PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Rafael Reis


Exemplo da China indica que 1º escalão do futebol não deve voltar até julho

Messi lamenta após gol sofrido pelo Barcelona no Campeonato Espanhol - Vincent West/Reuters
Messi lamenta após gol sofrido pelo Barcelona no Campeonato Espanhol Imagem: Vincent West/Reuters
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

03/04/2020 04h20

Você já está cansado de assistir a incontáveis reprises de jogos históricos (e de outros nem tão inesquecíveis assim) e está em crise de abstinência pela falta de futebol inédito na televisão e em outras plataformas de vídeo?

Eu também, mas aí vai uma dica das mais valiosas: tente de controlar essa ansiedade. A bola vai voltar a rolar nos gramados do Brasil e da Europa. Mas nada indica que isso acontecerá tão cedo.

Pelo andamento da pandemia na China, onde o novo coronavírus (covid-19) foi primeiramente detectado e de onde ele se alastrou para todo o planeta, é bem capaz que a gente só volte a ter futebol em países relevantes no cenário internacional da bola no segundo semestre.

Vamos à explicação: a curva de evolução da doença para os chineses está entre um mês e meio e dois meses adiantada em relação à maioria dos outros países. Afinal, o cenário global atual é muito semelhante ao que eles enfrentavam lá na primeira quinzena de fevereiro.

E, mesmo na China, o futebol ainda não voltou. A Superliga, que originalmente estava prevista para começar no dia 22 de fevereiro, foi adiada indefinidamente em decorrência da proliferação do vírus.

Até houve um forte rumor de que a competição poderia ser iniciada em 18 de abril, mas a ideia não resistiu à persistência no aparecimento de novos casos da covid-19 no país.

No começo da semana, a Administração Geral do Esporte da China emitiu um comunicado oficial anunciando que eventos que levam à aglomeração de pessoas, como os esportivos, não serão retomados "por enquanto".

Ou seja, na melhor das hipóteses, o futebol deve voltar à normalidade na China a partir de maio. E ainda há a possibilidade de essa pausa se estender por mais algum tempo e avançar até junho.

Mas tomemos maio como o mês mais provável do retorno da Superliga. Agora, coloque nessa conta os 45 ou 60 dias de adiantamento da curva da pandemia na China e, pronto, o semestre acabou.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, também indicou que a bola não vai voltar a rolar tão cedo. "Ninguém sabe quando vamos voltar a ter futebol", afirmou, ontem (2).

É claro que tem gente tentando apressar esse retorno e formulando as mais diversas ideias para que ele ocorra o quanto antes. As principais ligas nacionais da Europa já elaboraram estudos sobre a chance de terminar a temporada com portões fechados e também concentrando todos os jogos em apenas uma ou duas sedes.

Só que, pelo menos por enquanto, essas são apenas ideias que não conseguem sobreviver ao cenário atual do coronavírus. Até ontem, a OMS (Organização Mundial de Saúde) confirmava cerca de 900 mil casos da doença em quase todos os países. Os mortos superavam a casa dos 45 mil.

Na maioria das nações, a curva do contágio ainda é ascendente. E, mesmo em países que parecem já ter alcançado o topo da contaminação, como Itália e Espanha, o número de novos infectados e mortos por dia ainda torna inviável a ideia de trazer o futebol de volta.

Por tudo isso, é bem possível que a bola só realmente volte a rolar a partir de julho.

Rafael Reis