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Como o Chelsea virou o clube mais ambicioso desta janela de transferências

Timo Werner treina pela primeira vez no Chelsea, seu novo clube - D
Timo Werner treina pela primeira vez no Chelsea, seu novo clube Imagem: D
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

01/08/2020 04h00

A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) caiu como uma bomba no Mercado da Bola. Com menos dinheiro em caixa devido às perdas financeiras provocadas pela quarentena, os clubes precisaram diminuir suas ambições e reduziram drasticamente a busca de reforços para a próxima temporada.

O cenário descrito acima vale até mesmo para os times do primeiro escalão da Europa, os mais endinheirados do planeta, mas não se aplica a pelo menos um deles: o Chelsea.

Os londrinos, cujo dinheiro vem do bilionário russo Roman Abramovich, estão indo na contramão dos seus coirmãos do Velho Continente: aumentaram os investimentos em novos jogadores e viraram a equipe mais ambiciosa desta janela de transferências.

O clube já torrou 93 milhões de euros (R$ 574,7 milhões) em reforços, mais que qualquer outro clube do planeta (com exceção do Barcelona, que fez uma manobra fiscal que acabou inflacionando o preço de Miralem Pjanic na troca feita com a Juventus por Arthur). E promete gastar muito mais.

Duas importantes caras novas já desembarcaram em Stamford Bridge. O meia-atacante marroquino Hakim Ziyech, destaque do Ajax, teve os direitos econômicos comprados ainda antes da pandemia. O alemão Timo Werner, após brilhar no RB Leipzig, também vestirá azul na próxima temporada.

Além dos dois reforços de peso, o Chelsea tem uma lista de possíveis compras capaz de fazer inveja a qualquer clube.

O time é o favorito para ficar com o alemão Kai Havertz, do Bayer Leverkusen, que está na mira de vários gigantes europeus. Além disso, negocia com o lateral esquerdo Ben Chilwell, titular do Leicester e da seleção inglesa, e sonha com o goleiro Jan Oblak, do Atlético de Madri, um dos melhores do mundo na posição.

Além disso, ainda tenta renovar o contrato do meia brasileiro Willian e monitora as situações de jogadores como Declan Rice (West Ham), Marc Cucurella (Getafe), Nick Pope (Burnley), André Onana (Ajax), Lucas Digne (Everton) e José Giménez (Atlético de Madri).

Caso concretize pelo menos parte dessas contratações, é bem possível que o Chelsea faça da atual janela de transferências a maior de sua história particular - o recorde atual é de 206,7 milhões de euros (quase R$ 1,3 bilhão) investidos em 2017/2018.

E gastar tanto dinheiro assim em um cenário de retração econômica só é possível porque a equipe foi forçada a economizar bastante e acabou ficando com sobra de dinheiro em caixa no ano passado.

Devido a uma punição imposta pela Fifa por aliciar jogadores menores de 18 anos, a equipe londrina foi proibida de contratar nas duas últimas janelas de transferência. Ou seja, o investimento feito agora é aquele que está represado desde janeiro de 2019.

Só com vendas de jogadores, o clube faturou no período mais de 235 milhões de euros (R$ 1,4 bilhão). E não teve como reinvestir essa grana em novos nomes para melhorar o elenco do técnico Frank Lampard, o que só foi possível a partir de agora.

O Chelsea terminou o Campeonato Inglês na quarta colocação, com 66 pontos (33 a menos que o Liverpool, que ficou com o título). Com isso, obteve a classificação para a próxima edição da Liga dos Campeões.

Os Blues ainda estão vivos na Champions 2019/2020, mas precisam reverter uma situação das mais delicadas para avançarem às quartas de final da competição e continuarem na briga pelo segundo título europeu de sua história.

Derrotados em casa por 3 a 0 pelo Bayern de Munique na partida de ida, precisam vencer a partida do próximo sábado (8), na Alemanha, por pelo menos três gols de diferença. Se repetirem o placar de 3 a 0, a briga pela vaga para a prorrogação e, posteriormente, para os pênaltis.