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Rafael Reis


Será que o calendário do futebol brasileiro aguenta o "efeito coronavírus"?

Gabigol faz o segundo do Flamengo contra o Barcelona pela Libertadores, que continua sendo disputada - Allan Carvalho/AGIF
Gabigol faz o segundo do Flamengo contra o Barcelona pela Libertadores, que continua sendo disputada Imagem: Allan Carvalho/AGIF
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

13/03/2020 04h20Atualizada em 13/03/2020 18h16

Classificação e Jogos

Quase todos os os principais campeonatos nacionais do planeta estão com o futebol congelado pelas próximas semanas. A Liga dos Campeões e Liga Europa seguiram o mesmo caminho.

O início das eliminatórias sul-americanas da Copa do Mundo de 2022, assim como a sequência da Libertadores, também estão suspensos. E outras competições internacionais de futebol, como a Eurocopa deste ano, andam sob forte ameaça.

A pandemia de coronavírus fez o mundo do futebol ficar de ponta-cabeça. E, ao que tudo indica, fará em breve o mesmo com a bola que é jogada nesse canto do planeta chamado Brasil.

Até ontem, o país já havia registrado 77 casos positivos do covid-19, cerca de 0,06% do total de infectados no mundo (125 mil, de acordo com a Organização Mundial de Saúde), e quase nada perto da quantidade de doentes registrados na China (81 mil) e na Itália (12 mil), por exemplo.

Mas o próprio governo brasileiro admite que esse número irá crescer exponencialmente daqui para frente.

E, em questões de dias (ou semanas, na melhor das hipóteses) o futebol pentacampeão mundial terá de lidar com o mesmo problema que já está afligindo os principais campeonatos da Europa.

Mas será que o calendário dos nossos clubes tem espaço suficiente para abrigar as inúmeras remarcações de partidas e até uma eventual paralisação dos campeonatos que o coronavírus fatalmente trará?

Levando em consideração que uma equipe de futebol pode atuar duas vezes durante a semana (terça/quarta/quinta e sexta/sábado/domingo e segunda-feira), temos até o fim do Campeonato Brasileiro, agendado para 6 de dezembro, 79 datas.

Dessas, 38 já estão ocupadas pelos jogos da Série A. Outras sete são as que faltam para a conclusão dos Estaduais (levando em consideração o calendário de São Paulo). São necessários mais 11 dias disponíveis para a Libertadores e oito para a Copa do Brasil.

Ou seja, para encerrar sua temporada 2020 sem nenhum atropelo, como clubes jogando três vezes na semana ou competições se acavalando nos mesmos dias, o futebol brasileiro precisa de 66 datas.

Na prática, isso significa que o futebol por aqui pode ser paralisado por até 6,5 semanas, ou um mês e meio. Mais que isso nos levaria a um caos para remarcar todas as datas necessárias.

Isso significa então que o calendário brasileiro não é tão ruim assim e que é "frescura" quando alguém reclama que os times daqui jogam bem mais que os europeus?

Não é bem assim. O Brasil só está melhor que a Europa nesse caso do coronavírus por causa da época do ano da instauração da pandemia.

Como ainda estamos no começo da temporada (e não fazemos pausas nas Datas Fifa e em competições como Copa América e Jogos Olímpicos), há mais tempo para o remanejamento de partidas.

Lá no Velho Continente, os casos começaram a brotar com os campeonatos já entrando em suas retas finais, portanto com bem menos margem para se fazerem os ajustes necessários. Por isso, o problema acabou se tornando algo quase que sem solução.

Band: Pandemia de coronavírus impacta esporte mundial

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