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Rafael Reis


Por onde andam 7 brasileiros "esquecidos" que defenderam seleções gringas?

Ídolo no Corinthians, Emerson Sheik defendeu a seleção do Qatar nas eliminatória da Copa-2010 - Leandro Moraes/UOL
Ídolo no Corinthians, Emerson Sheik defendeu a seleção do Qatar nas eliminatória da Copa-2010 Imagem: Leandro Moraes/UOL
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

18/06/2020 04h00

Defender a seleção é o desejo de qualquer jogador profissional de futebol. Mas há alguns que acabam realizando esse sonho em país diferentes daquele onde nasceram e deram seus primeiros chutes na bola. Com os brasileiros, não é diferente.

Só na história das Copas do Mundo, 25 atletas originários no único país pentacampeão mundial da modalidade disputaram a competição vestindo outras camisas.

E há ainda outros tantos que atuaram por seleções estrangeiras em competições continentais, amistosos e torneios de base.

Há três semanas, o "Blog do Rafael Reis" vem relembrando alguns desses nomes e mostrando o que cada um deles anda fazendo atualmente. Hoje, é dia de descobrir os paradeiros de outros sete brasileiros que ganharam novas cidadanias no mundo da bola... mas esses é bem possível que vocês não lembrem que jogaram por outros países.

EMERSON SHEIK
Ex-atacante
41 anos
Qatar

Campeão mundial com o Corinthians em 2012 e um dos maiores ídolos do clube paulista nos últimos anos, o ex-atacante já vestiu a camisa do país-sede da Copa-2022. Em 2008, enquanto defendia o Al-Sadd, Sheik recebeu cidadania qatariana e chegou até a participar das eliminatórias para o Mundial da África do Sul-2010. Mas, depois que voltou ao Brasil, Sheik nunca mais foi convocado para a seleção. O ex-atacante pendurou as chuteiras em 2018, no Corinthians, clube que lhe ofereceu o cargo de coordenador de futebol depois da aposentadoria. Ele ficou na função durante cerca de 11 meses e pediu demissão em novembro.

RUY RAMOS
Ex-meia
63 anos
Japão

Ruy Ramos (Japão) - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Muito antes de Zico fazer sucesso no Japão, no começo da década de 1990, os nipônicos já tinham atuando em seu país um ídolo com sangue verde e amarelo. Ruy Ramos desembarcou por lá em 1977, quando o futebol japonês ainda nem era profissional, e, ao longo de mais de 20 anos de carreira, acompanhou a consolidação da modalidade e o nascimento da J-League. O ex-meia vestiu a camisa da seleção entre 1990 e 1995. Após a aposentadoria, virou técnico. Treinou o Tokyo Verdy, foi auxiliar do Kashiwa-Reysol e dirigiu a equipe japonesa de futebol de areia em duas oportunidades (2005 e entre 2009 e 2013).

ROGER GUERREIRO
Ex-meia
38 anos
Polônia

Roger Guerreiro (Polônia) - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

Lateral esquerdo de origem, defendeu Corinthians e Flamengo, mas precisou ganhar uma nova cidadania para chegar ao auge da carreira. Em 2008, já transformado em meio-campista, Roger disputou a Eurocopa pela seleção polonesa e até fez gol na partida contra a Áustria, quando foi escolhido o melhor jogador em campo. Aposentado desde 2016, chegou a trabalhar como Uber e hoje disputa campeonatos amadores de futebol e participa de vários eventos beneficentes ligados ao esporte.

RODRIGO TABATA
Meia
39 anos
Qatar

Rodrigo Tabata (Qatar) - Karim Jaafar/AFP - Karim Jaafar/AFP
Imagem: Karim Jaafar/AFP

Camisa 10 do Santos em meados dos anos 2000, o meia, assim como Emerson Sheik, também fez parte do projeto do Qatar de tentar se transformar em uma potência futebolística. Tabata foi para o Oriente Médio em 2011 para defender o Al-Rayyan, clube onde está até hoje (só jogou por uma temporada no Al-Sadd no meio desse tempo). Cinco anos depois de desembarcar no futebol qatariano, conseguiu a naturalização e passou a aparecer nas convocações. O paulista de Araçatuba fez parte da campanha das eliminatórias da Copa-2018. No total, ele disputou 19 partidas pela seleção árabe entre 2016 e 2017.

TIAGO SILVA
Ex-lateral esquerdo
41 anos
Bulgária

Tiago Silva (Bulgária) - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Reserva do Palmeiras na conquista da Libertadores-1999, o ex-lateral esquerdo e volante nunca brilhou muito no futebol brasileiro, mas teve uma trajetória de sucesso na Bulgária. Tiago Silva passou cinco anos atuando por lá e chegou a ser convocado para defender a seleção em um amistoso contra a Turquia, em 2005. Mais tarde, ainda retornou ao seu país de origem e defendeu Juventude e União Suzano antes da aposentadoria. Hoje, atua no ramo da construção civil e também empresaria jogadores no Rio Grande do Sul.

SAMMIR
Meia
33 anos
Croácia

Sammir (Croácia) - Jeff Mitchell - FIFA/FIFA via Getty Images - Jeff Mitchell - FIFA/FIFA via Getty Images
Imagem: Jeff Mitchell - FIFA/FIFA via Getty Images

Revelado na base do Athletico-PR e também com passagens por São Caetano e Sport, o jogador disputou mais de 260 partidas pelo Dínamo Zagreb, principal clube da Croácia, dividiu o meio-campo da seleção com Luka Modric e Ivan Rakitic e veio ao Brasil para participar da Copa do Mundo-2014 (foi titular na goleada por 4 a 0 sobre Camarões e reserva nos outros jogos da fase de grupos). Atualmente, está atuando mais uma vez no futebol croata, só que em um time de menor expressão, o Lokomotiva Zagreb, quarto colocado no campeonato local.

MEHMET AURÉLIO
Ex-meia
42 anos
Turquia

Mehmet Aurélio (Turquia) - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Nascido Marco Aurélio, começou a carreira no Flamengo e acumulou vários títulos pelo clube na segunda metade da década de 1990. Em 2001, transferiu-se para a Turquia e mudou de vida. Cinco anos depois de chegar à Europa, ganhou uma nova cidadania, adotou outro nome e se tornou o primeiro jogador naturalizado a atuar pela seleção turca. Mehmet Aurélio foi semifinalista da Euro-2008 e disputou 37 partidas pelo país que o acolheu. Doze anos depois, ele ainda mora na Turquia e é auxiliar-técnico do Fenerbahce, um dos grandes clubes do país.

Rafael Reis