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Rafael Reis


Pandemia de gripe foi o início do fim dos times mexicanos na Libertadores

Hector Reynoso, jogador mexicano do Chivas Guadalajara - Hector Vivas/Jam Media/LatinContent via Getty Images
Hector Reynoso, jogador mexicano do Chivas Guadalajara Imagem: Hector Vivas/Jam Media/LatinContent via Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

24/03/2020 04h00

Classificação e Jogos

Durante quase 20 anos, entre 1998 e 2016, times mexicanos bateram ponto na Libertadores. Três deles não se contentaram em ser meros convidados do torneio sul-americano e chegaram até a decisão. O Cruz Azul foi vice-campeão em 2001, o Chivas Guadalajara repetiu a dose em 2010, e o Tigres ficou perto do título em 2015.

E uma pandemia de gripe (de proporções muito menores do que a atual, provocada pelo novo coronavírus, o covid-19), foi determinante nesta história. Ela marcou o começo do fim da participação dos clubes do país vizinho dos Estados Unidos na competição organizada pela Conmebol.

Em 2009, a H1N1, na época conhecida como gripe suína, provocou um racha entre o México, onde a doença surgiu e primeiro se alastrou, e a entidade que administra o futebol na América do Sul.

A celeuma começou ainda na fase de grupos da Libertadores. Entre várias dúvidas sobre os jogos que poderiam ou não ser disputados, houve até espaço para a suspensão de um jogador (o zagueiro Héctor Reynoso) por cuspir, tossir e assoar o nariz na direção de um adversário.

Quando chegaram os mata-matas, a questão ficou insustentável. Duas das três equipes mexicanas que participavam daquela edição do torneio se classificaram para as oitavas de final e criaram uma dor de cabeça para a Conmebol.

O San Luis enfrentaria o Nacional, do Uruguai, enquanto o Chivas mediria forças com o São Paulo. Só que a entidade proibiu os jogos no México para não contribuir com a proliferação da doença.

O plano B da Conmebol foi fazer as equipes mexicanas atuarem como mandantes nos mata-matas decisivos em outros países. Só que Chile, Colômbia e Paraguai se recusaram a recebê-las.

Por fim, a entidade decretou que os confrontos envolvendo os clubes da terra do Chaves e do Chapolim aconteceriam em jogo único, na casa dos seus adversários (no caso, Uruguai e Brasil).

Aí, foi a vez da Federação Mexicana de Futebol reclamar. A entidade acusou a Conmebol de estar sendo preconceituosa e defender interesses de alguns dos seus filiados em detrimento da equidade da competição.

Assim, rompeu relações com o órgão e retirou seus clubes da disputa da Libertadores, classificando Nacional e São Paulo automaticamente para as quartas de final.

A Conmebol ainda conseguiu reconstruir a ligação com as equipes mexicanas ao dar vaga direta para Chivas e San Luis na fase final da Libertadores do ano seguinte. Mas os laços com o país convidado nunca mais voltaram ao normal.

Depois da crise de 2009, os clubes mexicanos ainda disputaram mais sete edições do torneio continental. Em 2017, não concordaram com a expansão da competição, que passou a durar o ano todo e ter número maior de clubes participantes, e decidiram, de forma unilateral, se retirar.

Novamente, a Conmebol tentou reverter a decisão. Mas, dessa vez, não conseguiu e foi obrigada a redesenhar a Libertadores sem a presença dos seus tradicionais convidados vindos da América do Norte.

A pandemia atual de coronavírus começou mais ou menos na virada do ano e já se espalhou por todos os continentes. Até ontem, a OMS (Organização Mundial de Saúde) confirmava mais de 330 mil casos da doença em mais de 180 países. Os mortos se aproximavam da casa dos 15 mil.

Neste ano, a Libertadores foi interrompida depois da realização das duas primeiras rodadas da fase de grupos. A competição ficará paralisada pelo menos até o dia 5 de maio.

Rafael Reis