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Rafael Reis


Se não mudar regra, Tóquio-2021 pode perder Gabriel Jesus, Lautaro e astros

Gabriel Jesus, em ação pela seleção brasileira - Reprodução
Gabriel Jesus, em ação pela seleção brasileira Imagem: Reprodução
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

25/03/2020 04h20

O adiamento dos Jogos Olímpicos para o próximo ano, anunciado ontem, em virtude da propagação da pandemia do novo coronavírus (covid-19), colocou a Fifa e o COI (Comitê Olímpico Internacional) em uma saia-justa.

Se as entidades seguirem à risca o que prevê o regulamento da competição, o futebol masculino de Tóquio-2021 ficará desfalcado de algumas das principais estrelas que poderiam disputar a Olimpíada.

Como o torneio olímpico permite a participação de jogadores com no máximo 23 anos (completos no ano da disputa), o adiamento do campeonato para 2021 tirou da jogada os atletas nascidos em 1997.

As federações nacionais já solicitaram que essa regra seja revista devido à excepcionalidade trazida pela transferência da data dos Jogos. Assim, COI e FIFA estão estudando a possibilidade de permitirem que, desta vez, o torneio seja sub-24.

Caso isso não aconteça, vários nomes importantes estarão possibilitados de atuar no Japão. O Brasil, por exemplo, perderia Gabriel Jesus (Manchester City), atacante titular da seleção principal, que já disse que gostaria de participar da competição.

Nada menos que 11 dos integrantes da última convocação de André Jardine não poderiam disputar os Jogos de Tóquio. A lista inclui os meias Matheus Henrique (Grêmio) e Lucas Paquetá (Milan), que também já defenderam o time adulto do Brasil. O meia Bruno Guimarães (Lyon) e o atacante Richarlison (Everton) seriam outros desfalques de peso.

A Argentina também sofrerá bastante se o regulamento não for alterado, já que o atacante Lautaro Martínez (Inter de Milão), principal nome de sua equipe olímpica e já pré-convocado para o torneio japonês, é nascido em 1997.

Atual campeã mundial adulta, a França é outra seleção que sairia bastante prejudicada. Ousmane Dembélé (Barcelona), Theo Hernández (Milan), Christopher Nkunku (RB Leipzig) e Lucas Tousart (Lyon) seriam alguns dos seus desfalques. Pelo menos Kylian Mbappé (PSG), que tem 21 anos, mas dificilmente será convocado, poderia ser normalmente utilizado.

Os danos da Espanha seriam menores. Angeliño (RB Leipzig), Mikel Oyarzabal (Real Sociedad) e Carlos Soler (Valencia) seriam os desfalques mais sentidos. O mesmo vale para a Alemanha, que não tem uma geração 1997 com tantos nomes de destaque: Suart Serdar (Schalke 04), Florian Neuhaus (Borussia Mönchengladbach), Benjamin Henrichs (Monaco).

Fora da Europa e da América do Sul, também há alguns jogadores de destaque que correm risco de ficar fora dos Jogos Olímpicos se ele não virar sub-24, como, por exemplo o marfinense Franck Kessié (Milan), o egípcio Ramadan Sobhi (Al-Ahly) e o australiano Ajdin Hrustic (Groningen)

Quatorze dos 16 participantes do torneio de futebol já são conhecidos. A Concacaf ainda não definiu seus representantes, já que precisou adiar seu Pré-Olímpico em virtude da proliferação do covid-19.

A pandemia do coronavírus começou mais ou menos na virada do ano e já se espalhou por todos os continentes. Até ontem, a OMS (Organização Mundial de Saúde) confirmava mais de 372 mil casos da doença em mais de 180 países. Os mortos superavam a casa dos 16 mil.

Rafael Reis