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Rafael Reis


Belarus mantém futebol, mas enfrenta ira de sindicato e greve de torcedores

Jogadores do Dynamo Brest, atual campeão de Belarus, na partida de abertura do campeonat - Divulgação
Jogadores do Dynamo Brest, atual campeão de Belarus, na partida de abertura do campeonat Imagem: Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

02/04/2020 04h20

Único país da Europa que não paralisou suas competições profissionais de futebol em virtude da pandemia do novo coronavírus (covid-19), Belarus agora enfrenta um movimento de greve dos torcedores.

Os ultras (uma espécie de versão europeia das torcidas organizadas) de dois dos 16 clubes da primeira divisão do país anunciaram nesta semana que não vão mais acompanhar as partidas de suas equipes em protesto contra a realização da competição nesse cenário de proliferação do vírus.

Os primeiros torcedores a se manifestarem a favor da paralisação do futebol foram os do Neman Grodno, clube que ocupa a sétima colocação no Campeonato Bielorrusso. Eles cobraram da federação local coragem para suspender o torneio e anunciaram que não vão mais frequentar as arquibancadas.

"Ficaremos em casa para reduzir os riscos da propagação do vírus. É hora de se proteger e proteger seus entes queridos", publicaram o grupo de ultras do clube, em suas contas de redes sociais.

Após o pronunciamento da torcida do Neman Grodno, os apoiadores do Shakhter Soligorks, time que está em oitavo na tabela, decidiram aderir à causa e também optaram por não mais acompanhar in loco as partidas do clube.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), Belarus já registrou mais de 150 casos positivos da covid-19, mas ainda não teve nenhuma morte comprovada em decorrência da doença.

O presidente da ex-república soviética, Aleksandr Lukashenko, ficou famoso mundialmente por desdenhar publicamente da pandemia e recomendar vodka e sauna como remédios para combatê-la.

Já o mandatário da Federação Bielorrussa de Futebol, Vladimir Bazanov, defende que não há uma "situação crítica" que justifique a paralisação do campeonato ou que as partidas sejam realizadas sem a presença de torcedores nas arquibancadas - está havendo apenas a distribuição de álcool em gel para quem decide assistir aos jogos.

A FIFPro, o sindicato dos jogadores profissionais de futebol, discorda. Em um comunicado emitido na terça, a entidade criticou a decisão de Belarus e disse que os atletas que atuam no país estão preocupados com a falta das mesmas medidas de segurança que foram aplicadas na maior parte do mundo.

A primeira divisão bielorrussa teve início há duas semanas. Amanhã (3), tem início a terceira rodada da competição, com a disputa de mais oito partidas, todas com portões abertos e presença normal de público.

Até o momento, quatro times têm seis pontos e 100% de aproveitamento: FC Minsk, Energetik-BGU Minsk, Isloch e Torpedo Zhodino. O Dínamo Brest, atual campeão, aparece na sequência, com quatro pontos conquistados.

Belarus é um dos poucos países do planeta que ainda estão com futebol profissional em atividade. A Nicarágua, na América Central, é outra nação que continua com a bola rolando.

A pandemia do coronavírus começou mais ou menos na virada do ano e já se espalhou por todos os continentes. Até ontem, a OMS confirmava cerca de 820 mil casos da doença em quase todos os países. Os mortos superavam a casa dos 40 mil.

Rafael Reis