não cair à Série B ao fim deste ano.

O UOL escutou jogadores, agentes e assessores nos últimos meses e todos relatam que há atrasos sistemáticos do pagamento de salários. Atletas relatam até dois meses sem receber seus vencimentos. Há reclamações também sobre os direitos de imagem. Até funcionários do departamento médico conviveram com atrasos por um período. A postura padrão do departamento de comunicação é não se manifestar sobre assuntos envolvendo as finanças.

No entanto, este não é o único problema financeiro enfrentado pelo Atlético em 2019. O clube atrasou parcelas da compra de Yimmi Chará. Ao menos duas delas, avaliadas em um milhão de dólares (R$ 4,16 milhões) cada, não foram pagas ao Junior Barranquilla, da Colômbia. O caso foi levado à Fifa, mas os mineiros negociam um novo parcelamento.

Aconteceu algo semelhante na compra de Guga. O Galo propôs pagar R$ 7,5 milhões em três parcelas. Na segunda prestação, o time não pagou o valor combinado e teve que renegociá-lo. Porém, também não quitou o acordo de renegociação no prazo estipulado, conforme a diretoria do Avaí, ex-equipe do lateral direito. Os mineiros pagaram o montante em juízo devido a uma ação contra os catarinenses.

Os atrasos constantes contrastam com o discurso adotado frequentemente por Sérgio Sette Câmara. Avesso às aparições públicas, ele se manifestou sobre a ideia de austeridade em maio passado, no lançamento do novo uniforme. Na ocasião, reforçou a necessidade de economizar e reduzir os gastos na Cidade do Galo.

"Nós temos que entender que estamos em uma situação diferente no Brasil. Não existe irresponsabilidade. A questão de montar time por montar, sem os recursos necessários para isso, já foi o tempo. Nós temos que encontrar formas de reforçar o nosso time de maneira criativa, mas com muita responsabilidade. A torcida fica chateada muitas vezes, porque o resultado não acontece, mas o trabalho que estamos fazendo é um trabalho que vai render frutos com certeza. Estamos pensando no Atlético para o futuro. Achar o equilíbrio entre montar um time de qualidade e botar as contas em dia não é fácil. Eu acredito que muito em breve haverá uma separação muito clara do joio e do trigo", comentou.

Em meio à crise, o clube vai atrás de parceiros para quitar os débitos que possui. No fim do mês passado, o diretor de futebol Rui Costa falou sobre o tema:

"O salário atrasado não influencia no desempenho, absolutamente não. Eu quero deixar bem claro isso. Eu quero dar outra informação para o torcedor do Galo. Nunca recebi qualquer mensagem de grupo de atletas reclamando de atrasos de salários. O nosso grupo não reclama de salários atrasados. Temos uma pendência pontual, temos uma questão de imagem. O presidente fez uma viagem para buscar recursos para o clube ao lado do nosso CEO para que isso seja diminuído", comentou Rui Costa em entrevista coletiva na Cidade do Galo.

Apesar dos problemas financeiros recentes, a diretoria do Atlético tem quitado dívidas antigas na Fifa. Al-Gharafa (Diego Tardelli), Dínamo de Kiev (André), Boca Juniors (Cáceres), Sporting (Elias) e Spartk Moscou (Rafael Carioca) foram clubes que já receberam por causa de atrasos de gestões antigas.

Dentro das quatro linhas, a situação também é complicada. O time não venceu há cinco rodadas do Campeonato Brasileiro. Foram três derrotas e dois empates no período. Com 32 pontos, os mineiros têm apenas seis de vantagem para o CSA e o Cruzeiro, dois primeiros da zona de rebaixamento. A chance de uma nova queda é real, mesmo que seja minimizada pelo departamento de futebol.

"Não [trabalhamos com essa hipótese]. Nós trabalhamos jogo a jogo. Tenho absoluta convicção, o torcedor pode ter certeza disso, que o nosso grupo não fala disso [risco de rebaixamento]", declarou o diretor Rui Costa após a goleada sofrida para o Grêmio, no Independência.

"Eu trabalho com esses caras todos os dias. Eu vi gente chorando no vestiário. Teve pai de família que recebeu cusparada hoje. É difícil. Sabemos que o futebol é emoção, o torcedor tem todo o direito de ficar indignado, mas alguns jogadores tomaram cusparada. Eu te afirmo, com toda convicção, que não falamos sobre isso. Não falamos porque somos irresponsáveis, mas porque eu conheço o grupo de atletas, de profissionais que temos no vestiário, e tenho certeza que estamos buscando somar pontos, mas esqueça isso, desse assunto a gente não fala", concluiu.