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Rafael Reis


Por que a Coreia do Sul é o 1º país relevante a ter futebol após pandemia?

Jeonbuk Hyundai é o atual tricampeão do Campeonato Sul-Coreano - Divulgação
Jeonbuk Hyundai é o atual tricampeão do Campeonato Sul-Coreano Imagem: Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

07/05/2020 04h20

A partir de amanhã (8), o mundo do futebol estará de olho na Coreia do Sul.

O país, que já foi semifinalista de Copa do Mundo (2002) e é o maior vencedor da história da Liga dos Campeões da Ásia, com 11 títulos, será o primeiro de alguma relevância no cenário internacional da bola a retomar suas competições depois da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

Originalmente, a K-League começaria no dia 29 de fevereiro. Mas ela foi sofrendo sucessivos adiamentos até que a Coreia do Sul se julgasse pronta para fazer a bola rola novamente nos seus gramados.

Mas como será que a terra do K-pop e do atacante Son Heung-min, astro do Tottenham, conseguiu vencer a corrida contra o tempo (e a pandemia) para retomar seu futebol antes dos outros?

Separada da China por uma faixa de água (Mar Amarelo) que não tem nem 400 km de extensão, a Coreia do Sul foi um dos primeiros países do mundo a ter de lidar com uma epidemia local da Covid-19.

Ainda em fevereiro, a nação já sofria com uma escalada preocupante no número de casos da doença, principalmente entre os integrantes da Igreja Shincheonji, de Daegu, que teve papel essencial na proliferação do vírus.

O governo sul-coreano, no entanto, reagiu rapidamente. Com políticas de testagem em massa de cidadãos e rastreamento de todos os infectados, aliado a um isolamento social muito respeitado pela população, virou referência mundial no combate à pandemia.

"Na época do isolamento, você olhava para a rua e não via ninguém. É por causa disso que eles conseguiram voltar tão rápido para uma vida que já é quase normal", afirma o atacante brasileiro Júnior Negão, do Ulsan Hyundai, atual vice-campeão da K-League.

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), a Coreia do Sul teve até o momento mais de dez mil contaminações pelo coronavírus e 254 mortes. No entanto, nas últimas 24 horas, houve registro de apenas três novos casos da doença.

Para viabilizar o começo da temporada 2020 do futebol, todos os jogadores e integrantes das comissões técnicas das duas primeiras divisões do país foram testados para a Covid-19. Nenhum dos mais de 1.100 exames feitos apresentou resultado positivo.

Novos testes serão feitos com a competição já em andamento. Caso alguém seja contaminado, a ideia é que todo o seu time seja colocado em quarentena e tenha todos os seus jogos adiados por duas semanas.

Até por isso, o formato do campeonato foi alterado. No lugar das 38 rodadas usuais, os clubes que atuam na primeira divisão atuarão 27 vezes (22 na primeira fase e mais 5 nos mata-matas finais).

Por enquanto, não haverá presença de torcedores nos estádios. Mas a possibilidade de retomar os jogos com público ainda nesta temporada não está descartada e depende da evolução da doença nos próximos meses.

Os jogadores não poderão se cumprimentar usando as mãos antes das partidas, estão proibidos de conversar em campo e nem poderão se abraçar na comemoração dos gols. Além disso, as entrevistas serão realizadas dentro de campo, não em mais em zonas mistas localizada dentro dos estádios, onde a ventilação é menor e, muitas vezes, artificial.

"Acho que o futebol está voltando na hora certa. Eles controlaram a pandemia e estão tomando todos os cuidados necessários. Mas, o mais importante é que a Coreia está mostrando que tudo isso vai passar e que a vida vai voltar ao normal", completa Júnior Negão.

Além da Coreia do Sul, apenas nações de importância mínima no cenário do futebol mundial, como Belarus, Nicarágua e Taiwan, estão tendo futebol. Alguns países da Europa, como França e Holanda, até já cancelaram suas temporadas. Mas a maioria ainda aguarda as condições necessárias para completar as competições que estavam em andamento.

Rafael Reis