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Rafael Reis


Por que Belarus é o único país da Europa que não interrompeu seu futebol?

Jogadores do Dynamo Brest, atual campeão de Belarus, na partida de abertura do campeonat - Divulgação
Jogadores do Dynamo Brest, atual campeão de Belarus, na partida de abertura do campeonat Imagem: Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

24/03/2020 04h20

Para 54 dos 55 países filiados à Uefa, entidade que administra o futebol na Europa, ver a bola rolando nos gramados é apenas uma lembrança dos tempos anteriores à pandemia do novo coronavírus (covid-19).

Mas os para os quase 10 milhões de habitantes de Belarus, uma república do Leste Europeu que fez parte da antiga União Soviética, essa continua sendo uma realidade cotidiana que não foi alterada pela proliferação da doença.

Apesar de já ter mais de 75 casos confirmados da infecção, o país optou por manter suas competições de futebol em andamento e está permitindo a entrada normal de torcedores nos estádios.

A temporada 2020 da Vysshaya Liga, primeira divisão da modalidade em Belarus, teve início na última quinta-feira e já completou sua rodada de abertura. No próximo fim de semana, está prevista a realização de mais oito partidas.

Mas, afinal, por que os bielorrussos estão indo na contramão do restante da Europa (ou do mundo todo, para ser mais justo) e mantiveram seu futebol rolando como se nada de anormal estivesse acontecendo?

A resposta está na forma como seus políticos e principais dirigentes esportivos estão encarando a pandemia.

Na semana passada, o presidente de Belarus, Aleksandr Lukashenko, classificou o fechamento de fronteiras como medida para combater o covid-19 como uma "bobagem total e absoluta". Além disso, também deu sua receita particular para combater a doença: "tomar uma sauna, beber muita vodka e trabalhar duro para matar o vírus no seu organismo".

Já o mandatário da Federação Bielorrussa de Futebol, Vladimir Bazanov, disse que não há uma "situação crítica" que justifique a paralisação do campeonato e defendeu que as partidas sejam realizadas com presença de público para evitar aglomerações do lado de fora dos estádios, como aconteceu em outros países.

Um dos principais nomes da história do futebol de Belarus, o ex-meia Aleksandr Hleb, que jogou no Barcelona e no Arsenal, criticou a forma como seu país tem lidado com a ameaça do coronavírus.

"É incrível, ninguém quer saber. Por aqui, todo mundo sabe o que está acontecendo na Itália e na Espanha, está feio demais. Mas os governantes insistem que o vírus não é tão grave quanto as notícias mostram. E muitos jovens também pensam desse jeito", afirmou, em entrevista ao tabloide britânico "Sun".

Fora da Europa, também são poucos os países que não interromperam suas competições de futebol. A Austrália, o principal deles, deve anunciar hoje a paralisação do seu torneio. Angola, que também resistia, paralisou o campeonato no sábado.

A doença provocou ainda o adiamento da Copa América e da Eurocopa para a o próximo ano. A final da Liga dos Campeões, principal torneio interclubes do planeta, que estava marcada para 30 de maio, também será futuramente reagendada para uma outra data.

A pandemia do coronavírus começou mais ou menos na virada do ano e já se espalhou por todos os continentes. Até ontem, a OMS (Organização Mundial de Saúde) confirmava mais de 330 mil casos da doença em mais de 180 países. Os mortos se aproximavam da casa dos 15 mil.

Rafael Reis